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Vivemos o tempo da desresponsabilização.

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Estamos num tempo – por certo face ao um passado demasiado “opressivo”- em que passámos para um estádio de total desresponsabilização, e que vai num crescendo imparável.

Hoje a todos os níveis se pratica a desresponsabilização, e esta percorre a cadeia hierárquica, seja nas empresas, seja no desporto, seja no lazer, seja na família. Todos e todas, parece estarmos numa de querermos ter títulos e se forem associados a dinheiro, receber o mais possível, mas de facto e em concreto, passar as responsabilidades “efectivas” para outros, para outro lado, fora e longe de nós, do “eu”! Mas como o outro e o outro lado está na mesma, ninguém “manda” de facto – alegando achar que o termo é ditatorial- quando se pode e deve fazê-lo não pela força e pelo berro, mas pelo respeito, algo que já não se sabe fazer. Mas, se tivermos memória para lá do que se passou na passada semana, nos lembraremos- ou ensinaremos a quem ainda cá não andava/estava –que foi possível entre os anos 80 do século passado e o inícios do actual, assim acontecer, respeito, autoridade assumida, sem medos infligidos. Sendo que, antes – no tempo da ditadura, em que muitos ainda vivemos – era de facto à força, pela opressão, pelo medo, mas agora, hoje, é a balda total. E ninguém quer ter a maçada de saber bem o que está a fazer, de saber bem cumprir, de saber bem obrigar a cumprir. E anda tudo num limbo – parece que religiosamente acabou mas temporalmente estamos nele – em que cada um vagueia pelo mínimo das responsabilidades e das culpas, zero em cada. E claro, tudo se vai adiando, fica-se pelo secundário dado que não se quer assumir o essencial, fala-se muito sem nada dizer. Todos, e então nas profissões em que a “atitude” faz parte intrínseca da mesma, arranjam – arranjamos – sempre uma “desculpa” para não actuar, para não fazer, para ver se passa sem nada acontecer. E de facto assim é, fica tudo no “sofrivelmente”, no “disse-que-disse”, no “não foi comigo”, e não se sabe com quem foi, e vai-se destruindo Instituições, formas de ser estar, numa aparente bonomia.

Claro que se assim continuarmos – e é o mais provável – vamos desconstruindo tudo e mais alguma coisa, e quando nada estiver ordenado, as regras tiverem ido todas pelo esgoto, e ainda pior nos entendermos, virá o tal “salvador” que aos berros, à força, pelo medo, sem respeito, à bruta vai pôr tudo nos eixos, mesmo que sejam quadrados esses eixos. E é pena esta total desresponsabilização a que chegamos ser algo “tão” cultural que nos faz passar por termos sido mandados à força, por sabermos fazê-lo temporária e assumidamente pelo respeito, e para voltar “desresponsabilizadamente” à primeira forma. Seja assim e assim o querermos!

Augusto Küttner de Magalhães

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