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O verdadeiro perfil do aluno

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A nova geração, quando crescer, quer ser youtuber, quer fazer vídeos que publica no canal YouTube, quer ter muitas visualizações e ganhar muito dinheiro. Impossível? Não. As crianças e os adolescentes vêem que já há quem, pouco mais velho do que elas, tenha casas e carros melhores do que os dos seus pais. Com um trabalho que parece ser divertido.
“São novos, ricos, têm carros… A ideia que se passa é um apelo ao material. Há uma venda de valores que pode ser perigosa: ‘Tu podes ser famoso sem dominar a língua portuguesa’”, Ana Galvão denunciava: “[Há] uma legião de jovens youtubers que estão a ensinar barbaridades aos nossos filhos.” Sobre essas “barbaridades” já Nuno Markl, com quem a radialista tem um filho em comum, tinha escrito no Facebook. Em causa um vídeo queo filho de oito anos vira, no qual um youtuber recomendava que, quando a mãe o acordasse para ir para a escola, a mandasse para o caralho.
O youtuber repete que é um influenciador, que o seu trabalho tem mais visualizações do que a rádio ou a televisão e que há “empresas, empresas, empresas e empresas” atrás deles por causa do alcance que têm. Mais: paga Segurança Social e não foge ao fisco.
Os números do YouTube atestam o êxito que têm. Mas se dúvidas houvesse, os eventos ao vivo confirmam-no. Esses “acabam por demonstrar a loucura e o fanatismo dos fãs”, declara Raposo, dando o exemplo do lançamento do livro de Wuant — autor do vídeo com o qual Galvão e Markl se insurgiram e que é o número 1 entre os youtubers —, em Lisboa, há um ano. “A fila saía fora da Fnac e do próprio centro comercial. Fechámos a fila cinco minutos depois de começar a sessão”, conta, acrescentando que há outros casos como quando, no Porto, foi preciso chamar a PSP para o youtuber conseguir sair.” Jornal Público (16/01/2018)
 
Como é que a escola pode competir com isto? Como pode cumprir na formação do perfil do aluno elaborado pelo ME, se os conteúdos que utiliza e os valores que lhe pedem para transmitir são antagónicos e menos atrativos a este mundo digital?
Como pode convencer o jovem de que os conteúdos das Ciências sociais, Ciências experimentais e exatas, Português, etc., são mais importantes do que aqueles divulgados por ‘biscateiros digitais’ à procura de dinheiro fácil e sem esforço?
Mário Silva

2 COMMENTS

  1. …duas coisas são certas: o perfil do aluno não encaixa no perfil do professor e o perfil dos 2 não se adequa à escola que temos!

  2. É deixá-los serem educados pelo Wuant…Vai ser bom… O Wuant, bué da novo, vai ficar velho e … imagine-se vai falecer… os admiradores, ”tamém” … Entretanto, porque foram educados pelo Wuant , e quejandos, lavarão latrinas aos mais educados e capazes… Numa perspetiva pessoal estou feliz, pelos meus filhos! Como diria o outro: ´´ É a vida”!

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