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Vem aí obras para mais 200 escolas | Professor acusado de falsificar documentos para lecionar | E a minha resposta ao ataque feito hoje no Expresso aos professores

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Julgo que não haverá “festa” como a da parque escolar, essa será memorável com os seus candeeiros de 2000 € assinados por Siza Vieira e pela entrada em força da melhor amiga do ex-primeiro a Dona “LENA”…

Espero que as “Europas” tenham mais juízo desta vez e façam as obras necessárias às 200 escolas inscritas no projeto, sem luxos desnecessários, mas também sem maçanetas que deixam de funcionar ao fim de um mês de utilização.

Ao contrário dos médicos que recebem o vencimento de um professor em início de carreira para ir “medicar” para o interior, no ensino chegamos ao ponto de ter professores a falsificar (alegadamente) documentos para dar aulas. Ou não fosse a educação a verdadeira paixão…

Mas o dia de hoje fica marcado pelo texto da doutora Sandra Maximiano publicado no Expresso online e que tem como base o último estudo do ComRegras em parceria com o DeAr Lindo – Concurso de Professores – A Nossa Opinião Também Conta!

Ficam algumas citações e a minha resposta.

Os professores estão sistematicamente contra a descentralização do sistema educativo. É o que confirmam os resultados de um inquérito promovido por dois dos principais blogues na área da educação – ComRegras e DeAr Lindo – revelados esta semana. Mais de 95% dos 5000 professores que responderam ao inquérito considera que o recrutamento deve ser feito a nível central. No ano passado, cerca de 53 mil professores, num universo de 54 mil votantes, já tinha dito não à municipalização num referendo nacional realizado em Junho pela Plataforma Sindical de Professores.

É verdade que não há bela sem senão, e que a descentralização implica riscos, mas também não é menos verdade que a centralização do sistema educativo impõe entraves a uma educação mais plural e mais adequada às necessidades das populações locais. É bom que os professores e sindicatos alertem e tenham receio dos eventuais riscos da descentralização mas será que o fazem de uma forma totalmente desinteressada e a pensar nos interesses dos alunos?

A centralização é o sistema que melhor acautela os interesses dos docentes e dos sindicatos. Para os sindicatos é mais fácil negociar apenas com o Ministério da Educação e Ciência do que com múltiplas entidades, o que incrementaria os custos negociais e a necessidade de recursos. Além disso, a centralização mais facilmente torna a educação e as suas condições num alvo eleitoral, ao dar mais poder de negociação a professores e sindicatos. Por fim, mesmo quando os professores não se opõem a uma maior autonomia no que respeita à gestão escolar e conteúdos programáticos, essa autonomia é apenas concebida num sistema centralizado que permita garantir a manutenção da carreira e dos direitos adquiridos. No fundo, o que está em causa é o poder e o medo de o perder.

Doutora Sandra Maximiano.

Agradeço a simpatia de ter utilizado o estudo desta casa como base do seu artigo, no entanto não posso deixar de discordar e vou tentar esclarecer sua excelência sobre aquilo que acusa a classe docente.

Os professores têm uma enorme paixão pelo ensino, é até difícil de explicar por que razão assim é, mas é… talvez a melhor forma de explicar-lhe é dizer-lhe que os professores são também seguidores de uma máxima masoquista que provavelmente só é entendível por eles próprios e pelas suas famílias. Permita-me recomendar-lhe a leitura deste artigo – Farto de ser marido de uma professora.

Os professores não querem a descentralização do seu concurso e a municipalização escolar, porque simplesmente não confiam nela. Talvez não saiba, mas há pouco tempo houve um sistema de colocação chamado Bolsa de Contratação de Escolas, que mais parecia um queijo Suíço tal não eram as suas falhas e aldrabices. A colocação pela lista de graduação funcionou no passado e foi feita através de um regime centralizado, logo é natural que os professores queiram voltar a um sistema que já conhecem e confiam.

Sobre a municipalização escolar, que pelos vistos está imparável e 2018 será o ano do seu alargamento, vamos dizer as coisas como têm que ser ditas e desculpe-me a frontalidade. Não sei quais são as suas origens, ideologias ou crenças, não sei se é apologista do “copo meio cheio” ou do “copo meio vazio”, não sei se é uma pessoa que acredita realmente na bondade dos outros e no seu amor pelo próximo, mas vamos à realidade:

Cunhas, compadrios, jogos de influências, pressões externas sobre avaliações, gestão de currículos, contratações não de professores ou funcionários, mas de “boys for the job”, fim da independência escolar e da sua já míope democracia escolar, fim da pouca autonomia escolar e nascimento da dependência municipal. É disto que estamos a falar… e se há coisa que as autarquias adoram e ficam em pulgas para meter as mãos, são as escolas… as escolas podem, quando bem escravizadas orientadas, ser o perfeito trampolim para lideranças autárquicas.

Admiro a sua fé, admiro a sua confiança no sistema político-partidário, mas eu já não acredito, vejo ao vivo e a cores o que pode acontecer com a descentralização e os seus vícios de forma. A ideia até tem o seu romantismo, mas é uma relação que terá os seus dias contados e como em qualquer relação que termina… quem sofre são sempre os mais novos…

E são esses, doutora Sandra Maximiano, são esses que queremos defender… custe o que custar… doa a quem doer!!!

Os meus cumprimentos,

Professor Alexandre Henriques

Ministro diz que estão lançados os dados para obras em 200 escolas

(TVI24)

Professor do ensino público falsificou documentos para lecionar

(Inês Figueiredo)

Aversão à descentralização do sistema educativo

(Sandra Maximiano)

 

3 COMMENTS

  1. Partilhado por Cristina Gouveia na sala de Facebook – Movimento pela vinculação de professores contratados
    Miguel Carranca disse:
    “Descentralização das escolas e outras instituições consagradas na Constituição, é a passagem das responsabilidades dos representantes em São Bento para os pequenos autarcas que movem muitos interesses pessoais. Diria mesmo, à Srª Sandra Maximiano, que a nível económico é uma transferência de responsabilidades do Orçamento de Estado para a Administração Local, possibilitando a criação de empresas Público-Privadas para a gestão da mesma rede educativa. Se a preocupação em São Bento fosse uma melhor educação para os alunos, talvez devessem começar pelo curriculum escolar que se encontra totalmente fora da realidade e que há muitos anos, afirmo até décadas, que é reivindicada uma profunda reforma. Neste ponto, posso concordar consigo que os sindicatos não estão interessados em discutir o assunto, até porque o maior sindicato dos professores, tem como seu dirigente um professor que não sabe o que é ser professor há anos. Basicamente, é mais um “boy” do comité do PCP, como a maioria dos sindicatos nascidos do anarco-sindicalismo, que o PCP desde cedo fez tudo para os controlar.
    Esta ideologia de descentralização, ou “chamando as coisas pelos nomes”, desresponsabilização vinda de uma ideologia neo-liberalista americana só demonstrou maus resultados práticos, enquanto a centralização e igualitarismo desenvolvido na Finlândia a nível da mesma educação trouxe resultados inesperados, principalmente porque os alunos passaram a ter mais tempo livre, deixaram de ter a escravatura dos Trabalhos para Casa (TPC) e os professores voltaram a ser respeitados e dignificados.
    Srª Sandra Maximiano, e outros tais, o vosso erro lógico é tão básico que fico sempre admirado como tais pessoas conseguiram passar da 4ª classe. Mais uma vez, o problema está no curriculum que permite que estas pessoas tirem cursos baseados em cábulas – e não estou a dizer que foi o caso da senhora que aliás não a conheço – em vez da compreensão e inteligência.
    Vivemos num país de “lambe-botas” até ao dia em que a mxrdx seja tanta que até estes fiquem fartos.

    Ex-estudante, pai de estudante e esposo de uma professora.

    Assino, mas não assassino a educação.”

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