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Vantagens e desvantagens da flexibilização curricular

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Começam a surgir algumas indicações das principais vantagens e desvantagens da grande reforma deste Ministério de Educação, a flexibilização curricular. Convém lembrar que esta será massificada a todas as escolas no próximo ano letivo.

Vantagens:

Por exemplo, o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, vê como “grande vantagem até ao momento” o facto de se estar a criar uma rede entre as escolas participantes que lhes permite comunicar entre si de uma forma que nunca tinham feito até aqui.

O ministério criou vários instrumentos de acompanhamento da flexibilidade curricular, entre os quais reuniões periódicas entre directores e representantes dos vários departamentos da tutela, onde se discute a forma como cada um dos projectos está a ser posto em prática. Esses encontros “permitem que nos conheçamos e possamos ligar com os colegas”, diz Lima. “Pela primeira vez está a conseguir-se juntar todas as entidades das escolas e da tutela”, elogia também o director da Escola Técnica Profissional da Moita, Alexandre Oliveira.

Desvantagens:

Em sentido contrário, uma das maiores dificuldades que os directores têm encontrado prende-se com o trabalho dos professores. “É preciso mudar mentalidades e essa é a maior dificuldade”, sintetiza a directora do agrupamento de escolas de Alvalade, em Lisboa, Dulce Chagas. Nas regiões do interior há ainda que lidar com outros problemas que não facilitam o trabalho extra que é exigido aos docentes num projecto que acarreta um conjunto de novidades. Por um lado, muitos dos que ensinam em escolas como o agrupamento de Moimenta da Beira, vêm de longe. “São de Viseu ou de Vila Real. Têm que fazer 120 a 140 quilómetros por dia para vir dar aulas. Não há envolvimento possível nestas condições”, conta o director da escola beirã, Alcides Sarmento.

Todavia, “o maior problema” poderá vir no próximo ano, quando a escola de Moimenta da Beira, como tantas outras do país, tentar dar seguimento ao projecto de flexibilidade, diz Alcides Sarmento. “É quase certo que no próximo ano não teremos 100% dos professores que estão a fazer coisas novas na escola”, alerta. “Se assim for, não há continuidade possível.”

Mas o grande teste à flexibilização curricular será o ensino secundário em virtude dos exames nacionais. A escola vive tempos de submissão aos exames e todo o trabalho é canalizado para o acesso ao Ensino Superior e respetivos rankings.

Sou da opinião que as aprendizagens essenciais serão o farol do IAVE para a elaboração dos futuros exames. Devem por isso professores e alunos focar-se essencialmente nessas aprendizagens dando tempo para a sua consolidação.

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2 COMMENTS

  1. Se os senhores diretores admitem que os professores fazem “trabalho extra” espero que os professores recebam também as correspondendentes horas extraordinárias. Se por “mudança mentalidades” se entende que os professores devem trabalhar de graça o caminho é profundamente errado. Porque neste aspeto também é preciso mudar mentalidades, alguns diretores(as) estão demasiado agarrados ao suplemento remuneratório e não vislumbram o trabalho extra que os outros fazem.

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