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Vamos Lá Falar Verdade Sobre As Notas Inflacionadas

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Hoje o jornal Público dá grande destaque à questão da inflação de notas. O problema não é novo e pelos vistos a IGEC esmiuçou o assunto e descobriu aquilo que qualquer professor há muito sabe. Existem áreas onde um professor pode facilmente subir ou descer uma classificação, alterando o resultado da grelha de Excel. É assim agora, foi assim no passado e será assim no futuro. Os critérios de avaliação são constituídos por uma série de parâmetros que vão além da classificação do teste.

Então agora com a “moda” da flexibilização, os testes até podem ser abolidos e será ainda mais fácil de “manipular” resultados, tal como se pretende… Ups! Esta parte não é para dizer…

Estes parâmetros, mesmo com critérios estipulados podem ser facilmente “inclinados”, tal como pode um teste levar a bons ou maus resultados, bastando para isso um professor facilitar ou dificultar nas questões.

Então os alunos estão nas mãos dos professores? Perguntam vocês… E qual é a novidade??? Sempre foi assim e sempre será…

Só que existe uma salvaguarda moral, transversal à grande maioria dos professores, estes são profissionais responsáveis e costumam ser sérios na forma como avaliam os seus alunos. É importante que este tipo de notícias não atire mais lenha para a fogueira que alimenta a ideia que os professores são maus profissionais, têm muitas férias e um horário de luxo. Repito, a grande maioria dos professores é imparcial e avalia de uma forma justa e honesta.

Porém, não somos anjinhos e seguramente que tal como eu, vocês também conhecem vários casos de manipulação de notas. Lembro-me por exemplo que enquanto aluno no Ensino Superior, constatei a enorme capacidade de um professor, que em menos de 24 horas tinha corrigido 150 exames e todos os alunos obtiveram a classificação de 14 ou 15 valores… Que ganda Prof!!! Este senhor até é bem conhecido da praça desportiva e política, mas isto já não interessa nada… Ou o que dizer dos milagres de final de ano, onde os alunos estão 2/3 do ano com 7 negativas e de repente passam para 2 num período que nem tem 2 meses de duração… Que máquinas!!!

Mas estes são os casos de incompetência do(s) professor(es), onde a escola deveria ter mecanismos internos para evitar este tipo de situações, nomeadamente um controlo mais apertado por parte dos coordenadores de grupo/departamento.

Mas… e os diretores? Os pais? Os alunos? Os exames??? Pois é… agora vamos ao fundo da questão. A escola é vista cada vez mais como uma empresa, onde as escolas privadas assumem a Educação como um negócio e mais alunos é sinónimo de maior rentabilidade. Não é por isso de estranhar que 2/3 das escolas que manipulam as notas são privadas. Mas nas públicas a pressão sobre os professores para inflacionarem notas é cada vez maior. Desde reuniões que são repetidas por ordem dos diretores, desde os alunos que pressionam aula após aula para ter mais 1 ou 2 valores, desde os pais que comparam notas com a vizinha e vão fazer queixa aos diretores de turma e diretores exigindo muitas vezes o impossível, desde o número de alunos que são “castrados” para não irem fazer má figura nos exames ou são levados ao colo, para aguentarem o embate de um exame que corre mal, algo tão típico no 9º ano de escolaridade. O que não falta é culpados, cada um à sua maneira, e cada um com maior ou menor responsabilidade.

A escola tem muitos vícios e as culpas são transversais. Ninguém deve fazer o papel de virgem ofendida, pois a escola tornou-se num local onde a imagem, a projeção, o show off, vale muito mais do que as aprendizagens propriamente ditas.

E agora imaginem quando as autarquias começarem a pressionar as escolas porque a sua terrinha tem piores resultados que a terrinha do vizinho e não pode ser, pois fica mal e é chato… Não criaram os rankings? A comunicação social não gosta tanto deles? E agora fazem capas de jornais onde uma das causas para a notícia é ela própria…

Há certas coisas que quanto mais se mexe pior cheira, e ninguém, mas ninguém deve atirar pedras pois o seu telhado é de vidro e com muitas rachadelas à mistura…

Alexandre Henriques

Escolas violam as suas próprias regras para inflacionar notas

Dois terços das escolas que mais inflacionam notas são privadas

De que modo a inflação de notas interfere na vida dos alunos?

O fenómeno regional de sobreavaliação das notas

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2 COMENTÁRIOS

  1. Força aí na flexibilidade e no decreto 55!… É só aplicar as grelhas e eles hão-de cuspir o sucesso absoluto! Misture-se este belo desiderato com a municipalização e o desvario dos fundos europeus e o resultado vai ser espectacular! Sucesso, sucesso e mais sucesso em cursos ministrados por grupos de teatro, universidades, ditas católicas, ecologistas em manada, adeptos de esoterismo diversificado, especialistas em agricultura, academias de música… todos a quererem salvar o sistema e a ajudar os impreparadinhos dos zecos! Poderão os senhores pensar que professores, com a dura verruga de trinta anos de serviço, são mais capazes que jovens , acabadinhos de sair das universidades, e pagos a pataco, para ministrar cursos de garantia de sucesso académico total… Poderão os senhores pensar que estamos à beira de ”esbardalhar” mais uns milhões de massa europeia , como sempre fizemos… De esturrar uns biliões como na Parque Escolar… De queimar uns milhares como no azul computador Magalhães…
    Eu, por mim, já não estou para me incomodar… Viva a flexibilidade, a massa europeia, o sucesso total… Isto anda tudo ligado e, como dizia uma senhora ministra, vai ser de novo uma FESTA!

  2. Para que servem as notas? À parte a entrada na Universidade, alguém ou alguma emrpesa quis saber alguma vez, que tipo de trabalhador estava a admirtir? Alguma pediu o “histórico” das classificações para o admitir como funcionário? Não. NUNCA… À parte os que no privado entram sempre (e repito, sempre!) pela cunha do próprio empresário (que escolhe os que admite conforme manda a sua “REAL TELHA”) nunca o percurso académico dos alunos servirá para onbter um emprego… Nem muito menos um lugar de chefia! As classificações de pouco ou nada serve,m. E por mim falo., Com as notas máximas em todos os cursos por onde passei, fui dos que obtive piores colocações… E já nem falo de ter obtido um excelente e ter ficado no quinto mais velho anos a fio porque a legislação se alterou e fui impedido de concorrer por ter sido professor titular. Acabenm com a discussão de ter ou não esta ou aquela nota. Os exames nada medem. Apenas medem uma circunstância, e nunca a capacidade de um aluno. O meu filho obteve 13 valores na disciplina de Matemática, na primeira chamada e, sem estudar nem mais um minuto, na segunda chamada teve 19,3 valores. Pesquisem e leiam “Que medem os exames?” em Que medem os exames?

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