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Vamos Falar A Sério E Por Um Ponto Final Aos 942

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Eu tenho estado calada, para não atrapalhar, mas não estou morta.

Não saí do meu sindicato, meu suporte de sempre e que continuará a ser, concordando ou não com algumas estratégias de luta. Já fiz muitas com sucesso.

A má estratégia adoptada em julho de 2018, suspendendo a nossa luta pelos 942, deixou muitos professores “sem chão” e que estavam disponíveis para ir até ao fim e ganhar esta batalha. Deixaram também os delegados sindicais numa posição crítica e de grande fragilidade, pois são eles que estão no terreno a contactar com toda a classe profissional. Aquele teria sido o momento determinante da nossa luta e os sindicatos, os maiores, não souberam fazer essa leitura e cautelosamente suspenderam a nossa greve, perdendo ali a luta e a confiança dos professores. Eu sei que havia as férias, as notas, as famílias e os compromissos… mas aquele foi o momento. É preciso ser realista e dar a mão à palmatória. Os nossos queridos directores, receberam ordens e cumpriram-nas exemplarmente, não souberam dizer não à nova palhaçada dos conselhos de turma. Poderiam ter considerado a demissão em bloco. Mas não!

O Dr. António Costa é ardiloso, conhece muito bem a classe dos professores, a mulher dele foi, e sabe muito bem até onde pode esticar a corda. Ele conta com os nossos princípios, a nossa ética, os nossos preconceitos, a nossa relação por vezes conflituosa com alguns sindicatos, a vertente política de cada um,…ele sabe que evitamos entrar em conflito com os encarregados de educação, ele sabe que somos seres pensantes e questionamos muito, e aproveita-se disso. Ele é um habilidoso, que sabe navegar entre os pingos da chuva e sabe surpreender. Não o considero coerente, nem intelectualmente honesto, mas é aí que ele joga e ele nem quer saber da minha opinião. Tudo o que tem acontecido nesta luta é uma verdadeira encenação, onde ele (para mal dele) vai ficando e denegrindo cada vez mais a sua personagem (acreditem que sim), porque a maioria dos cidadãos não é tola e já percebeu esta “melomerda” (desculpem, melodrama) e como a comunicação social é manipulada conforme dá jeito. Indrominou à esquerda e à direita e faz muito bem o seu papel.

Ele sabe que precisamos de férias, ele sabe como a nossa profissão é desgastante, ele sabe que nem sempre somos unidos, ele sabe que há profs anti-sindicalistas, ele ignora o STOP, ele sabe que o Mário Nogueira é resiliente, lutador, mas é cauteloso, ele sabe que nós temos ética profissional, fazemos muitas ameaças, mas continuamos a remar para o mesmo lado na educação dos nossos alunos e nunca faremos de conta que, estamos lá na Escola, na sala de aula, mas não trabalhamos.

Nós também o conhecemos cada vez melhor e cada um saberá bem em quem votar nas eleições que se seguem. Cada um que faça a análise que quiser, mas a direita que tanto critica a geringonça, teve agora uma boa oportunidade para acabar com ela, mas todos se chegaram atrás, escondendo-se atrás de uma retórica parideira, sem fim. Agacharam-se! Hxaram-se e baixaram a bola, como dizem os nossos alunos.

POR FAVOR NÃO SE DISPERSEM COM CRÍTICAS, ACUSAÇÕES E BLÁ, BLÁ, BLAS….

Continuamos com um problema para resolver e temos apenas 3 saídas. Temos que ser mais ardilosos que ele, agir em silêncio e de forma rápida.

Greves aos exames já vimos que não dá. Greves às avaliações também não. Precisamos de férias? Sim.

Tenho lido muitas opiniões de colegas e considero haver 3 saidas:

1 – via judicial – um bom advogado ou vários e tocar o assunto para a frente.

2 – atacar a parte frágil desta estrutura. Os papás que não têm onde deixar os filhos pequenos. Peço desculpa papás, mas tem de ser! Os sindicados devem unir-se, restaurar rapidamente a confiança dos professores, criar um fundo de greve através da acção dos seus delegados e começar uma greve por tempo indeterminado, dos professores do 1º ciclo e pré-escolar durante a manhã ou o dia todo. Os centros escolares também dão um jeitaço nestas lutas! Este é o braço de ferro determinante, e necessário, sem ais, nem uis… claro que o Sr Costa até pode ir ao fundo de desemprego e colocar lá os desempregados a tomar conta de meninos. Seria giro, pois todos têm muito jeito para lidar com crianças! As crianças até poderiam estar na escola, isso podiam, mas não seria a mesma coisa! Para nós seria muito bom, pois quem fosse para a escola aprenderia a valorizar-nos constatando o que é “mandar” em meninos e eles não obedecerem. Os mais ousados até poderiam ensinar, dar língua portuguesa, inglês, história, geografia e cálculo matemático… com todo o respeito pelos desempregados!

3 – ataque urbano. Horas de ponta, tudo na rua em cordões humanos, em todas as cidades do país.

COMEÇAR JÁ PELO 1 E 3 como aperitivo, E DEPOIS DAS NOSSAS FÉRIAS E DO MERECIDO DESCANSO, NO INICIO DO ANO LETIVO (AULAS) E COM CALMA, MUITA CALMA E ORGANIZAÇÃO PASSAR AO 2.

Pensem nisto, sindicatos. Restaurem a confiança dos profs e adoptem estas lutas até quebrar o Sr Costa e a Marionete do nosso ministro. Bastaria uma semana? Não? Duas? Eles não querem flexibilidade? olhem que experiência brutal para os alunos século XXI e para os cidadãos em geral!

Como nota final, nós professores somos “fazedores” de opinião e moldadores de mentalidades, não esqueçam nunca de ensinar aos nossos alunos, a ser cidadãos críticos e activos.

Ana Quelhas

Fonte: Iniciativa Para Uma Ordem Dos Professores

4 COMMENTS

  1. Por mim, só estarei disposto a adoptar a estratégia # 1
    Tudo o resto é folclore ou,então, não conhecem o estado anímico dos professores.

    • Subscrevo!!!
      Há muito que já devia ter seguido a via judicial… argumentos não faltavam, agora contam-se ainda mais!!

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