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Valorizar a Educação Física! Valorizar as expressões!

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carta aberta

Na 4ª feira o Emanuel deu destaque a uma carta dirigida ao Ministro da Educação no seu “caderno diário” das 4ª feiras e que foi publicada no jornal I. Ainda bem que o fez, pois é merecedora de publicação integral.

Lembro que este Ministro prometeu valorizar as expressões a sua integração nas provas de aferição é um passo no sentido certo, mas um passo curto. Na realidade continuam a existir alunos de 1º ciclo que não têm educação física/educação musical apesar de obrigatória (aqui a culpa recai nas escolas e nos seus professores pois consta do respetivo programa), o programa de educação musical não é atualizado há 25 anos, a disciplina de educação física continua a não contar para a média de acesso ao ensino superior (exceto para quem segue educação física), a sua carga letiva foi reduzida a par do desporto escolar, não possuem metas como as outras áreas curriculares nem fazem exames.

Em Portugal as expressões continuam a ter dificuldade em exprimir todo o seu potencial. Até quando?

Carta ao ministro da Educação

Para quem escreveu durante cinco anos no jornal “A Capital”, de 1969 a 1974, abertamente contra o Ministério da Educação da época e seus dirigentes, que de política desportiva percebiam apenas aquilo que era importante para eles – manterem-se nos lugares a qualquer preço –, não é difícil nem novo escrever esta carta a um ministro democrata, já que os que estavam antes do 25 de Abril, não eram, de todo, democratas. Utilizavam o “exame prévio” do coronel Páscoa para desarticular tudo o que se escrevia contra o regime, e ameaçavam pessoalmente, na Rua do Mundo, com a prisão.

Senhor ministro, não reconheço qualquer excelência no seu trabalho no setor do desporto porque ele, de facto, não está de acordo com o seu perfil académico, ou seja, não encomendou qualquer relatório independente a peritos na matéria; não avaliou nem diagnosticou o atual panorama desportivo; não levantou recursos humanos e infraestruturas nem as quantificou, até porque não teve tempo; não definiu até agora prioridades para o setor, sendo a primeira, e mais importante, perceber que o desporto-espetáculo nem devia depender do Ministério da Educação, bastava a “Inspeção dos Espetáculos”, que já existe; e a segunda é que o seu ministério nem sempre teve a oportunidade de ter um académico como ministro para tentar fazer, pela educação do país, aquilo que fazia nas universidades: servir o país e os portugueses com qualidade e com verdade, e ainda, como é seu timbre, dizem-me, com lealdade!

Aqui chegados, para uma pessoa com o seu nível, perceberá que há três áreas importantes, e decisivas, neste setor a estruturar:

1) A investigação científica: 

2) O ensino da educação física (faculdades e escolas superiores); 

3) E a gestão das infraestruturas humanas e materiais.

A educação física ou, se preferirem, a cinesiologia (ciência que estuda o movimento) tem de ser encarada, no seu ministério, como essencial e insubstituível, porque é a disciplina que pode, em simultâneo, educar, instruir, civilizar, socializar e dar consciência social a todos os alunos portugueses, desde a pré-primária até ao último ano da faculdade, mais a mais agora, que acabou o serviço militar obrigatório, e quando se verifica que os jovens têm poucos arquétipos, não respeitam autoridades, têm pouca consideração pela lei e nenhuma para com o seu semelhante com quem se cruzam na rua.

É isso, senhor ministro, que o senhor pode e deve fazer no Ministério da Educação.

É na alteração das mentalidades que o seu ministério deve trabalhar, considerar a cultura, no seu todo, e o desporto como um ato cultural, desde que gratuito!

Senhor ministro, não se preocupe com as medalhas olímpicas e, se quiser dar uma medalha à Telma Monteiro, já que ela é licenciada em Desporto, dê–lhe a possibilidade que mais ninguém lhe dará, ou seja, encarregue-a de estruturar o ensino do judo no ensino oficial. 

Daqui a uns anos, esta política dará os seus frutos, e a sua coragem e o seu amor ao país serão sempre lembrados por aqueles que o irão substituir, já que não terá tempo para colher os louros. Mas dizem-me que a sua prioridade é servir o país; então, tem aqui a sua oportunidade. Cumprimentos.

Mário Bacelar Begonha

Sociológo

2 COMMENTS

  1. A educação física escolar será desvalorizada na justa medida em que é sobrevalorizada a inteligência lógico-matemática. Enquanto o ME estiver governado por políticos tacanhos que ainda não perceberam que um sujeito amputado das suas múltiplas inteligências é um sujeito inferior, as cartas abertas como esta (cujo conteúdo não questiono, obviamente) têm o mesmo valor do que dar um presente de pérolas a porcos.

    • Exatamente Miguel, é preciso reconhecer as múltiplas inteligências. Por vezes penso que muitas pessoas não sabem sequer o que elas são…

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