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Como usar o humor com o seu filho

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smileTambém é daqueles pais que acreditam que educar uma criança é um assunto muito sério?! Então temos um desafio para superar! Educar pode ser muito menos desgastante e mais divertido do que possamos pensar sem que, com isso, deixemos de estabelecer regras e limites. O humor e a brincadeira ajudam as pessoas a aproximarem-se mais umas das outras. Mais ainda quando umas são adultas e outras são crianças…o riso permite a um adulto falar uma linguagem que é muito familiar à criançada. E é essa ligação entre pai e filho que é a (verdadeira) base da disciplina.

Já pensou que rir é uma das primeiras competências que aprendemos? É verdade…e logo nos primeiros dias de vida, muito antes de aprendermos a falar e a andar! Se é das primeiras coisas…deve ser também das mais importantes, certo?

Quando todas as nossas estratégias de pais falham (o que acontece muitas vezes!) tudo o que precisamos de fazer é…rir! Até porque conseguirmos encontrar humor nalgumas situações pode ser algo bastante eficaz! O riso alivia um clima tenso, pelo simples facto que estar zangado e rir ao mesmo tempo é uma impossibilidade! Como todos tão bem sabemos da nossa própria experiência de vida, o humor pode dissolver instantaneamente uma luta ou ajudar-nos a relacionarmo-nos com o outro de uma forma totalmente diferente.

Os pais precisam de perceber que podem rir-se da situação mas nunca da criança. Se nos rirmos das nossas crianças elas podem ficar envergonhadas e ainda mais zangadas.

Lembre-se, a forma como olhamos para uma situação afecta a forma como reagimos a ela. A capacidade para olhar de uma perspectiva mais leve, quando isso for apropriado, pode ajudar-nos a acalmar e a responder de uma forma mais racional do que emocional. Mas, claro, nem sempre nos podemos rir…

Lembre-se: a regra nº 1 quando usa o riso com o seu filho é que este deve ser sempre sobre a situação e nunca sobre a criança. Rir-se dela ou dos seus medos, dores ou crenças, nunca! Isso não tem piada nenhuma. O que deve é rir-se com ela. Se é um humor partilhado, tudo bem…rirem-se os dois juntos de uma cena tonta pode fazer maravilhas – constróis pontes e neutraliza lutas:

  • Aprenda a rir-se de si próprio. Os pais devem ser capazes disso! Até porque, assim, será mais fácil os seus filhos imitarem-no. É tão bom ensinarmos-lhes a não se levarem tão a sério. Por vezes conhecemos meninos demasiados compostos, certinhos, sempre preocupados com tudo. Não é nada bom… O que é bom mesmo é rirmo-nos dos nossos erros, porque os nossos erros não nos definem como pessoas. São apenas algo que fazemos, não algo que somos. Aprender a rir dos erros, sem nunca perder a perspectiva de melhorar, é uma ferramenta demasiado valiosa para não a usarmos neste mundo de hoje, de tanta gente macambúzia!
  • E se de vez em quando dissermos: “Olha, porque estamos os dois a discutir sobre isto?! Um problema TÃO pequenino?!”. Então? Saia do conflito (o seu filho não conseguirá ficar lá sozinho….). Muitas vezes, quando olhamos para o que desencadeou o conflito, é algo tão insignificante que só nos devemos rir.
  • Rirmo-nos deles, no nosso quarto! Existem situações em que as crianças são tão desafiantes, pretendem coisas tão absurdas, têm ideias tão curiosas, que a única coisa que poderemos fazer é ouvi-las e depois, em privado, divertirmo-nos com isso!
  • “Daqui a um ano isto vai fazer-me sorrir?”. Outra pergunta importante e inteligente que devemos fazer quando estamos preocupados com o comportamento da criança (ou em qualquer situação na nossa vida): “Vou rir-me disto daqui a um ano?”. Se a resposta for sim então relaxe, significa que o problema pode ser resolvido sem grandes dramas. Mesmo que reconheça que a situação neste momento não possa ter muita piada, diga para si próprio “Um dia ainda vou estar a contar isto…e a rir-me disto”. Não significa que esteja a dar menos importância, só porque está a tentar encontrar um lado menos sério, mais leve. Não significa que não haja consequências para a criança, se ela se portou menos bem. Significa apenas que decidiu aliviar o clima, enquanto continua a fazer o seu papel de pai, de educador.
  • Use uma voz engraçada ou finja ser determinada personagem para pedir-lhe o que ele normalmente não quer fazer, como por exemplo estudar ou arrumar o quarto. Cantar uma ordem ou um pedido é uma situação improvável, que os apanha de surpresa…e os pode fazer desmanchar a rir!
  • Os mais pequeninos adoram ver os adultos a estatelarem-se no chão, porque é algo que lhes acontece também! Simule quedas, eles adoram!
  • Finja que está a chorar, exagere! Desde que a criança não se assuste, o choro simulado pode conseguir que os dois se escangalhem na risada!
  • Use a brincadeira para ensinar boas maneiras. Escolha dois peluches em que um é o mal-educado e o outro, o certinho. Exagere, mais uma vez, os bonecos têm que ser totalmente tontos e engraçados. Em vez de nos desgastarmos (e a eles!) a ensinar-lhes as maneiras à mesa muitas (vezes sem resultado!), esta estratégia alivia a tensão sobre este tema e eles acabam por adquirir as regras que tanto queremos que eles tenham!

Divirtam-se 😀 !

Cristina Valente
Psicóloga Parental e Autora de “Coaching para Pais” e “O Que se Passa na Cabeça do Meu Filho?”.

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