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Urge um pacto para a Educação

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Subscrevo, subscrevo e subscrevo o que diz Filinto Lima no seu artigo publicado no jornal Público de ontem.

Numa altura onde está eminente uma greve de professores, devem os representantes dos professores, dos pais, dos assistentes operacionais e os próprios alunos, colocar na sua agenda reivindicativa a estabilidade na educação.

Não podemos andar ao sabor das marés cor-de-rosa, cor-de-laranja, laranja e azul e rosa e vermelha. Está na altura de gritar bem alto um BASTA e exigirmos que quem nos (des)governa ganhe juízo e entenda que a escola não é local para experiências, é um local de aprendizagem que precisa de ESTABILIDADE.

Fica o artigo.


Estabilidade para a Educação patrocinada pelo PR

A Educação deverá merecer, da parte dos nossos políticos, um esforço adicional rumo à estabilidade e que não se ande aos solavancos, a alterar (quase) tudo por… (quase) nada. Este é o procedimento invariavelmente habitual das equipas ministeriais desta área, com mais ou menos intensidade e/ou intencionalidade, que traz às escolas e ao ensino indesejada instabilidade pois, no limite, só servirá os interesses políticos.

Este procedimento, por parte das cúpulas do nosso país, não faz bem à Educação, nem à Saúde, nem à Justiça, nem… e alguém lucrará com este modus faciendi? Será este o modo certo de atuar quando se tem o poder nas mãos? Não será possível ter-se o mesmo discurso (em relação à estabilidade) quando se está no governo ou na oposição?

Percebo as dificuldades de consenso político e, por isso, usando o bom exemplo da Justiça, também será possível chegar-se a um acordo na Educação, através da celebração de um entendimento, há muitos anos reclamado pelos diferentes intervenientes da área, constituindo, para o efeito, um grupo de trabalho (GT) e discutindo abertamente o que separa as forças da esquerda das forças da direita.

Proponho o alto patrocínio do Presidente da República para este desiderato vantajoso, sinónimo de interesse superior num dos principais setores de qualquer sociedade moderna: a Educação.

Fará sentido efetuar alterações legislativas e procedimentais ao mesmo ritmo da mudança da cor governativa? Qual a vantagem para um aluno que durante o seu percurso de escolaridade obrigatória está sujeito a exuberantes enredos? É prudente promover modificações a meio dos ciclos de ensino?

Não sendo este o momento nem o local para discutir o (de)mérito da política educativa implementada pelos sucessivos ministérios da Educação, seria fulcral que qualquer decisão fosse antecedida de debate e discussão públicos, sustentáculo primordial para as conclusões de um GT com constituição heterogénea, e fixar um quadro legal-normativo para o horizonte de, pelo menos, duas legislaturas consecutivas. E, se for esse o caminho a percorrer, relembro duas matérias que devem ser das primeiras a integrar o rol dos consensos: avaliação externa dos alunos e currículo.

O modelo de avaliação (também externa) dos nossos alunos deveria ser perpetuado o máximo de tempo possível, e não mudar ao sabor do vento democrático, pois ora sopra à direita, ora vira à esquerda, com uma frequência relativamente regular de quatro anos. Há alunos que têm escapado aos exames, mas realizam provas de aferição; outros, julgando ter que realizar estas, fizeram as outras… uma multiplicidade de situações que baralha os principais implicados no processo: os alunos.

A constância do currículo (o que se ensina) deverá figurar nas atenções deste pacto, pelo facto de não poder transfigurar-se ao sabor das marés, obrigando à adoção de manuais escolares que, devendo perdurar durante seis anos, resistem apenas três ou quatro.

Sinto, por diversas vezes, que a Educação é muito maltratada (não me refiro aos ministérios da Educação, mas aos partidos que os suportam), sofrendo pesados atropelos, colocando em sofrimento quem (os professores) se dedica de corpo e alma à mais nobre das profissões. Confundindo também, quer alunos, quer seus pais e encarregados de educação, estes davam tudo pela harmonia entre as principais forças partidárias, em prol da estabilidade educativa, tão ansiada e merecida por todos.

Futebolisticamente falando, dir-se-á que a bola está no lado dos partidos políticos. Há interesse em tratá-la bem? Quererão, por acaso, meter golo? É assim tão difícil, senhores políticos?

Filinto Lima – Professor e director; presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas

13 COMMENTS

  1. Pois eu não quero pactos de regime na educação, porque a experiência demonstra que quando se unem é sempre para tramar os professores.

    Os resultados da “estabilidade” da educação em Portugal, estão aí à vista de todos: os mega-agrupamentos, a gestão unipessoal, a desvalorização social e profissional dos professores, o desinvestimento no sector, a municipalização.

    PS, PSD e CDS têm governado à vez a educação e nisto entendem-se às mil maravilhas.

  2. Uma das questões que gera mais consensos entre os professores é a da gestão: acabar com o cargo uni-pessoal dos diretores e torná-lo democrático, com uma assembleia eleitoral alargada; eleição do Presidente do Pedagógico e dos Coordenares dos Departamentos. Um governo tão à frente, tão à esquerda, tão perfil do século 21, e quando chega ao tempo da democracia são todos muito MLR e bem lá ”prás” direitas. Depois há aquele ”pormenorzito” dos currículos muito extensos… Ah, já sei!Não se mudam porque são excessivos e desadequados… flexibilizam-se!!! As metas é que continuam as mesmas para cada ciclo… Assim, caso as criancinhas não aprendam o que está estipulado no currículo, a culpa é dos professores que não souberam flexibilizar! O que vale é que esta esquerda é muito dialogante e acabou com os exames… para engendrar quatro provas de aferição aplicadas a crianças de 7 anos… Tudo normal e dentro do que é costume…

    • Bem mais grave do que isso são os megas.
      Quanto à eleições, é um berbicacho. Um dos princípios basilares da democracia é um voto por pessoa, como conjugá-lo a quantidade de potenciais votantes (professores, assistentes, pais, alunos maiores de idade)? 3000 votantes para eleger uma direção?

  3. É isso mesmo.
    Deixem a porcaria dos lóbis e garantam estabilidade. O tempo que o Costa nos está a fazer perder para dar dinheiros aos vizinhos do desporto escolar precisa de ser denunciado.
    É o negócio da educação física e das formações. Quando a mama secar, vão inventar outra porcaria qualquer.
    Deixem-me trabalhar. Não gostam de metas? Então ponham os putos a dar cambalhotas e saltinhos e vão ver se saem estrutura dos. O ministério está tomado por lobistas gatunos.

  4. Como li algures, antes do pacto deveria ser debatida muita coisa que já se dá por adquirida há anos.
    E , desculpem este corporativismo, as questões profissionais dos professores devem entrar nessas matérias a serem discutidas.
    Afinal, como ir para a frente quando se está desmotivado?

    • A situação profissional dos professores precisa de estar na linha da frente de futuras negociações e os pais e alunos se não entendem isso é porque não entendem nada de como funciona uma sociedade. Junto naturalmente os assistentes operacionais à questão.

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