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Um em cada quatro adolescentes fazem “sexting”

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Sexting é a prática de enviar mensagens, fotos ou vídeos sexualmente explícitos pelo telemóvel.

Estamos perante um fenómeno em clara ascensão e de difícil deteção. Um assunto que deve ser abordado nas aulas de Educação Sexual e os pais devem ter uma conversa sem tabus com os seus filhos. Prevenir, instruir, é sempre a melhor defesa.

Partindo da análise de 39 estudos (com 110.380 participantes, com menos de 18 anos), esta meta-análise aponta que actualmente cerca de 14,8% assumem enviar sexts e 27,4% recebê-los. A discrepância pode ser explicada por vários factores: “alguns inquiridos podem relatar a menos as suas interacções de sexting, alguns sexters podem enviar a mesma imagem a várias pessoas e aqueles que recebem um sext podem não retribuir”, aponta o estudo.

Os investigadores focaram também a análise na prática não consentida, concluindo que cerca de 12% dos jovens já enviaram uma mensagem deste tipo sem consentimento e 8,4% foram o sujeito de uma mensagem enviada sem o seu consentimento.

Tendo em conta a crescente prevalência da prática de sexting – em linha com a ubiquidade dos telemóveis hoje em dia – os investigadores defendem que deve haver mais informação sobre sexting e as potenciais consequências e que este tema deve ser uma componente da educação sexual. Os estudos existentes mostram que “sexting é um indicador do comportamento sexual e pode estar associado a outras questões de saúde e de comportamentos de risco”, apontam.

“Fizemos este estudo porque o tópico é uma preocupação urgente para a maioria dos pais, que são confrontados com a dupla ameaça de tentar compreender o funcionamento do mundo digital, ao mesmo tempo tendo de navegar pelas conversas sobre o comportamento sexual com os seus adolescentes”, comenta Sheri Madigan, autora principal do estudo e professora na University of Calgary, no Canadá, ouvida pelo Culto.

A questão prende-se mais com a privacidade do que com a prática de sexting em si. “Quando se carrega no botão, a juventude confia que as imagens não serão partilhadas. Sexting não é um problema quando esta confiança não é violada”, indica Madigan. A tecnologia de eleição – o telemóvel – pode ser enganadora, dando uma ilusão errada de privacidade: “[os jovens] podem não ter um entendimento claro de que quando as imagens são enviadas, perdem o controlo de como os receptores lidam com as mesmas”. O sexting também se torna problemático quando os jovens são pressionados ou coagidos, seja por uma pessoa ou pelos pares, aponta ainda.

Também o tema pornografia de vingança (ou revenge porn, na expressão inglesa) – pessoas que publicam imagens ou vídeos com conteúdo sexual de parceiros – tem alarmado as autoridades. No ano passado, o Facebook anunciou que estava a testar na Austrália uma forma de prevenir a revenge porn, em colaboração com o organismo governamental de cibersegurança daquele país. A proposta passava por guardar imagens íntimas na forma de uma impressão digital, para impedir que qualquer pessoa fizesse upload dessa mesma imagem. No ano passado, dois casos chamaram a atenção dos media: o de uma rapariga filmada num autocarro, enquanto um rapaz tocava nas suas partes íntimas, durante a Queima das Fitas do Porto, e o de uma estudante da Universidade do Minho filmada seminua durante a semana académica, em Braga.

Madigan aconselha os pais a serem proactivos em relação à segurança digital, a “terem conversas abertas cedo e frequentemente, não apenas quando surge um problema”. Há alguns temas que merecem maior relevo: “Os riscos de sexting e as potenciais consequências legais; garantir que as crianças sabem que não está certo pressionarem ou serem pressionadas a enviar um sext e informá-las de que quando uma imagem é enviada, perdem o controlo da mesma”.

Fonte: Público

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