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Um Ministro que não vê, não ouve e não fala

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«A TODOS OS COLEGAS PROFESSORES

Hoje sinto-me revoltada e triste! Fala-se nos 3 professores que morreram neste final de ano letivo e penso naqueles que não terão morrido noutros finais de ano e que não foram falados por ninguém. Como se a sua morte tivesse sido natural… Não poderei esquecer a morte chocante da minha colega Fátima. Já as aulas e as reuniões de avaliação tinham terminado e tratava-se dos últimos afazeres (sempre muitos) de final de ano, quando as temperaturas altas já se faziam sentir. Tinha estado a conversar com ela que nesse ano tinha tido turmas difíceis (N.E.E.) e sobre a sua revolta de no fim, sem fazerem nada, terem passado alunos que não o mereciam. No dia seguinte, quando vinha para a escola a conduzir, parou o carro e morreu. “Elas não matam, mas moem”, digo eu, que também sou um pouco exemplo disso. Pedi a rescisão há 5 anos, tenho 58, não sei ainda como viverei até aos 66, mas tive plena consciência de que comecei a adoecer por exaustão e que “aquilo” não era vida… Eu, que tinha começado por lecionar com paixão e dedicação máxima… Agora esse tempo acabou e tornou-se demasiado para uma classe envelhecida que, vai perdendo algumas capacidades e a quem vêm chegando algumas maleitas próprias da idade. Não pretendo com isto, ser compreendida por toda a população que, continua a pensar que esta profissão é uma brincadeira e ainda por cima, com imensas férias….,” Perdoai-lhes Senhor porque não sabem do que falam…” . Penso que os da classe me compreenderão, sobretudo os mais velhos e aqueles que “vestem a camisola”. Não posso ainda deixar de falar nos outros professores que vão falecendo durante o ano, talvez também por exaustão e desespero porque se criou o chavão de que é fraco aquele que desiste. Há alguns que chegam a pôr termo à própria vida e outros que são obrigados a ir trabalhar até ao último dia, quando por doença lhes é negada a baixa médica e não têm já forças para se manterem de pé…que falta de humanismo! Registo aqui a minha consternação e homenagem a todos aqueles que já pereceram e hão-de vir a perecer…nesta batalha não há, por enquanto (como nos EUA), armas de guerra, mas há muita falta de tudo pelos professores. Que descansem em paz os que partiram e deram a vida ao terem escolhido ser professores!

Por tudo aquilo que já referi, penso que mais uma vez se justificava os professores se vestirem de luto e fazerem uma marcha lenta até à Assembleia da República para que se despertem consciências. Ser professor não deveria ser equiparável a participar numa guerra, não é à toa que somos um dos grupos profissionais que sofrem de “síndrome de burnout” e que mais recorre a psicólogos e psiquiatras para conseguir ir trabalhar para ganhar o “pão”. Quando é que o poder político deixa de fazer como o macaco que não quer ver, ouvir nem falar? Não está tudo bem Sr. Miinistro! Está tudo muito mal e cada vez pior!»

 

Texto da colega Zita Mamede 

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1 COMENTÁRIO

  1. Só podemos é congratularmo-nos com esta medida, que só peca por tardia… Ainda por cima porque is cidadãos parecem não cohecer os seus deveres e direitos…Porqud quer o docente, quer a família deviam rm todas as situações acionar o Acidente em Serviço, nem que demore… ou mesmo que não seja considerado… Mas ficariam registadas as infindáveis situações que foram acontecendo ao longo dos anos… No meu caso na primeiras vezes também não tomei consciência, mas ssguidamente não deixei passar… Na última vez fiquei de ACIDENTE de SERVIÇO 2 meses… Entre outras, pela 3.a vez me rebentara um vaso sanguíneo no olho, no pico de situação de stress, pico de tensão alta… na sala de aula e infelizmente presenciada pelos alunos, a 31 de maio de 2017, era professora titular de turma no 1.o CEB e Coordenadora de Escola. Só saía da escola quando o serviço terminava, altas horas da noite..
    Para além disso está tudo registado na médica de família que me acompanha… Porque será que não temos Médico de Medicina do Trabalho… Se tivéssemos com certeza que eu teria medidas restritivas… Vejam por exemplo o que acontece com Assistentes Operacionais nas escolas…

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