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“Um Feito Extraordinário, Que Foi Possível Graças Aos Professores”

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Fico sempre na dúvida se hei de publicar qualquer mensagem de um líder partidário, pois não confio em nenhum deles e penso que esta conversa tem sempre água no bico.

Porém, numa fase em que o desgaste é elevado e o espírito precisa de ser alimentado, julgo que faz sentido incentivar a alma docente.

O reconhecimento do nosso trabalho deve ficar registado, venha ele de onde vier, pois é importante que a sociedade reconheça o nosso esforço e permita melhorar a nossa imagem tão associada a lutas pelos direitos laborais. Mas verdade seja dita, o reconhecimento deve também ser extensível aos pais e até ao Ministério da Educação e suas estruturas. Todos estamos a trabalhar para atenuar da forma possível este ensino imperfeito.

Se sabe bem? Claro que sabe bem!

Obrigado pelo apoio.


Obrigada, Professores

Estamos na segunda semana de um terceiro período atípico. Os edifícios das escolas estão fechados, mas as escolas não estão. Em Portugal há dois milhões de alunos que, em casa, continuam a sua aprendizagem.

A Escola Pública mostrou a sua força e capacidade. Demorou apenas três dias a organizar-se para garantir aprendizagem à distância nos últimos dias do segundo período. E em menos de um mês arrancou para o terceiro período num novo modelo. É, sem sombra de dúvida, um feito extraordinário, que foi possível graças aos professores. Recriaram métodos, aprenderam a usar novas plataformas, contactaram famílias, trabalharam incansavelmente e estão hoje confrontados com mais tarefas do que nunca, no ensino mas também burocráticas. Em tantos casos, mesmo tendo filhos pequenos e podendo optar por licença para os acompanhar, mantiveram-se a trabalhar para que nenhum aluno fique para trás. Obrigada, professores.

É um trabalho exigente para toda a comunidade educativa; professores, pessoal não docente, famílias e, claro, para os próprios alunos. E mesmo para a RTP. É uma nova experiência para todos, com problemas complicados por resolver e que deve ser acompanhada, debatida, corrigida. E aliviada.

Não é possível reproduzir à distância o horário letivo e modelo de aulas da escola presencial. Não só porque ainda nem todos os alunos têm computador e ligação à internet, mas também porque ensinar e aprender à distância obriga a novos modelos. Infelizmente, alguns agrupamentos e diretores têm insistido nesse modelo. E deixam professores, alunos e famílias à beira de um ataque de nervos. Noutros casos, face às enormes dificuldades, falha o acompanhamento e cresce o risco de abandono.

É tempo de simplificar, articular, permitir tempo para o contacto individualizado, ter a flexibilidade que respeita as várias relações de aprendizagem. O ensino à distância nunca dará tudo o que dá a escola presencial; aprendemos também porque nos encontramos. Mas não podemos prescindir de uma escola que também o saiba ser à distância, quando necessário. Vale a pena por isso agradecer todo o trabalho feito, mas também corrigi-lo para o tornar sustentável. Deixo uma sugestão: ouvir professores e alunos.

Catarina Martins

Fonte: Esquerda.net

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