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Um Dia Real Na Vida De Uma Professora Em “Teletrabalho”

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O dia a dia de uma professora em “teletrabalho” (para dar razão àqueles que dizem que não fazemos nada)

6:15 – toca o despertador. Levanto-me. Vou para a cozinha preparar o almoço e, enquanto coze, visto-me

7:10 – tomo o pequeno almoço enquanto respondo às 15 mensagens de alunos (que recebi durante a noite), tentando esclarecer as dúvidas, por escrito

7:30 – vou acordar o bebé, vesti-lo e dar-lhe o leite

8:00 – saio de casa para levar o pequeno à creche (ainda bem que já abriu, porque estava a enlouquecer)

8:25 – estou de regresso a casa, pronta para começar com as aulas de apoio

8:30 – começam as aulas síncronas. Esclarecer dúvidas, dar matéria, tentar perceber se eles conseguem entender… e, sempre a rezar para que o sinal da internet não me deixe com “voz de robô” ou que consiga projetar o PowerPoint

12:30 – saio do escritório para almoçar

13:20 – volto para o escritório. Está na hora de preparar o plano semanal de trabalho da próxima semana, fazer os PowerPoint’s com o essencial da matéria, escrever a ata da última reunião de departamento ou do conselho pedagógico, corrigir os trabalhos enviados pelos alunos, elaborar os instrumentos de avaliação, … E sempre, a responder a mensagens dos alunos (às vezes chegam a ser 20 por hora)

17:00 – vou buscar o pequeno à creche, dou-lhe as papas do lanche e volto para o escritório para assistir a mais uma reunião ou corrigir mais uns trabalhos

19:00 – finalmente saio do escritório. Vou preparar o jantar, dar banho à criança, dar-lhe a sopa e deitá-la. Ainda antes do jantar, respondo a mais uns e-mails e mensagens

21:00 – janto, arrumo a cozinha e… Esqueci-me de fazer aquele texto que o colega me pediu!!! No fim de semana faço, já que tenho de ir para o escritório escrever os sumários da semana, corrigir os trabalhos da sexta feira e pensar em estratégias diferentes para os alunos que não conseguem acompanhar a matéria…

22:30 – Já não me aguento de pé (mas porquê? Passei o dia sentada!!!). Vou deitar-me e penso: Bolas, mais um dia em que mal vi o piolho, não fiz uma caminhada e não me ri… Amanhã será diferente!

PS: este texto foi escrito enquanto o PC reiniciava, após ter bloqueado já no final da aula (graças a Deus)

Ana Francisco

7 COMMENTS

  1. Não vou fazer muitos comentários, mas penso que alguma coisa aqui está mal.
    Não quero ser desagradável, também sou professor e também estou a trabalhar.
    Parece-me que muitos professores pensam que são muito bons ou que estão a trabalhar muito se estiverem o máximo de horas no computador com os alunos ou se disserem que lhes enviaram muitos trabalhos/exercícios/tarefas/powerpoints, etc. Que estão a qualquer hora a receber algo (inclusivamente a horas que não passam pela cabeça de ninguém “normal”).
    É claro que o ensino que temos de fazer agora não tem que ser nada disto (penso eu).

    • Também me parece bastante exagerado… “escrever a ata da última reunião de departamento ou do conselho pedagógico…”?, há dessas reuniões todos os dias?, nem todas as semanas, de certeza. Além disso, se faz a ata do conselho pedagógico (provavelmente é coordenadora de departamento), não me parece lógico que também faça a da reunião de departamento, que preside…
      Os alunos enviam assim tantas mensagens?, e de noite, que maravilha de alunos, nem dormem a pensar no que não perceberam e a enviar as tais mensagens, uau!, que alunos aplicados!
      Enfim, há gente que se acha melhor que todos os outros…

      • Se o ritmo de trabalho de alguns professores é tão afrouxado que consideram o relato de outros professores exagerado, ao ponto de se colocar em posição de ironizar com o sacrifício dos outros, isso só reflete a desigualdade na distribuição de tarefas, desigualdade que é proporcional à desigual cobertura que as estruturas oferecem aos professores, cobertura que é habitualmente recíproca. Situação que alimenta o funcionalismo docente e anemiza o nosso porte enquanto referências para os ideais e para os valores.

    • Um professor deveria saber que há muitas formas diferentes de ser professor. Aquilo que é válido para uma disciplina não é válido para outra; aquilo que é válido nesta escola não é válido noutra. Basta termos formações diferentes: sermos oriundos de diferentes universidades ou de ciclos de formação diferentes e/ou termos tido formação com professores diferentes nos nossos cursos superiores para sermos professores diferentes. Já sem falar no público-alvo que, por pertencer a ciclos diferentes, regiões diferentes ou status sócio-económicos diferentes, também condiciona a diferença entre professores. Por isso, não atiremos pedras ao telhado do vizinho. Aquilo que um professor precisa de fazer para realizar o seu trabalho não é o mesmo que outro. É por isso, que “classe docente” não passa de uma abstração. A Torre de Babel que é a nossa realidade explica por que razão não nos entendemos e não nos entendem, e explica, em parte, a razão pela qual se atrevem a ser indiferentes perante quem transporta nas suas mãos o testemunho, tesouro das civilizações, de geração em geração.

    • Quer candidatar-se à auto-comiseração? talvez se tivesse peito para calçar os sapatos dos outros, deixasse de se apresentar como batata.

  2. Vou dizer à pressa o que realmente sinto, porque estou a fazer uma ficha de recuperação de Módulo:
    Esta classe está cheia de gente com quem não me identifico. Gente tão excelente que não precisa de fazer grande esforço para trabalhar à distância. São os maiores; os que podem falar de cima da burra.
    Para a autora do texto, eu envio a minha total solidariedade.
    Tenho bastante mais idade do que a colega e passo as manhãs, as tardes e as noites sentada ao computador.
    Aos 61 anos ainda não consegui atingir a “sabedoria” dos colegas que a criticam.
    Sabe, eu sempre vivi fora de grupinhos; alheia a cumplicidades que fazem muita gente armar-se em valente só porque anda sempre com “as costas quentes”.
    Eu também trabalho mesmo a sério, não sou fanfarrona e até deprimo com esses colegas que sabem sempre fazer o que dá jeito para viver bem, quer dizer, trabalhar pouco. Os colegas que recebem os louros; os melhores horários, etc.
    Um abraço colega

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