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Um começo de ano letivo pouco esclarecido.

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Neste arranque do ano letivo 2020/21 há muitas zonas cinzentas por falta de definição da tutela ou definição tardia: como lidar com o covid, o reforço de professores e a preparação para um possível regresso ao ensino à distância em melhores condições.

Quanto ao covid as incertezas são tantas que pela primeira vez houve uma conferência de imprensa de encarregados de educação, um sindicato e uma representação de diretores a alertar o ministério para o que falta fazer para criar confiança. A Fenprof que já foi acusada de alarmista apresentou um discurso duro. A primeira questão é se vai haver medição da temperatura à entrada porque só saiu legislação para o privado, a segunda é se vai haver rastreio preventivo e em que circunstâncias e como ligar com a eclosão de casos, como vai funcionar a educação física e o desporto escolar (saíram ontem as orientações, já com este texto escrito). Tudo isto porque os critérios exigidos para outros setores são transformados num se possível, sem desdobramento de turmas e reforço de professores proporcional. Até o PR Marcelo já veio pedir, esta semana, maior clarificação das condições de funcionamento das escolas.

Quanto aos professores, o que se vai passar com os de risco, ficam na escola, em casa em teletrabalho ou têm de meter atestado, sofrendo cortes salariais. Só esta questão pode desorganizar as escolas com o corpo docente mais envelhecido e destruir todo o trabalho de planeamento já feito. Falar de reforço de professores em 2500 poderá ser um malabarismo, porque se espera que 1500 vão para a reforma (dados do Arlindo), pelo que só poderá haver um reforço de 1000, que deverá dar 1 por escola com boa vontade. Este reforço só será efetivo se os professores reformados forem substituídos, como nada ficou claro estamos perante mais uma zona cinzenta por falta de clareza. É nestas ambiguidades que se joga para mostrar serviço. Não quero deixar de assinalar que a colocação de professores a meio de agosto foi uma atitude positiva e veio provar a sua exequibilidade, como vinha sendo reivindicado.

Por fim, referir o plano digital para as escolas, que deixou de estar em primeiro plano, mas que pode tornar-se relevante se houver necessidade de um ensino à distância. Os problemas detetados foram dois, a falta de acesso por parte de algumas famílias, que o plano de digital para as escolas pode ajudar a resolver, mas de que de concreto nada se sabe e a necessidade de resolver os problemas relacionados com o direito à imagem, para que os alunos tenham a sua imagem disponível durante as aulas, nomeadamente prevenindo que não estejam a ter aulas em cafés e a mostrar a aula a não estudantes, ou a responder à chamada e abandonar a sessão síncrona, o que pode tornar o ensino à distância numa palhaçada.

Concluindo, a duas semanas da abertura do ano letivo há muitas zonas cinzentas que o podem comprometer, o que mostra falta de planeamento desta equipa na educação.

Rui Ferreira

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