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Um braço de ferro entre mim e a minha filha, quem ganhou? Ganhou ela…

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2ª feira, 19:00 horas, após mais um dia de lufa lufa com um tempo chato à mistura, a miúda entra na cuba e mergulha para mais uma aula de natação. Lá vai ela toda contente e o pai vai “babando né?”.

Até aqui tudo bem…

FuriaFim de aula, a cena repete-se, a professora manda sair já depois de ter ultrapassado o tempo previsto de 45 minutos. Enquanto os pais preparam as coisas, as crianças aproveitam aqueles momentos de liberdade total para fazer o que as crianças tão bem fazem – palhaçadas.

Só que amanhã é dia de escola e ainda falta secar, mudar de roupa, ir para casa, tomar banho, jantar e preparar tudo para o dia seguinte, por isso “sai lá da água que temos de ir embora”. Chamo uma, duas, três, quatro vezes e nada… Normalmente costuma ser duas ou três vezes, seguida de um “pai, posso ficar mais um bocadinho?” a resposta é negativa e lá vai ela calçar os chinelos e seguimos para o balneário.

Só que desta vez, além de chamar por diversas vezes, ela fingiu que não ouvia, pensei cá para mim “Olha! Esta é nova…”. Como sei que a minha voz é perfeitamente audível, habituado que estou a falar num gimnodesportivo com bolas a bater e 60 miúdos de um lado para o outro, vi logo que a minha querida filha estava a passar o limite do tolerável, enveredando pelo caminho da chique-espertice. Como não tinha resposta calei-me e esperei que ela reagisse. Passado breves momentos, olhou para mim e disse “não estava a ouvir”, quando por acaso até estava calado… Ai os 7 anos os 7 anos…

Seguiu-se mais um diálogo

Eu – Anda embora.

Ela- Pai……

Eu- ANDA EMBORA!!!

Ela- Ó fogo!!!

Eu-…

Ela-…

E continuava na água…

Em silêncio fiz sinal para os chinelos e indiquei-lhe que me ia embora, ela abriu os braços em protesto, mas permaneceu na água, e… fui-me embora.

(Alto lá, não pensem que deixei uma criança indefesa dentro de água, pois até tenho especialização na dita, e a minha filha já está perfeitamente adaptada ao meio aquático e ainda por cima estava na piscina dos pequeninos, com a professora nas proximidades)

Dirigi-me para o cubículo no interior do balneário, sentei-me e esperei por ela, passado alguns momentos lá apareceu.

Espreitou com a cabeça, manifestando a dúvida se realmente me tinha ido embora… Olhou para mim… Qu olhei para ela e disse-lhe:

“Olha lá, mas tu estás a brincar comigo ou quê???”, “ Mas eu por acaso tenho de estar à tua espera desde quando???”

Não houve resposta…

Naquele momento, lembrei-me de uma série de acontecimentos recentes que têm vindo a ser desagradáveis e gradativos, provando que a criança está a crescer em altura, mas também em “personalidade”. Desde as respostas “blá, blá, blá…” quando é chamada a atenção, passando pela demora em fazer o que lhe é pedido, em alterar de forma significativa o comportamento quando está perante os amigos desafiando os pais, terminando num reforçar das “indicações” que a minha cara metade me dá quando eu tenho lapsos mentais. A minha filha é uma querida (sem ironias aqui), mas anda a esticar-se…

Olhares, chamadas de atenção, conversas, tudo tem sido feito, mas naquele momento tinha que fazer algo diferente, algo que só fiz 2 vezes em 7 anos. Pedi-lhe a mão, ela recusou, agarrei-lhe a mão e joguei à “sardinha” sem ela ter permitido.

(Pára tudo novamente… Desmistifiquemos a intensidade do jogo não autorizado da “sardinha”, a velocidade com que “joguei” foi claramente inferior aos “chocas” que costumamos ter. Que não fiquem dúvidas aos puritanos…)

Ato contínuo…

Eu – “Chega! Assim não! Não me mentes! Não me enganas e não me fazes de parvo! Quanto eu te digo uma coisa tu fazes e ponto final!”

Ela- …

E mais não disse.

Decorreu o silêncio enquanto ela chorava e lhe vestia a roupa.

Chegámos a casa, o banho foi dado, pairava no ar um silêncio incómodo, de um lado uma filha magoada do outro um pai desapontado e triste.

Enquanto a secava, disse-lhe…

“Eu adoro-te filha, és a pessoa mais importante para mim, mas estou triste contigo, tentaste-me enganar e isso não se faz. Ultimamente não andas a reparar que o pai anda mais zangado contigo?”

(silêncio)

“Vou apoiar-te sempre, vou defender-te sempre, vou estar sempre contigo, mas quando fazes mal o papá vai dizer não, basta, estás a fazer mal! E ultimamente andas a responder torto e a fazeres coisas que não deves, assim não gosto, assim não tenho orgulho em ti…”

(começa a chorar)

O seu choro é o suficiente para eu perceber que lhe toquei e que está arrependida, não precisa de dizer mais nada…

Passam mais uns momentos e surge o conforto com a dose certa de mimo, mudo o assunto, brinco com ela e pronto, vamos jantar.

4ª feira, dia de piscina, foi a mãe que a levou, a mãe avisa que não vai querer fitas… Chega a casa, vai ter comigo e a primeira coisa que diz é “Papá, hoje não fiz fitas”

Leva uma beijoca e um “choca aí miúda”.

Agora imaginem que não tinha dito nada, que não reagia, que ficava ali até ela decidir quando é que saia. Seria mais um passo na rebeldia própria de quem está a crescer, seria fortalecer atitudes incorretas, atos de indisciplina que mais tarde ramificam e pagam-se muito caro. Estive presente, bati o pé, disse NÃO! Eduquei-a, custou-me, claro, quem é que gosta de ver um filho chorar? Mas teve de ser, mas tem de ser… Neste braço de ferro entre o “chato” e a “fúria de viver”, podemos dizer que eu sai vencedor, mas na realidade quem realmente venceu, não fui eu, foi ela…

Venha a próxima 😉

Se gostaram, podem também ler aqui quando a “piquena” disse o seu primeiro palavrão, e acolá quando lhe congelaram os patins…

2 COMMENTS

  1. O meu próximo texto no “Comregras” será sobre a evolução da disciplina no ensino primário, agora chamado 1ºciclo.
    Posso adiantar que castigos corporais e psicológicos eram habituais antes do 25 de abril, (tempo em que não trabalhei, mas fui aluno e observador de salas de aula por motivos familiares) embora houvesse professores que prescindiam deles. Na minha estreia fui substituir uma professora do 4ºano já idosa que perdeu as rédeas da turma. A transição para um a liberdade e o perigo de reprimir como antigamente tornaram a missão dos professores do 1ºciclo muito difícil. Os chamados castigos maternais (suaves) ainda eram admitidos, mas em algumas zonas do país mais a sul a escola primária muito politizada pelo anterior regime foi alvo de contestação severa,que levou de se passar do 8 ao 80.

  2. De facto a necessidade de pasar comportamentos de Pais a Filhos, é muito, muto necessaria.

    E os Pais ou nao sabem, ou nao querem ou nao estao para isso….

    Ver em locais públicos meninos e meninas aos guichos e nada incomodar os Paiazinhos é usso e costume…

    E para os amansar/domar “bota-se” um ipad, tablet ou iguial na mão e feito….bons paizimnhoss…

    E ……

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