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Um aluno de Topo é um aluno NEE social e físico?

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Um excelente aluno é como um atleta de alta competição, vive para o treino, vive para competição, adapta toda a sua vida a algo que o preenche, que o completa, algo que se tornou um vício e que faz parte do seu ADN.

Um aluno de topo, conforme se pode ler na capa do JN de hoje, gasta cerca de 15 horas semanais além do horário escolar para atingir os seus objetivos. Não se trata apenas de pressão familiar, é preciso gostar efetivamente de estudar de sentir-se reconhecido e respeitado pelos resultados que obtém.

Ainda antes de ler o conteúdo da notícia pensei imediatamente no preço que estes jovens devem pagar para ser assim, 15 horas são muitas horas e é impossível desenvolver outras competências com a mesma dedicação. Não é por isso de estranhar a conclusão dos investigadores da Universidade do Minho.

Estudam 15 horas por semana além do horário escolar, não valorizam outras atividades e revelam pouca criatividade, revela estudo.

As escolas portuguesas premeiam e trabalham para a excelência dos alunos, formando estudantes que “sabem reproduzir fórmulas mas com pouca criatividade e pouco raciocínio“. Esta é a principal conclusão de uma investigação, realizada nos últimos dois anos, em 490 escolas por investigadores da Universidade do Minho. São alunos que vivem para as notas, estudam mais de 15 horas por semana além do horário escolar e 40% têm explicações.

Isto não é nada mais nada menos que especialização precoce, e tal como o nome diz, é precoce, antes de tempo. As crianças e jovens precisam de um desenvolvimento equilibrado em múltiplas competências – cognitivas, sociais e comportamentais. Focar tanto tempo em apenas algumas, irá inevitavelmente atrofiar outras.

Podemos dizer que estes alunos são prodígios, pessoalmente não os vejo assim, considero-os alunos incompletos, com graves necessidades educativas no âmbito da socialização e desenvolvimento físico.

Enquanto pai gostava que a minha filha fosse uma excelente aluna, mas não o ambiciono se o preço a pagar for o preço que consta no estudo. Prefiro mil vezes que seja mediana e que consiga trabalhar em equipa, seja sociável, saudável, física e emocionalmente.

O sucesso escolar é muito importante mas não a qualquer preço, um aluno que além da carga letiva passa tantas horas a estudar e em explicações, é um projeto de cidadão incompleto.

Por isso defendo tanto a prática da atividade física, ela é ideal para compensar o organismo, trabalhando competências e capacidades que vão potenciar ainda mais o desempenho escolar. O aluno ficará equilibrado e um aluno equilibrado é um aluno mais bem preparado.

O jovem até pode ser feliz ou pensar que é feliz, espero sinceramente que o seja, mas apostar as fichas todas apenas numa área do desenvolvimento humano é muito arriscado, demasiado arriscado.

Alexandre Henriques

Fonte: Jornal de Notícias

6 COMMENTS

  1. Há alunos de topo que, de modo algum, são NEE social e físico.
    Serão excepções????
    Conheço alunos que terminaram o 12º ano com médias entre os 18 e os 19 valores, e juntaram a isso ganhar medalhas em competições nacionais desportivas, e não deixaram de ter uma convivência saudável para jovens da sua idade. Exige muita disciplina, muita dedicação, muito suor. Eu conheço uns, mas deve haver muitos outros.
    Fazer uma ligação directa entre “aluno de topo” e “NEE social e físico” é redutor. Muito redutor. É um tipo de determinismo que diz que se queres ser bom aluno tens de ser letra morta para outros aspectos da vida. Injusto, muito injusto.

    • O Estudo apresentado aponta para esse sentido, aponta que os alunos que refere são a exceção. Evidentemente que há alunos de topo que são “normais”, o foco do artigo não são esses, com esses está tudo bem, o problema são os restantes.

  2. Muito bem… Para os vossos filhos façam-nos estudar, e aprender, pouco… Para os meus é o contrário… No final conversámos….
    Este estudo cai que nem ginjas para uma certa frente, que aposta tudo no baixar da exigência e na criação de uma escola para pobrezinhos…. Os rebentos de uma boa parte destes visionários? Ah esses frequentam colégios privados…
    Mas não podemos ser todos ”Einsteins” como a nossa abençoada descendência! Não é?

  3. Segundo o estudo realizado é preocupante que existam crianças e jovens que vivam focados no “estudo” sem outros interesses, sem dúvida importantíssimos. Não sou apologista de alunos topo, claro que os há e ainda bem que assim é, mas que conseguem simultaneamente dirigir os seus interesses para os mais variados campos. Qualquer jovem, e também qualquer adulto, deve dirigir o seu estudo/atividade profissional no sentido de ser o melhor possível, não só como aluno mas também como ser humano. Não esquecer, além da importância do referido desporto, de estudos, atividades e práticas que “libertem” o cérebro no sentido de alargar o pensamento crítico, a formulação de ideias e o diálogo construtivo e educativo e que tantas vezes são considerados como ocupação de tempos livres. O conhecimento de cinema, teatro e literatura, a visita e exploração de obras de museu, a intervenção em contexto artístico, seja nas artes visuais, na música …
    Não podemos esquecer que formamos pessoas … não formatamos!

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