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Tutoria. Como e porquê?

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Maria“Em causa não está a disponibilização de explicações adicionais, mas a garantia de que existe um “adulto de referência”, que acompanha o aluno, e que “às vezes não existe nas famílias”, acrescentou o secretário de Estado da Educação, João Costa” in http://expresso.sapo.pt/sociedade/2016-05-19

Para o próximo ano letivo o Ministério da Educação decretou como medida de apoio adicional para alunos que acumulem dois ou mais chumbos a atribuição de um professor-tutor, que os acompanhará e que dará orientações em matérias como o apoio ao estudo, gestão de problemas relacionados com a escola, com a turma ou familiares

A medida, com a qual concordo profundamente, tenta responder a uma lacuna existente na escola que não se esgota apenas na transição ou não transição de alunos para o ano seguinte, mas no redefinir do foco que não deverá ser o “chumbar” ou “passar”, mas sim, o que fazer para tentar ultrapassar as dificuldades sentidas.

A imagem de tutor é fundamental no processo educativo do aluno e assume-se como uma enorme responsabilidade. Durante o pré-escolar e 1º ciclo os alunos estão habituados a ter uma figura de referência – o seu educador e professor que, normalmente, acompanha os primeiros anos do percurso de vida das crianças. Neste processo é comum os alunos usarem o seu professor como modelo pessoal e social e a qualidade da relação estabelecida é, inevitavelmente, o barómetro do sucesso para ambos.

Na entrada para o 2º ciclo existe uma fase de adaptação às diferentes disciplinas e intervenientes educativos. De repente é pedido aos alunos que passem pela experiência de conhecer ao mesmo tempo vários professores, medir limites, reconhecer o perfil de quem está á sua frente nos avanços e recuos da confiança. Ao longo deste processo muitos alunos, por várias razões, necessitam de um acompanhamento específico e de um adulto de referência que facilite uma nova forma de comunicação para conduzir o seu percurso educativo, social e muitas vezes pessoal.

Ser tutor não é ser um substituto de um pai ou mãe, mas sim uma figura que ajuda o aluno a modelar atitudes, a limar perspectivas e estabelece uma relação para um compromisso de sucesso. Por estar dotada de tamanha responsabilidade a figura de tutor deverá revelar perspicácia e muito bom senso na sua nomeação. E aqui reside o maior receio nesta medida. A atribuição de tão importante função.

Esta medida não pode ser vista como mais um encargo escolar, mais um “trabalho” atribuído “arbitrariamente”. Desempenhar esta função é o que pode permitir fazer a diferença num sistema educativo ainda muito escravo do currículo. Cumprir esta função é ter nas mãos o poder de realizar, no meu entender, um dos principais objetivos e funções de um professor: Ter a possibilidade de criar um espaço privilegiado para construir uma relação e permitir através do conhecimento mútuo fomentar as áreas fortes e trabalhar as emergentes do aluno.

É importante também a consciência de que um tutor não deve reproduzir o que foi feito no contexto de sala de aula e não resultou. Estamos por vezes demasiado agarrados a instrumentos formais reproduzindo-os vezes sem conta e não nos apercebemos que estamos a perpetuar um modus operandi com resultados, muitas vezes, pouco eficazes. E é nesta perspetiva que a formação é também fundamental. Não para ficar com mais um papel de presença no nosso curriculum, mas para reinventar atitudes e procedimentos, refletindo sobre o realizado e aquilo que se poderá realizar não esquecendo o perfil do aluno para quem direcionamos a nossa atenção, porque é para isso que um professor deve trabalhar.

Maria Joana Almeida

1 COMMENT

  1. Gostei do artigo…cada aluno tem um perfil de aprendizagem, é variável o tempo de ensino/aprendizagem e é necessário saber se tem os pré- requisitos pra aceder à aprendizagem de um determinado conteúdo do programa, é preciso ver a linha de base das suas competências para motivar o aluno e estimular o seu auto conceito, para se ter sucesso como tutor !!!!

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