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Turbilhão de emoções – Margarida Marrucho Mota Amador

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Este tempo de confinamento acumula em todos nós uma carga de emoções gigantesca. Mesmo para aqueles que afirmam lidarem da melhor forma com todas estas alterações de estilo de vida, e até para aqueles que sempre trabalharam em casa, só a palavra confinamento nos presenteia com uma carga emocional sem precedentes. Arriscaria dizer que para todos nós esta é a primeira vez que nos vimos com horários de recolher, impedimentos de circular e até de trabalhar. Para alguns não há imaginação ou criatividade que reinvente outro modo de fazer a vida habitual. As alternativas sejam elas uma ou até mais, não se configuram com o alcance financeiro actual ou com as expectativas pouco fundamentadas de um futuro por viver e pouco previsível.

Assim estamos todos, ou pelo menos a grande maioria. As escolas também. Entre aquilo que conhecemos saber fazer e o que somos capazes enquanto profissionais da educação, fica o gap entre o que sentimos e ousamos pensar sendo absolutamente necessário e o que é prioritário. As injustiças criadas por desigualdades e acessibilidades muito diferentes de norte a sul do país, fazem com que a nossa consciência se vire para aquilo que as nossas emoções nos estão a dizer.

Desde cedo e desde sempre que na escola, integramos as emoções na tomada de decisão, como um contributo para o bem-estar individual e colectivo. Neste momento todos trabalhamos para que a saúde e segurança colectiva seja assegurada e para que possamos continuar a contar com todos na próxima etapa. E com todos queremos construir o equilíbrio necessário ao novo paradigma educativo.

E agora? Neste dia-a-dia em que quase não damos conta se chove ou faz sol, qual é o propósito? O que nos dizem as nossas emoções depois de um dia de aulas, de uma semana atrás da outra? Com tantas assimetrias por este país fora, certamente conseguimos apontar muitos propósitos diferentes, alguns até que nunca pensámos chegar a sentir e verbalizar sobre o que é o nosso papel enquanto professores, quando enveredamos por esta profissão.

A flexibilidade e necessidade de constante mudança e adaptação à realidade de cada família, de cada aluno, evidencia as vulnerabilidades e põe à prova a resiliência. É muito importante parar para reflectir sobre tudo isto e em consciência fazer escolhas e tomar decisões com planos de acção claros, temporizados, ajustáveis, comunicando com transparência e de forma assertiva.

É relevante escutar de forma activa, o que é dito e o que não é dito, e saber ajustar o nosso plano àquilo que, mais do que esperam de nós, efectivamente é necessário e faz a diferença para cada criança, para cada família. E quando aqui chegamos muitas variáveis estão em jogo, desde a equidade, à disponibilidade e ao reflectir sobre que prioridades devem ser estabelecidas. E neste momento vemos cada professor a ser efectivamente líder da sua aula, da sua turma, do seu tempo de aula e pós aula. Vemos o professor mais do que a ser líder a ser mentor. Alguém a quem se escuta, se respeita, se olha com admiração e gratidão, com quem se quer aprender, que faz a diferença. Alguém que mais do que gerir necessidades, clarifica necessidades, motiva e faz evoluir, mesmo no meio da incerteza e imprevisibilidade.

Quantos professores-mentores não estão a ser precisos neste momento difícil que vivemos?

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