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Tudo se discute “em cima da mesa” e de raspão

nextEstamos num tempo em que qualquer assunto ou problema que tenha que ser analisado ou banalizado, diz-se que “está em cima da mesa”, e fica-se com a impressão que conforme o lado que “O” atira para cima da mesa e “o “que não gosta, empurra-se para “fora de cima da mesa”, e coloca-se – “mete-se” como hoje se diz – outro “em cima da mesa”.

E temos uma catadupa de assuntos que deveriam ser tratados com muito cuidado e atenção, e terem início, meio e fim, que vão para “cima da mesa”, são notícia igual, igual em todo o lado durante um dia, máximo uma semana, e caem da mesa, sem serem resolvidos nem se quer encaminhados para o serem.

Podem aparecer umas comissões – também está na moda – que reúnem umas vezitas, e depois acabam sem darem fruto. Tudo fica por resolver.

E, para além de nada ser resolvido, são motivos de mais fricções, de mais crispações, mais mal-estar, e nada mais que isto resulta das suas passagens” por cima da mesa”.

Para além de haver entendidos em tudo e em nada, com grandes programas em todas as televisões e não só, e comentadores de comentadores, tudo se esvanece, como começou, deixando mais desilusão.

E se quisermos “pensar” – algo em desuso nestes temos – em “alguns” temas que comparecem em “cima da mesa “ e desta caem sem resolução, vejamos a eutanásia, as praxes, os exames escolares, 180 ou 230 deputados, regulação bancária, fusão das polícias, os presos políticos em Angola, refugiadas ou terroristas, acordo ortográfico.

Tudo temas importantíssimos, e em vez de “acabarem unicamente em cima da mesa”, deveriam ser tratados e trabalhados para se alcançar uma resolução. Mas não, seguem-se uns aos outros sem qualquer interligação, sem qualquer vontade de resolução, unicamente para distrair e para “haver agenda”, haver notícias, haver comendadores, e mais grave, não deixar pensar.

E talvez o próximo tema a “ir para cima da mesa” devesse ter que ser, mas nunca será, se queremos de facto tratar de algum ”tema” com princípio, meio e fim, sem interrupções e outras distracções. Seja onde possa ter que ser, colocado em ”cima da mesa”, ou não. E sabermos querer pensar. Ou ficaremos sempre a contornar tudo, sem nada
resolver, nada!

Augusto Küttner de Magalhães

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