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Treinadores De Bancada Também Os Há Na Educação

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A Educação é sem duvida uma área sobre a qual, todos se julgam capazes de opinar. Verdadeiros treinadores de bancada vociferam do alto da sua sapiência Intervenções desfasadas da realidade, emitidas por pseudo pedagogos que vomitam discursos completamente inúteis.

É verdadeiramente constrangedor ouvir da boca de criaturas, que se julgam autoridades na matéria e que não resistem à tentação de aferir e argumentar sobre educação, Escola publica ou carreira docente, verdadeiras alarvidades, o que me leva a questionar o que os impulsionará a divagar sobre algo que não conhecem e não dominam, imbuídos que estão, de uma certeza irredutível de que, vomitando meia dúzia de imbecilidades ao sabor das suas convicções, ficarão bem na fotografia!

Estou a pensar por exemplo num Miguel Sousa Tavares ou num José Manuel Diogo, entre tantos outros…

A par destes retóricos do disparate apenas porque sim, deparamo-nos com um outro universo de entendidos na matéria. Os fazedores de estudos, programas e projetos sobre Educação, sendo que estes últimos, apresentam uma maior perigosidade, pois ingerem verdadeiramente nas políticas educativas.

Os professores, as escolas e os alunos funcionam como meras cobaias de inúmeros projetos educativos que a todo o tempo invadem o sistema educativo sem que se tenham consolidado projetos anteriores ou sequer aferido sobre a sua exequibilidade perante resultados impossíveis de monitorizar tal a sua brevidade experiencial.

Tal inconstância indicia que o nosso sistema educativo está a falhar estrondosamente perante tamanha produção de mudanças, que por si só, são um claro sinal de ignorância, destruindo toda a estabilidade, desperdiçando completamente o valor das aprendizagens já realizadas, despejando para a escola tudo o que lhes parece sinónimo de sucesso estatístico…

A terminar o ano letivo os professores debatem-se com temas extremamente relevantes e pertinentes e que incluem por exemplo a extinção dos exames ou a autonomia e flexibilidade curricular.

Os exames nacionais de facto, valorizam primordialmente a memorização e nesse sentido, estão desfasados das orientações estratégicas, que apontam, para além da aquisição de conhecimento, um aprofundamento nas escolas da aprendizagem de competências, tais como o pensamento crítico ou a resolução de problemas complexos.

Algo na concepção dos exames nacionais parece estar a falhar. Como compreender que, sucessivamente, haja resultados negativos nas mesmas disciplinas nos exames nacionais como se, todos os anos, o sistema educativo falhasse?

Como entender que a evolução das classificações dos exames nacionais esteja tão desligada das avaliações internacionais, que apontam para melhorias sustentadas dos alunos portugueses nos últimos 10 anos – o que não aparece nos exames nacionais?

A relação dos exames nacionais com o acesso ao ensino superior está a ter efeitos perversos no sistema educativo, ao orientar todo o ensino para o exame, pois são os resultados no exame que definem o sucesso, logo, perante programas extensíssimos e tão curto tempo útil de aula, estas são inegavelmente direcionadas a preparar os alunos para aqueles, o que aniquila não raras vezes, qualquer tentativa de inovação pedagógica que extravase os parâmetros calculados milimetricamente para a prossecução do resultado escolar e desempenho do aluno, naquele que será, o seu passaporte para o ensino superior.

Irrefutável é a necessidade de um debate sério sobre a avaliação externa dos alunos, no entanto interromper de forma abrupta uma série estatística de mais de uma década de avaliação (por prova de aferição ou exame) e impossibilitando assim a futura comparação dos resultados escolares actuais com os do passado, sem o hiato temporal necessário a uma responsável análise e estudo, parece-me uma vez mais, resultado da imensa capacidade para o disparate dos fazedores das orientações estratégicas avulsas.

Outro dos temas que surgem nas análises dos Professores refere à Flexibilização escolar, cujo projeto foi criado para ajudar os alunos a aprender melhor, segundo Ariana Cosme e Rui Trindade, dois dos sete consultores com funções de assessoria do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular.

Ariana Cosme refere que “A autonomia e flexibilidade curricular (AFC) é a possibilidade que a escola tem de gerir até 25% do currículo. É uma oportunidade de mobilização de novas metodologias, alicerçadas no trabalho colaborativo, de modo a alcançar-se o sucesso de todas as crianças e alunos. Os professores são induzidos a reinventar estratégias para que os alunos consigam desenvolver as competências necessárias à ingressão no mercado de trabalho, de forma a que os seus alunos sejam cidadãos produtivos na sociedade.”

Em relação aos docentes, refere ainda que “ O grande desafio é pensar a ação docente. Acho que os professores dão como garantido que o seu trabalho e a sua relação com os alunos fazem aprender. O desafio agora é perceber até que ponto a sua relação com a aula e com os alunos não os impede de aprender. Os professores dizem, generalizadamente, que os seus alunos não aprendem nada. Mas não conseguem perceber até que ponto são eles que estão a impedir de aprender, pelo tipo de aula que desenham, pelo tipo de comunicação que utilizam, pelo tipo de coisas que andam a pedir.”

Novamente, estamos perante alguém, que não conhece a realidade do ensino português. Falar de questões impactantes para a docência e a escola pública passa necessariamente por uma reflexão séria sobre os desafios e possibilidades da sala de aula, entre outros desafios, o que implica uma mudança estrutural e não apenas uns quantos estudos estanques daquilo que seria “ diferente e simpático implementar”. 

Continuamos a tratar a Educação com total falta de respeito pela classe docente e pelos alunos.

Os professores têm de ajudar os melhores, apoiar os mais fracos, garantir que estão preparados, prepará-los para o mundo, discutir questões éticas, trabalhar a sua inteligência emocional, fomentar o trabalho em equipa, a resolução de problemas, desenvolver o seu empreendedorismo, formando jovens críticos e aptos a iniciar o seu percurso profissional e a convivência em sociedade, num mercado cada vez mais voraz e competitivo.

O Professor depara-se com uma realidade em que cada aluno é único e apresenta competências e dificuldades específicas, obrigando a um constante ajustamento das intervenções pedagógicas.

Turmas enormes, indisciplina, burocracia exageradamente implementada originam a impossibilidade de articulação com as diferentes disciplinas ou áreas, de forma a possibilitar a dita flexibilidade curricular.

Enquanto insistirem em usar os professores e a escola como meras cobaias, enquanto insistirem em olhar para os professores como meros fazedores, sem opinião, tratando-os como lacaios, enquanto a política educativa se resumir a brincar às escolinhas, a Escola Publica continuará a sua queda eminente rumo à destruição de um dos pilares da democracia.

Florbela Mascarenhas

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1 COMENTÁRIO

  1. Concordo.
    Estes treinadores de bancada, a srª Cosme e afins, deveriam ir à escola e estar na escola (não é só de visita) uma temporada (um ano letivo, por exemplo) e demonstrar “como se faz”.Aí, sim, gostaria de ver essas belas teorias postas em prática. Já que tanto sabem, por que não demonstram?

    Balelas. Muita parra e pouca uva, é o que é.

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