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Traumas do 1º dia?!

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The problem we all live with Quadro de norman-rockwell sobre o caso de Ruby Bridges
The problem we all live with Quadro de Norman Rockwell sobre o caso de Ruby Bridges

Hoje recomeçaram as aulas. Noutros países, o ambiente festivo é ainda mais forte.

Em alguns países de Leste da Europa, o dia em que as aulas recomeçam (em vários deles, 1 de Setembro) é quase um feriado, a que chamam,  o “dia do conhecimento” ou título parecido.

Na Ucrânia e em certas zonas da Polónia, por exemplo, é tradição oferecer ramos de flores aos professores como homenagem.

Por cá, uma das coisas que observo nos novos recomeços de ano é  cada vez mais estresse mal colocado e preocupação super-protetora descarregada sobre os miúdos, que subverte o tempo para se fazer a  aprendizagem em autonomia.

E muito medo do trauma que, na verdade, é só medo da mudança, que devia ser natural, e não temida, ao educar.

Nas reportagens da hora de almoço, apareciam miúdos relaxados, mesmo os mais pequenos, entusiasmados, mas naturais, e pais em estresse, com ar assustado, talvez nem se lembrando que também foram para o 1º e para o 5º anos. Talvez tenha custado, mas sobreviveram e  não veio daí mal maior ao mundo.

As escolas são um ambiente protegido para as crianças, mas há quem desconfie, e só veja traumas a espreitar, e não aceite que, é no erro e na tentativa, que se fazem aprendizagens mais sólidas e que, adaptar-se, não é um processo automático (e é mesmo isso, adaptativo).

Quando vejo a preocupação de alguns pais, e os vejo tão mais nervosos que os filhos no 1º dia de aulas, e alguns dos seus pungentes discursos televisivos, pergunto-me como seria, para esses pais que a televisão mostra, se tivessem inícios de ano tão traumáticos como há por esse mundo fora.

Ruby Bridges no caminho da escola escoltada por US Marshals
Ruby Bridges no caminho da escola, escoltada por US Marshals

Em que realmente há problemas – problemas. E nem falo dos problemas verdadeiros de alguns pais de cá (que os calam, por vergonha, como a falta de emprego, dinheiro, roupa ou de comida e que a televisão de lentes médio-burguesas parece nem querer mostrar).

Por isso, para contrastar, aqui fica a ligação para a reportagem do The Guardian sobre o início do ano escolar na Síria, na semana passada (problemas a sério).

Ou, porque sou da História, a lembrança de um ano escolar nos 60 nos EUA, em que uma menina teve de ir escoltada por Polícias para a escola porque, por ser negra, não a aceitavam na escola em que se inscreveu. Em nome da ideia, hoje tão falada da “liberdade de escolha de escola”, que não era para ela, porque era a liberdade dos outros de não a terem na sua escola e segregarem. (História comprida, que ainda por aqui há-de voltar)

Chama-se Ruby Bridges e no ano de 2014 foi recebida pelo Presidente Americano para lembrar esse feito (foi a primeira criança negra a inscrever-se nas escolas segregadas, só para brancos, que existiam no estado da Luisiana).

Os pais disseram-lhe que não íam com ela e que era para se portar bem.

Para inspirar pela positiva o início do ano escolar, vale a pena ouvir o seu testemunho sobre esse primeiro dia de aulas em que segurança, para uma criança só, foram polícias armados.

A fotografia desse dia é uma das imagens mais famosas do século XX e um quadro de Norman Rockwell (imagem no início do texto) eternizou-a com simbolismo. E lançarem-lhe tomates não foi liberdade artística….

O primeiro dia de aulas é uma coisa traumática ?!….. nãaaa!!!


Pode saber mais sobre Norman Rockwell

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