Home Escola “Transformers”…

“Transformers”…

68
0

bom_mauNão pode ser professor, o meu filho não faz isso em casa…

Já ouviram esta expressão? Eu já. É o cargo dos trabalhos provar a um encarregado de educação que o seu filho, o seu bem mais precioso e que em casa é muito bem comportado, na escola é um pequeno demónio… Corremos o sério risco de passarmos por “tolinhos” e sermos os maus da fita.

Seguem as estratégias da Dra. Paula Marques para quando isto acontece.

O COMPORTAMENTO DO SEU FILHO NA ESCOLA É SEMELHANTE AO QUE TEM EM CASA?

O período de permanência das crianças na escola é muito significativo quando comparado com o tempo que passam em casa. O tempo que estão com colegas e com professores é frequentemente maior do que o tempo que estão com os pais.

Com o caminhar para a entrada na adolescência, em que o grupo de pares tem uma influência muito preponderante na auto-estima e nos comportamentos adotados, esta ligação estreita família-escola assume uma importância ainda maior.

O indivíduo é capaz de adaptar o seu comportamento às circunstâncias sem que isso se torne problemático. Pelo contrário, é uma flexibilidade reveladora de inteligência emocional ao agirmos em determinado contexto ou com determinada pessoa de forma diferente de noutro contexto ou com outra pessoa.

Esta plasticidade comportamental tem inerente a capacidade de tomada de perspetiva do outro e contribui, aliás, para o sucesso nas relações sociais.

Contudo, em conversa com o Diretor de Turma, muitos pais ficam surpreendidos com os relatos comportamentais que são feitos dos seus filhos por revelarem comportamentos muito diferentes dos que têm em casa, seja porque revelam comportamentos de agressividade não expressos em família, seja porque são demasiado passivos face a situações ameaçadoras de colegas quando, em casa, se revelam até muito afirmativos.

Ora, nestes casos, não estamos só a falar de uma adaptação inteligente às circunstâncias do meio mas a mudanças de comportamento que revelam dificuldades de gestão das emoções.

No primeiro caso, por excessivas necessidades de domínio e exercício de autoridade sobre o outro e, no segundo, por receio na adoção de comportamentos de afirmação das suas necessidades por medo ou em prol da pertença ao grupo. Em ambos os casos, o comportamento adotado representa uma estratégia, embora desadequada, de proteção da auto-estima.

Perante a identificação deste tipo de situações, em que a informação obtida a partir do contexto escolar é fundamental, importa desenvolver competências na criança que a ajudem a agir de forma psicologicamente equilibrada.

Família e escola devem delinear estratégias que ajudem a criança a ser capaz de gerir as suas emoções e o seu comportamento, caminhando no mesmo sentido.

Assim, procure:

Estar atento a mudanças de comportamento do seu filho

Tais como um excessivo isolamento, choro regular, decréscimo nos resultados escolares, perda de interesse pela escola ou mesmo recusa escolar, objetos que aparecem estragados ou que são, estranhamente, dados como perdidos e objetos que o seu filho tem e que não foram dados pelos pais.

Estabelecer contacto regular com o diretor de turma
Seja presencialmente ou por outro meio, como telefone ou email, evitando estar muito tempo sem ter informações da escola.

Estar atento aos recados escritos na caderneta do aluno
E valorizar as preocupações mencionadas nesses recados. Mesmo que não concorde com o que é descrito não desvalorize a situação junto do seu filho. Procure sim esclarecer a situação com os professores.

Partilhar com o diretor de turma as suas preocupações
E alterações na dinâmica familiar, para que família e escola prossigam em prol do bem-estar do seu filho.

Estar próximo de outros adultos que contactam com o seu filho noutros contextos
Por exemplo, nas atividades extra-escolares, de forma a perceber se identificam as mesmas reações que são identificadas na escola.

Investir numa relação de proximidade com o seu filho
Promovendo espaços para a verbalização das suas dificuldades num contexto ausente de crítica mas pautado pela partilha, reflexão, afeto e responsabilização. Não se esqueça de que a relação que ele estabelece com os pais representa um modelo para a forma de relacionamento com os outros.

Leva a cabo as estratégias sugeridas e os problemas de comportamento do seu filho mantêm-se? O contexto escolar continua a mencionar os mesmos problemas? Neste caso não hesite na procura da ajuda especializada. Um psicólogo irá identificar as causas das dificuldades e desenhar uma intervenção que conduza a um desenvolvimento psicoemocional equilibrado do seu filho.

Fonte: http://www.portoeditora.pt/

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here