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Trabalho De Equipa: Conhecimento, Organização E Confiança

O aluno deve ser educado de que está na escola para atingir objetivos pessoais e de grupo e que o facto de os cumprir jamais é uma exigência da escola, mas sim um dever, que podemos dizer cívico.

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A escola tal como a família pode ser considerada uma empresa onde cada um com as suas características contribui para o funcionamento da mesma. Assim é com os docentes, e alunos e toda a restante equipa que faz a escola funcionar. É a equipa em conjunto remando para o mesmo lado que contribui para o sucesso escolar. Este trabalho ou dever de equipa é válido para o desporto, para as amizades e sociedade em geral.

Ao educarmos os mais jovens para o futuro que se avizinha, e que jamais é distante, é já ali, devemos prepará-los para este trabalho em equipa, numa sociedade que requer que todos os elementos cumpram com os seus deveres e usufruam dos seus direitos para que a máquina continue a funcionar e produzir. Como começar? Educar para a divisão de tarefas e interiorização do papel que cada aluno tem na turma e na escola em geral.

As avaliações a cada disciplina continuarão a ser uma mais valia para diferenciar os alunos que darão o seu melhor para atingir os seus objetivos, jamais os da escola. O aluno deve ser educado de que está na escola para atingir objetivos pessoais e de grupo e que o facto de os cumprir jamais é uma exigência da escola, mas sim um dever, que podemos dizer cívico. No entanto, incutir nos alunos o trabalho em equipa, com os chamados trabalhos de grupo também é essencial pois sendo desafiante lidar com mentes tão diferentes umas das outras, leva a que tenha que haver uma organização interna do grupo, e que nunca deve ser o adulto a fazer – mais depressa ou mais devagar o grupo chegará à sua organização e método de trabalho. Este enriquecimento pessoal que resulta da troca de ideias permite responsabilizar cada aluno pelo seu papel no trabalho de grupo, criando um espírito de entreajuda.

É claro que cada grupo deverá ter uma liderança para que os elementos evitem dispersar, mas isso compete ao professor definir que cargos que o trabalho de grupo tem e que deverão ir rodando por todos ao longo do ano letivo. O estímulo à liderança permite que jamais se chefie no futuro (chefiar é bem diferente de liderar). Uma equipa bem liderada segue o rumo com vontade de investimento o que contribui para bons resultados. Isto aplica-se profundamente aos trabalhos de grupo escolares e que poderão ser uma forma de avaliação bastante gratificante, desde que justa.

Aqui começam os pequenos senãos do trabalho de equipa. Vivemos numa sociedade que estimula cada vez mais ao individualismo. Isto é válido se for como nos aviões em risco, primeiro coloco a máscara de oxigénio a mim para depois ter capacidade para ajudar o outro. No entanto, o que é incutido é que eu estou em primeiro lugar e que a máscara de oxigénio jamais contribui para ajudar o outro, mas apenas para me salvar. Quer isto dizer que no grupo teremos sempre os que trabalham muito, ou fazem tudo, os que trabalham assim-assim e fazem de conta que têm mil e quinhentas tarefas para cumprir não conseguindo chegar a todas, e existirão aqueles que deliberadamente nada fazem, escapando por entre as gotas da chuva como se fossem transparentes. No final a avaliação distribui-se na maioria dos casos equitativamente. Como ultrapassar este tema, quando o mesmo é transversal à humanidade em geral? Poderemos utilizar várias ferramentas: estimular ao trabalho de equipa, criando condições para que na própria escola os alunos se possam reunir para realizar o que lhes é solicitado, por exemplo ter um espaço de biblioteca onde possam trabalhar; ter o professor como apoio para tirar dúvidas, usando um elemento como porta voz das dúvidas do grupo; dar tempo suficiente para que os trabalhos jamais sejam feitos em cima do joelho (na maioria dos casos o tempo é dado e na maioria são feitos em cima do joelho); manter um lembrete constante nas mentes esvoaçantes dos pupilos de que o trabalho tem uma contagem decrescente para a entrega. Apesar do professor não ser o líder do trabalho e evitar ao máximo interferir pode manter a organização das tarefas, percebendo quem está e não está a contribuir para a realização do mesmo.

Esta forma de avaliação dos alunos é uma ferramenta de extrema importância para a sua futura integração social, mas (há sempre um mas) deve ser feita com rigor para que os objetivos justos sejam atingidos. No futuro quando estes pequenos forem adultos e, imaginem que estão a liderar uma equipa no seu local de trabalho, muito provavelmente irão ter os vossos nomes, professores, em mente e aplicar aquilo que lhes foi ensinado.

Vera Silva

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