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Topo e Fundo | Valorização das Expressões no 1º Ciclo e a Violência nas Escolas.

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No topo: A valorização das Expressões no 1º CEB

Se outros méritos não revelarem as provas de aferição reintroduzidas no 1º ciclo, pelo menos este já ninguém lhes tira. Ao não incidirem apenas, como tem sido apanágio da avaliação externa neste nível de ensino, no Português e na Matemática, trouxeram à ordem do dia um problema tão antigo quanto menosprezado: a forma como é (ou não) leccionada a área das expressões.

Perante a divulgação das informações sobre as provas que os alunos do 2º ano irão em breve realizar, logo soaram os alarmes: a maioria das escolas do 1º ciclo não dispõe do material prescrito para a prova de expressão físico-motora. Problema que, sendo em si mesmo fácil de resolver com o empréstimo ou aquisição do material em falta ou, em último caso, com a deslocação dos alunos, revela por outro lado algo bem mais grave: muitas crianças irão ser avaliadas na execução de exercícios que nunca realizaram nas aulas.

Sendo as actividades físicas, tal como a música ou a expressão plástica ou dramática, parte integrante do currículo do 1º ciclo, não se entende como foi possível, até hoje, que em muitas escolas estes conteúdos não tenham vindo a ser abordados, seja por falta de tempo, de condições materiais ou por outras razões. E nada disto parece ter incomodado, até hoje, um ministério mais preocupado, ora com a promoção das AEC, para onde estes conteúdos, tidos como recreativos, foram relegados, ora com a melhoria dos resultados no Português e na Matemática, conseguida, não pela melhoria das aprendizagens, mas pelo aumento do tempo destinado às duas disciplinas. Daqui para a frente será insustentável não reconhecer às expressões o seu lugar como componentes fundamentais do currículo logo nos primeiros anos de escolaridade.


No Fundo: A violência nas escolas soma e segue

A semana que passou trouxe-nos a divulgação de mais um punhado de casos graves de violência escolar, relembrando-nos que, se há escolas no país que continuam a ser, felizmente, oásis de tranquilidade, existem muitas outras onde as agressões, físicas e verbais, continuam a ensombrar o quotidiano escolar.

Entre os casos recentemente mediatizados, houve de tudo: lutas e agressões entre alunos, pais que vão às escolas e agridem professores, funcionários e quem lhes aparecer pela frente – incluindo até, no caso mais recente divulgado, uma equipa de reportagem da RTP –, bullying no interior das escolas e roubos, intimidações e agressões por bandos de marginais actuando no exterior. Sabemos também que muitos mais casos, por medo de represálias, ficam por denunciar, e que apenas os mais mediáticos chegam à comunicação social.

A dimensão e gravidade que assume a violência escolar exige uma intervenção mais firme e eficaz. Precisamos de um quadro de intervenção das forças policiais e das autoridades judiciais célere que, conjugado com um agravamento da moldura penal para os crimes mais graves, teria um efeito dissuasor sobre potenciais prevaricadores. E se uma revisão do Estatuto do Aluno, tornando-o mais pedagógico e menos burocrático e juridiquês, se mostra necessária, também muitas escolas poderiam fazer mais, e melhor, no combate à indisciplina, mesmo no quadro legal existente. É com frequência na banalização dos comportamentos disruptivos e da pequena indisciplina que acaba por proliferar a violência escolar. Identificar os problemas, perceber as suas causas e real dimensão e delinear as formas concretas de os enfrentar e resolver são tarefas urgentes em muitas escolas e agrupamentos que continuam a empurrar o bullying, a violência nos recreios e a indisciplina nas aulas para debaixo do tapete.

 

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa.

1 COMMENT

  1. – Ameaçar-te com porrada à frente da Auxiliar, é grave ou deficiência? Posso perdoar? – Vá lá! …é Páscoa, ninguém leva a mal!

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