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Topo e Fundo | A unidade dos professores e o excesso de reuniões

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No Topo: A difícil unidade dos professores

Por muitas e variadas razões, a classe docente, ao longo da sua história, tem-se caracterizado pela sua desunião. Ao contrário de outras classes profissionais, com maior consciência de o serem e de terem objectivos comuns que só unidos podem conseguir, entre os professores quase sempre prevaleceram as divisões e os individualismos. No entanto, após o advento da democracia, uma identidade profissional e uma consciência de classe foram-se, lentamente, forjando. Para isso contribuíram a democratização do ensino, a maior valorização social do trabalho dos professores, a acção reivindicativa dos sindicatos e a profissionalização da classe. O processo culminou com a definição do estatuto profissional dos professores – o ECD – e teve um ponto alto, em termos de contestação e luta, nos protestos de 2008, quando a classe se ergueu, em massa e em uníssono, contra as políticas de Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues.

De então para cá, a desilusão e o desencanto têm prevalecido entre os professores, enquanto os alinhamentos políticos têm condicionado a actuação dos sindicatos. Mas à medida que se percebe que a satisfação das principais reivindicações dos professores não é uma prioridade governativa, a recente união de todos os principais sindicatos e federações sindicais de professores numa plataforma comum é certamente um sinal importante de que a união da classe continua a ser, não apenas possível, mas absolutamente necessária.
Mas se os seus representantes se mostram unidos na acção reivindicativa e nas formas de luta – uma semana de greves acaba de ser convocada -, transmitir esse sentimento de unidade e de confiança aos seus representados não se afigura uma tarefa fácil. A verdade é que nem todos os professores têm as mesmas prioridades e expectativas e nem todos estarão dispostos a lutar, da mesma forma, em defesa de objectivos comuns. Mas, se queremos mesmo defender os nossos direitos, há um caminho comum que teremos de percorrer.

No Fundo: Demasiadas reuniões…

Na altura das chamadas reuniões intercalares, há uma evidência que se impõe em muitas escolas portuguesas: o excesso de reuniões com que os professores são sobrecarregados e que se vêm somar a uma carga lectiva que continua a ser das mais elevadas entre os professores europeus. E àquelas que estão legalmente previstas e dificilmente se podem evitar, juntam-se outras que servem quase só para perder tempo. E que duram, duram…

Que muitas destas reuniões são desnecessárias demonstra-o o facto de haver escolas onde não se fazem e nem por isso funcionam pior. Pelo contrário, o tempo que se perde inutilmente em trabalho burocrático sem substância nem interesse acaba por roubar precioso tempo para aquilo que realmente interessa, que é o trabalho pedagógico. E isso dificilmente deixará de ter um impacto negativo nas aprendizagens e nos resultados dos alunos.

Na prática, isto sucede sobretudo porque a legislação que regula a matéria permite todo o tipo de abusos, não estabelecendo limites nem ao número nem à frequência das reuniões escolares, dando demasiado poder, nesta matéria, aos directores, e não salvaguardando as devidas compensações aos professores, de forma a aliviá-los do excesso de trabalho. E se em muitos lados predomina, felizmente, o bom senso na marcação de serviço extra-lectivo, outros há onde o vício da reunite tem causado enormes danos aos professores…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

1 COMMENT

  1. …as reuniões são é poucas! para os “colegas” se conhecerem melhor e não ficarem a pensar, afinal aqueloutro não é uma ameaça para mim – não me pode roubar o lugar, e que douto lugar, mais parece o trono de um palácio feito de açúcar que derrete com muita salivação.

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