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Topo e Fundo: A união sindical e o dia do perfil

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No Topo: União sindical

Quando a insatisfação começa a aumentar entre os professores, devido às condições gravosas e limitativas que o ME pretende impor na progressão nas carreiras, e que nalgumas situações se traduzem mesmo na não progressão – nuns casos por falta de tempo, noutros por ausência de vaga, noutros ainda por falta de aulas assistidas – torna-se claro que o jogo dúbio e enganador do governo com os professores teve apenas em vista criar condições políticas para a aprovação do orçamento.

Ora a esta insatisfação colectiva dos docentes não pode corresponder nem o alheamento por parte dos seus sindicatos nem o isolamento destes em acções simbólicas e parcelares perante uma luta que é de todos. Os professores precisam que os sindicatos que os representam exprimam sem tibiezas perante o governo e a opinião pública o descontentamento da classe. E, ainda mais importante, que se organizem em torno de uma estratégia reivindicativa que possa envolver os professores na luta pelos seus direitos e interesses.

Assim, depois de meses de lutas desgarradas e acções limitadas e inconsequentes, é de saudar a iniciativa de dez sindicatos e federações de docentes, incluindo a Fenprof e a FNE, que se declararam unidos em torno de objectivos comuns da classe e da mobilização dos professores para a defesa da sua carreira, da sua dignidade e da sua profissão.

No Fundo: O Dia do perfil

Não será consensual esta colocação do dia em que mais de duas centenas de escolas debateram o perfil do aluno entre os piores acontecimentos da semana: certamente que milhares de docentes e estudantes que nas suas escolas aceitaram o repto do ME e participaram no debate terão encontrado na iniciativa motivos de satisfação pessoal e profissional.

Ainda assim, coloco “no fundo” o dia do perfil porque me parece negativa esta formatação da discussão que o ME pretende suscitar: dando como adquiridos quer o perfil quer as flexibilidades curriculares que de forma algo abusiva lhe andam a ser associadas, percebe-se que tudo isto não passa de pressão sobre os docentes para que adiram a um projecto polémico, mal fundamentado, preparado à pressa e que está a ser implementado na base do improviso, da falta de recursos e de uma sobrecarga de trabalho ainda maior do que a que já recaía sobre o pessoal docente.

Tentando mobilizar os alunos para que exijam aos seus professores as mudanças educativas pretendidas pelo ministério, um pormenor importante parece ter sido esquecido pelos decisores do ME: o perfil do aluno, no seu discurso redondo, pretensioso e por vezes algo pedante, está longe de ser motivador e inspirador para as crianças e os jovens. A discussão sobre a escola que temos e a que queremos é bem-vinda e necessária. Mas para ser viva, verdadeira, interessante e conclusiva, terá antes de mais de libertar-se das formatações eduquesas a que os teorizadores da educação a tentam, a todo o momento, submeter.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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