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Topo e Fundo | O regresso às aulas e as ultrapassagens no concurso

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No Topo: O regresso às aulas

Embora neste início de ano escolar não haja, infelizmente, muitos motivos de contentamento para quem trabalha nas escolas, o recomeço das aulas é sempre um momento significativo para os professores que gostam de o ser.

O reencontro com os antigos alunos e a recepção dos novos, o retomar do trabalho vindo do ano anterior ou o recomeço, com novas turmas e alunos, das tarefas sempre renovadas de ensinar e aprender, são a razão de ser da profissão de professor. São os nossos alunos e o que podemos fazer por eles e com eles o que motiva os professores. E não as reuniões, planificações, articulações e flexibilizações com que alguns insistem em preencher, até à saturação, o quotidiano escolar.

Apesar do desânimo e do cansaço, da falta de reconhecimento e de consideração de quem nos deveria apoiar e defender, das expectativas e ambições profissionais frustradas ou eternamente adiadas, a maioria dos professores encontra nos seus alunos e no trabalho que com eles realiza a melhor das razões para continuar a ter orgulho na sua profissão.

No Fundo: As ultrapassagens no concurso de professores

Nunca deixou de me causar perplexidade esta atracção pelo abismo de que, num momento ou noutro, parecem sofrer quase todos os governantes que passam pelo ME. E que se revela cada vez que tomam medidas inúteis, insensatas, irreflectidas que, sendo prejudiciais para as escolas, os alunos e os professores, também não beneficiam o ministério ou os seus responsáveis.

A preparação do novo ano lectivo até estava a correr bem. Não houve notícia de grandes problemas com escolas degradadas ou sobrelotadas. A polémica em torno da extinção gradual da maioria dos contratos de associação está ultrapassada. A nova “portaria dos rácios” abre caminho à contratação célere dos cerca de 1500 assistentes operacionais em falta nas escolas. Um número bastante significativo de escolas aderiu ao projecto da flexibilidade curricular, a grande aposta do SE João Costa. E mesmo a contestação dos profissionais da educação, por causa do congelamento das carreiras, dos abusos nos horários de trabalho ou do adiamento da idade da reforma, parece relativamente branda e cordata se comparada com a que outros sectores da administração pública vêm promovendo.

O concurso interno e da vinculação extraordinária de 2017 permitiram a milhares de professores melhorar e estabilizar a sua situação profissional. Contudo, em vez de aproveitarem estas águas bonançosas e colocarem atempadamente os professores ainda em falta nas escolas, os responsáveis da administração educativa, com a SE Alexandra Leitão à cabeça, resolveram inventar uma nova regra – preencher, na mobilidade interna, apenas horários completos – que não só subverteu a prática habitual desde 2005 como criou fortes injustiças entre os professores dos QZP.

É verdade que ninguém foi colocado em escola para onde não tenha concorrido. Contudo, esse não é o verdadeiro problema: o que indignou muitos professores colocados a mais de cem quilómetros de casa foi verem surgir nas suas zonas de residência, já na reserva de recrutamento, vagas que foram ocupadas por colegas dos QZP menos graduados. Os tais horários incompletos que não poderiam, segundo o ME, ser preenchidos por professores dos quadros…

 

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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