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Topo e Fundo | Recuperação do tempo de serviço e a campanha contra os professores

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No Topo: Parlamento defende a recuperação do tempo de serviço

Quando se retomam as negociações com os sindicatos de professores para a regulamentação do descongelamento das progressões, só pode entender-se como sinal positivo que os partidos que suportam o actual governo tenham votado, juntos, a resolução que recomenda ao executivo a contagem integral do tempo de serviço em todas as carreiras da administração pública. Incluindo, naturalmente, a dos professores e educadores.

Embora a perspectiva do PS-governo tenda a ser, em questões de impacto financeiro, distinta da do grupo parlamentar, a verdade é que com a aprovação do projecto de resolução apresentado pelo PEV se tornou politicamente mais difícil continuar a adiar compromissos nesta matéria, empurrando o impacto orçamental de quaisquer decisões para a próxima legislatura.

Finalmente, se mesmo com a actual solução política os professores continua a manter o insatisfeitos, não nos devemos iludir em relação aos partidos de direita: a abstenção, tanto do PSD como do CDS, é um sinal claro de que, se por um lado não se dispõem, na oposição, a hostilizar os professores, também não tomam a defesa dos professores e da sua carreira. As prioridades orçamentais dos dois partidos continuam centradas, não em pagar condignamente os trabalhadores que servem o Estado, mas em alimentar os negócios dos que se servem dele.

No fundo: Continua a campanha contra os professores

Embora já o não façam no tom ofensivo e acintoso a que o PS, nos tempos de Sócrates Lurdes Rodrigues, nos habituou, menosprezar e criticar o trabalho dos professores portugueses continua a ser visto, entre os socialistas, como uma forma eficaz de ganhar espaço e condições para impor as suas políticas para a educação. Contra os professores, se preciso for. E isso ficou bem visível esta semana, a propósito da publicação de mais um volume do Estado da Educação e das considerações na nova presidente do CNE a esse respeito.

O modus operandi é relativamente simples e, julgam eles, eficaz. A partir de “estudos”  e estatísticas que se vão publicando regularmente, infere-se que há um conjunto de práticas nocivas que os professores precisam de mudar urgentemente: dão aulas “expositivas”, estão pouco atentos às necessidades dos seus alunos que, imbuídos de uma “cultura da retenção”, reprovam excessiva e injustamente.

Com esta menorização profissional e intelectual dos professores pretendem-se essencialmente duas coisas: por um lado, impor a ideia de que os professores são incapazes de pensar criticamente a sua profissão e de fazer por si próprios as adaptações e mudanças que vão sendo necessárias no quotidiano escolar. Precisarão sempre da tutela do ministério, das ESEs e universidades e da acção dos comissários políticos e das “unidades de missão”. Por outro lado, profissionais tão conservadores, conformistas e avessos à mudança também não justificam aquilo que custam: uma boa desculpa para congelar carreiras e bloquear progressões…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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