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Topo e Fundo | O PS dividido e a comida da cantina

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No Topo: O PS dividido

Com o governo irredutível em relação à não recuperação do tempo de serviço congelado, as atenções dos professores têm-se voltado para os 230 deputados que irão ter a última palavra na aprovação do Orçamento de Estado. Na semana que passou sucederam-se contactos dos principais sindicatos com os grupos parlamentares e não é por acaso que o dia 15 foi escolhido, não só para a realização da greve dos professores, mas também para a concentração frente ao Parlamento: é que lá dentro estará a ser discutido, com a presença do ministro, o orçamento da Educação.

Ora é justamente no grupo parlamentar do PS que se encontram, segundo parece, as maiores apreensões e divisões em relação às reivindicações dos professores. Por um lado os deputados entendem e apoiam a preocupação do governo com o equilíbrio orçamental. Mas também são sensíveis ao impacto político que poderá ter, na segunda metade da legislatura, a hostilidade de uma classe profissional tão numerosa e influente como são – ainda – os professores.

Restam hoje poucas dúvidas de que as grandes lutas dos professores em 2008 deram um contributo decisivo para o desgaste político de José Sócrates e a perda da maioria absoluta em 2009. Hoje com uma base eleitoral mais frágil do que teve nesses tempos, ao PS de António Costa interessará não “perder” definitivamente os professores, como uma ministra arrogante e insensata em tempos se gabou de ter conseguido. Talvez aí esteja então a maior força, e também a maior esperança, da luta dos professores.

No Fundo: A comida da cantina

As refeições escolares passaram esta semana pela comunicação social, e não foi pelas melhores razões: de norte a sul do país, sucedem-se as denúncias sobre a má qualidade da confecção e a reduzida quantidade dos alimentos fornecidos. Rissóis crus, larvas a passear pela sopa, pernas de frango ensanguentadas, foram vários os exemplos que alunos e associações de pais fizeram circular pela imprensa e as redes sociais.

As queixas visam sobretudo as empresas privadas a quem o ME tem concessionado o serviço na maioria dos refeitórios escolares. A ambição do lucro, aliada ao reduzido preço por refeição que é pago, não funcionam como incentivo à qualidade do serviço. O facto de as escolas não terem controle directo sobre estas empresas, podendo apenas reportar, à posteriori, as anomalias detectadas, ajuda a que as situações se vão protelando sem consequências.

Ainda assim, nada justifica que, pelo menos em dois casos conhecidos, os directores tenham decretado a suspensão de alunos que divulgaram as fotos reveladoras. Claro que há regras a cumprir relativamente à recolha e divulgação de imagens nos recintos escolares, mas essas regras fizeram-se para preservar direitos de privacidade, não para encobrir situações que podem considerar-se verdadeiros atentados à saúde pública e relativamente às quais os directores escolares se têm mostrado incapazes de dar resposta.

Finalmente, estes casos vêm evidenciar a necessidade de rever a política das refeições escolares, exercendo-se um maior controle sobre as empresas que prestam este serviço e devolvendo às escolas a possibilidade de voltarem a assegurar, com meios próprios, o funcionamento da cantina.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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