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Topo e Fundo | Concurso de Professores e Viagens de Finalistas

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Com algum atraso em virtude do meu descanso que já terminou.


No Topo: Concursos de professores com mais vagas

Os concursos de professores, que estão a decorrer até 24 de Abril, parecem trazer perspectivas de mais e melhores colocações do que houve em anos anteriores.

Somando os lugares abertos ao abrigo da vinculação extraordinária e da chamada norma-travão, cerca de 3400 professores contratados terão oportunidade de conseguir, pela primeira vez, um vínculo profissional estável ao Ministério da Educação. Claro que as regras do concurso externo continuam a ser injustas, definindo critérios e prioridades que permitirão que alguns candidatos menos graduados ultrapassem os que deveriam estar à sua frente. Por esse motivo, e também porque ainda se está muito longe de dar resposta aos cerca de vinte mil docentes que teriam direito a vincular, exige-se que novas vinculações, extraordinárias ou não, se sucedam nos próximos anos.

Quanto aos professores dos quadros, as cerca de 4600 vagas abertas no concurso interno deverão permitir que um número significativo de professores, pelo menos nalguns grupos de recrutamento, transitem da zona pedagógica para um lugar num quadro de escola ou agrupamento. Da mesma forma, docentes há longos anos colocados em escolas distantes do local de residência poderão ter finalmente a oportunidade de conseguirem mudar para uma escola mais perto de casa.

No Fundo: A viagem de finalistas

A notícia abriu noticiários e fez primeiras páginas em toda a comunicação social portuguesa: cerca de mil estudantes do secundário destruíram equipamentos e  vandalizaram  as instalações de um hotel espanhol durante a sua viagem de finalistas, acabando expulsos e obrigados a regressar mais cedo.

Muitos dos participantes vieram desculpar-se, alegando que os actos de vandalismo foram praticados por um pequeno número de jovens, dos quais todos estavam a ser injustamente acusados. E devolveram as críticas ao hotel, que não terá cumprido com os serviços contratados, suscitando assim o descontentamento e a revolta dos estudantes. Pode até invocar-se a educação familiar permissiva, a imaturidade, o espírito de grupo, o efeito de álcool ou das drogas como potenciadores dos incidentes. Mas nada disso justifica o triste retrato que dá de si mesma uma juventude mimada e egocêntrica, habituada a ser atendida nos seus caprichos, a desprezar os outros quando não entram na sua onda e a achar que “quem paga manda” e que o que pagaram pela viagem lhes dá o direito de fazerem tudo o que quiserem, sem quaisquer limites, deveres ou obrigações. A vida não é isto, amiguinhos, e quem assim vos educa está a preparar-vos muito mal para o futuro que têm à vossa frente.

De facto, quem fica pior nesta história, mais ainda do que os finalistas imaturos e irresponsáveis, são certos pais e mães, que se demitem das suas responsabilidades parentais, mas estão sempre dispostos a desculpar e achar “normais” as asneiras dos seus filhos e, porque “o meu filho não mente” e “não foi isso o que ele me contou”, prontos também a apontar o dedo acusador ao hoteleiro, ao agente de viagens, ao polícia, ao professor, enfim, ao primeiro quem encontrem a jeito para arcar com as culpas.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

1 COMMENT

  1. No fundo-viagem de finalistas,é no meio do muito que se escreveu,um artigo sério, bem tratado numa síntese curta e incisiva.Parabéns. Os pais deviam ser convocados a ler assim como outro na mesma linha,que foi escrito pelo pediatra Cordeiro.Os pais educam para a irresponsabilidade e desculpabilização.Vai sendo tempo do diálogo Escola/Pais.

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