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Topo e Fundo | O calendário do pré-escolar e (de novo) a greve do dia 21

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No Topo: O calendário do pré-escolar

Terá passado quase despercebido nos restantes níveis de ensino, mas para quem trabalha na educação pré-escolar o calendário do ano lectivo 2071/18 concretiza uma velha aspiração do sector: a harmonização dos períodos lectivos com o 1º ciclo.

Esta mudança implica o reconhecimento da importância do trabalho pedagógico no pré-escolar, que não deve nunca confundir-se com guarda de crianças nem com mera ocupação de tempos livres. Quanto às pausas lectivas, elas servem não só para “recarregar baterias” mas também para que as/os educadoras/es possam planear e avaliar actividades e articular com os colegas de outros níveis de ensino.

Claro que para muitas famílias isto pode representar um problema, pois nem os pais podem faltar ao trabalho para ficar com os filhos, nem a tenra idade das crianças permite que fiquem sozinhas em casa. Torna-se necessário, como o ME já reconheceu, que escolas e autarquias, com o apoio do ministério, organizem actividades alternativas que ocupem as crianças durante as pausas lectivas.

No Fundo: A greve do dia 21

Era previsível o relativo fracasso da greve marcada para 21 de Junho. A greve, que ninguém queria verdadeiramente, foi marcada para tentar forçar o governo a um maior comprometimento com as reivindicações dos professores, em negociações que se eternizam sem resultados à vista.

Contudo, estando marcados exames nacionais para esse dia, e sendo a sua realização considerada um serviço mínimo a assegurar em caso de greve, bastou ao ME invocar a norma aprovada pelo anterior governo para esvaziar, na prática, os efeitos da greve. Ainda assim, expressão do descontentamento da classe docente, a greve teve algum impacto nas aulas do 1º ciclo, as únicas que ainda decorriam.

Ainda assim, há duas ou três coisas que a greve ajudou a clarificar. Percebeu-se que não haverá “regimes especiais” para as questões de carreira ou as aposentações dos professores: o governo quer enquadrá-las no que vier a ser definido para a restante administração pública. Em matérias com impacto financeiro, a capacidade negocial do ME é nula, pelo que mais valeria tratar desses assuntos directamente com o ministério de Mário Centeno. Finalmente, mesmo em assuntos com reduzido impacto orçamental, como a organização do serviço docente, também se constata o pouco interesse do ME em ouvir os professores, compreender as suas necessidades e encontrar dar respostas concretas aos seus problemas e aspirações.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

4 COMMENTS

  1. Desta vez discordo do Topo, topo seria se o primeiro ciclo e pré – escolar terminassem ao mesmo tempo que os seus colegas que não têm exames.

    • Aí põe-se o problema da maior carga de trabalhos nos outros níveis de ensino após o termo das aulas: conselhos de turma, exames, provas de equivalência, etc. Embora este argumento seja discutível na perspectiva de quem está no 1º ceb ou no pré-escolar, reconheço.

      Acho que enquanto solução de compromisso, este governo deu uma resposta adequada a um problema que vem de décadas. E o acrescento de uma semana de aulas, este ano, ao 1º ceb, provavelmente já foi feito a contar com isto.

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