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Topo e Fundo | Os professores unidos e a demagogia rodoviária de António Costa

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No Topo: Professores unidos na defesa do tempo de serviço

A consulta dos sindicatos aos professores sobre a greve em curso, a justeza das reivindicações e as formas de dar continuidade à luta reuniu, em quatro dias, mais de 50 mil respostas. Os respondentes foram quase unânimes na concordância com duas ideias centrais que têm alimentado a luta dos professores: exigem a recuperação integral do tempo de serviço congelado; contudo, estão disponíveis para, tendo em conta a situação económica do país, aceitar a sua devolução faseada.

Na verdade, tendo em conta a elevada adesão dos professores à greve que dura já há um mês, e que só com a imposição de serviços mínimos o ME conseguiu, parcialmente, neutralizar, pode dizer-se que estes eram os resultados esperados. Mais do que confirmar aos dirigentes sindicais o que eles sabiam ser a vontade dos professores, estes resultados têm uma leitura para fora: mostram ao governo e à opinião pública que não são os professores que andam, como tantas vezes se diz, a reboque dos sindicatos, mas sim estes que continuam a interpretar correctamente a vontade e o sentir dos professores.

No Fundo: A demagogia rodoviária de António Costa

Sem saber já o que dizer perante a insistência dos professores na recuperação integral do tempo de serviço, sabendo que está a desrespeitar um compromisso inscrito na lei do orçamento e que tem, para a Educação, um ministro apagado, em cuja inspiração não pode confiar, António Costa saiu-se com esta: não há dinheiro para progressões porque precisamos de fazer obras no IP3!…

Queria o PM dizer que este governo, como todos os outros, tem prioridades, que o dinheiro não chega para tudo e que, tendo em conta a elevada sinistralidade desta via, é mais bem gasto o dinheiro que aqui irá permitir salvar vidas do que o que pagaria, por exemplo, as progressões dos docentes cujo tempo fosse recuperado.

No entanto, o tiro parece ter saído pela culatra, pois a demagogia foi demasiado óbvia. Porque não resulta claro que os milhões que irão ser gastos nas obras do IP3 venham do orçamento da Educação. Na verdade, se olharmos para o volume de despesa pública que é feita em juros do serviço da dívida, em gastos com as PPPs rodoviárias e do sector da saúde ou na recapitalização dos bancos, vemos que o que origina de facto o desequilíbrio das contas públicas não são, seguramente, os salários e as progressões dos professores.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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