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Topo e Fundo | Os alunos condenados ao sucesso e o ministro que não sabe estar

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No Topo: Condenados ao sucesso

Feitas as avaliações da Páscoa, iniciado já o 3º período, uma coisa se pode dizer: os resultados dos alunos nunca terão sido tão bons!

Claro que as médias variam significativamente de escola para escola e até de turma para turma. Mas, de um modo geral, todos parecem estar a melhorar. Pelo menos se tivermos em conta as notas que aparecem nas pautas…

Entre as razões desta melhoria, haverá uma a destacar: as novas regras que norteiam a avaliação dos alunos e que se encontram definidas nos decretos-lei 54 e 55/2018. Da conjugação dos dois diplomas ressalta uma concepção do sucesso educativo como um direito universal. Já não se trata apenas de dar condições especiais, na avaliação das aprendizagens, àqueles alunos que delas comprovadamente necessitam. Qualquer um que revele dificuldades, seja por que motivo for, deve ser alvo de medidas facilitadoras. Não ter querer, não ser capaz, não se esforçar, deixaram de ser desculpas para que deixar alguém para trás. No século XXI, aprendam ou não, todos estão condenados ao sucesso.

Nesta senda dos bons resultados, há no entanto um universo de alunos que se destaca: os que frequentam o secundário em colégios vocacionados para colocar os alunos nos cursos universitários mais procurados. O ComRegras mostrou esta semana como, no Externato Ribadouro, os alunos são corridos com notas de 19 e 20 a Educação Física, uma prática habitual, neste tipo de escolas, nas disciplinas não sujeitas a exame final.

Claro que, aqui, o direito ao sucesso coloca-se de outra forma. Estes alunos pagam para obterem excelentes resultados e o colégio cumpre a sua parte, inflacionando ao máximo as notas atribuídas. Os “condenados”, aqui, não são os jovens “ribadouros”: são os milhares de alunos das escolas públicas a quem aqueles passam à frente no acesso às vagas do ensino superior…

No Fundo: Um ministro que não sabe estar

Tiago Brandão Rodrigues começou o mandato com uma imagem muito positiva: um jovem simpático e bem parecido, cientista e investigador numa universidade estrangeira de renome, interrompia a sua promissora carreira académica para assumir o pesado encargo de presidir aos destinos da Educação portuguesa.

Ao novo ministro desculpou-se muita coisa, a começar pela profunda ignorância em relação aos problemas e realidades do sector. Confiou-se que, com o tempo, aprenderia. E que uma pessoa vinda de fora, com uma mente aberta, jovem e arejada, mais facilmente poderia arbitrar e resolver os eternos conflitos e contradições que entravam o desenvolvimento do nosso sistema educativo e uma colaboração mais proveitosa entre os seus principais intervenientes.

Contudo, o passar do tempo correspondeu a um somar de desilusões. Sem peso político, o ministro logo se tornou um peão submisso às orientações economicistas provenientes das Finanças. Sem conhecimento da realidade, sucumbiu aos lobbies eduqueses escorados na actuação em roda livre do secretário de Estado João Costa.

Desacreditado, Tiago Brandão Rodrigues revela na fase final do mandato a sua pior faceta: um homem irritante e irritadiço, sem respostas nem soluções para os problemas e contradições com que vai sendo confrontado. Em pleno Parlamento, responde a alhos com bugalhos. Confrontado, parte para a provocação e a ofensa, mostrando que, continua a saber pouco de Educação, aprendeu bem os piores vícios da nossa retórica parlamentar. Em lugar de falar verdade e de se mostrar à altura das suas responsabilidades.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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