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Topo e Fundo | Escolas sem armas nem drogas e o alto risco de ser professor

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No Topo: Escolas livres de armas e drogas

A notícia teve escassa projecção mediática, mas merece ser aqui destacada: uma escola secundária de Viseu, mais concretamente a Emídio Navarro, tomou medidas efectivas perante os indícios de que andariam a entrar no recinto escolar objectos e substâncias ilícitos. E chamou a PSP que, numa operação-surpresa, identificou um aluno portador de droga e outro que trazia consigo uma arma branca.

Estas acções são essencialmente preventivas: a arma foi apreendida e o aluno que tinha a droga foi referenciado para acompanhamento especializado. E é assim que se deve agir, actuando às primeiras suspeitas, em vez de ficar à espera que, durante uma zaragata, a arma branca sirva para esfaquear alguém ou que o aluno que por diversão leva droga para a escola acabe por se tornar num pequeno traficante entre os colegas.

Recordo que há cerca de uma década atrás estas operações nas escolas começaram a ser rotineiras nalgumas zonas do país. Mas subitamente passaram a ser proibidas ou desaconselhadas, em nome de um mal entendido conceito de liberdade individual ou de direito à privacidade. Na verdade, a escola não se pode demitir, em circunstância alguma, da sua missão educativa. Nem pode abdicar do dever de proporcionar um espaço seguro e de convivência saudável a todos os membros da comunidade escolar.

No Fundo: Professor, profissão de alto risco

A semana que passou recorda-nos uma realidade preocupante que continua a ser sistematicamente ignorada ou desvalorizada por quem deveria assumir responsabilidades: nalgumas escolas portuguesas, nomeadamente nas que servem as zonas mais degradadas ou problemáticas das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, ser professor tornou-se uma profissão de alto risco. Quem aqui lecciona está sujeito a um quotidiano de desrespeito e insultos por parte de alguns alunos e famílias que não respeitam o trabalho e a figura do professor. E esta atitude, extravasa, não raras vezes, para a agressão física aos docentes.

O caso concreto que foi noticiado aconteceu na Escola do Lagarteiro, no Porto: quatro familiares de uma criança a quem a professora de Educação Física terá ralhado por causa do seu mau comportamento irromperam pela escola e agrediram selvaticamente a docente, que teve de receber tratamento hospitalar. E ontem mesmo soube-se que, só na região da comarca de Lisboa foram abertos, em 2017, 87 processos por violência escolar contra professores.

Tão revoltante como a atitude cobarde e ignóbil destes agressores é o silêncio dos responsáveis do ME, que proclamam as virtudes da escola inclusiva e do direito à educação para todos, mas não criam, nas escolas onde elas são necessárias, as condições adequadas à integração dos alunos e das comunidades problemáticas. Nem mesmo, tão palavrosos que são noutras circunstâncias, são capazes de uma palavra de solidariedade e de repúdio das agressões que, independentemente do que possa ser invocado pelos agressores, nunca terão justificação ou desculpa.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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