Início Rubricas Topo e Fundo | A descida do abandono escolar e as escolas...

Topo e Fundo | A descida do abandono escolar e as escolas menos tecnológicas

129
0

No Topo: Abandono escolar a descer

Foi esta semana divulgada a taxa de abandono escolar referente a 2018: 11,8%, menos oito décimas do que no ano anterior. Significa que, em 100 alunos que deixaram de frequentar a escola após terem feito os 18 anos, cerca de 12 o fizeram sem terem concluído o ensino secundário. Num sector onde as boas notícias vão rareando, a descida lenta, mas continuada, deste indicador, acaba por ser, do lado positivo, a notícia da semana.

Claro que o Governo não perdeu tempo em associar-se a mais esta “vitória”, que atribui, em parte, ao acerto das medidas que tem lançado para promover o sucesso e a inclusão de todos os alunos. E que estariam já – como é conveniente que suceda em ano eleitoral – a ter o seu efeito.

No entanto, quem lida com o quotidiano escolar sabe que tanto as estatísticas como os comunicados governamentais falham muitas vezes na explicação rigorosa da realidade. É certamente verdade que conseguimos hoje reter os jovens por mais tempo na escola. Mas também sabemos que muito deste sucesso se conseguiu com a proliferação de cursos profissionais, academicamente mais acessíveis, mas nem sempre adequados ao perfil dos alunos que os frequentam. E com o abaixamento de algumas fasquias nestes cursos, de forma a garantir um sucesso que chegue, tendencialmente, a todos os alunos.

No Fundo: Escolas cada vez menos tecnológicas

Foi também nesta semana que os números da OCDE vieram confirmar uma realidade que já se constata há muito tempo: há cada vez menos computadores nas escolas portuguesas. O primeiro e até agora único “choque tecnológico” no sector aconteceu há dez anos. Nessa altura, foram criadas salas de informática em todas as escolas, instaladas redes com e sem fios e colocados, em todas as salas de aula, um computador multimédia com ligação à internet e um projector de vídeo.

Foi, na altura, uma pequena revolução no nosso sistema educativo. Mas, como tantas vezes sucede entre nós, foi também um esforço que não teve continuidade. De então para cá, o novo investimento e até a simples manutenção caíram para valores próximos de zero. Os equipamentos foram envelhecendo – dez anos, em informática, é quase uma eternidade – avariando e, muitas vezes, sendo arrecadados por falta de recursos para a sua reparação.

O maior paradoxo desta situação é que, para quem manda, tudo parece estar a correr bem. Este Governo tem uma capacidade espantosa de fingir que os problemas são inexistentes, como se desaparecessem apenas pelo facto de ninguém reparar neles. Introduzem-se aulas de TIC em todos os anos do 2.º e do 3.º ciclo. Gastam-se milhões na compra de licenças digitais dos manuais escolares. Promovem-se as “literacias digitais”. Mas ninguém parece questionar-se: para fazer tudo o que se pretende, onde estão os computadores?…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here