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Tinha mais formação no Pingo Doce do que tenho enquanto professor…

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O “despachar” primeiro e formar depois (ou durante), é muito típico na escola. Como sabem as escolas têm um novo sistema de tutorias, onde os professores podem ter até 10 alunos. O Ministério de Educação vem agora dizer que já foi dada formação a mais de 1200 tutores. Faz bem, é esse o seu papel enquanto patrão, o de atribuir formação específica aos seus funcionários quando surgem alterações relevantes.

O problema é que estas formações deviam ser dadas antes da sua entrada em vigor, o que raramente acontece. Assim de cabeça, lembro-me dos quadros interativos, da educação sexual, de diferentes programas informáticos de gestão/organização escolar, etc, etc…

Sentimos nas escolas que tudo está sempre a mudar, fica a sensação que existe uma qualquer equipa numa cave obscura, que tem o prazer sádico de constantemente alterar procedimentos, nomenclaturas e legislação, impedindo qualquer professor de estar a par da mais recente “moda” ou “capricho”. A última que ouvi, embora insignificante mas que serve de exemplo, é que nos discursos, depois de referirmos as “celebridades” devemos referirmo-nos aos restantes como “todas e todos” em vez de senhores e senhoras… “mariquices” do eduquês.

Os professores, ou qualquer outra profissão, precisa de estabilidade para assimilar leis, procedimentos e nomenclaturas. Os antigos cursos vocacionais, não tiveram a hipótese de upgrade, foram rapidamente abolidos e substituídos por tutorias com dimensões questionáveis, onde a falta de assiduidade dos alunos é uma realidade presente.

O que é dado como uma boa notícia, mais não é que uma notícia reveladora da política preferencial da tutela, aplico primeiro formo depois. A escola anda sempre atrasada, seja nos pequenos procedimentos, seja a nível tecnológico, seja nas metodologias de ensino ou a nível disciplinar…

Eu quando trabalhei no Pingo e Doce e depois no Continente, senti uma real preocupação com a minha formação, até porque era caixa de supermercado e por breves momentos era a cara da empresa. E sempre que havia alterações nos procedimentos, havia uma formação prévia (gratuita), era testado e só depois me lançavam às “feras”. Preparar, formar, esclarecer, testar primeiro e depois sim, aplicar e massificar. A escola não é uma empresa, mas devia aprender algumas coisas com ela, a formação contínua é seguramente uma das grandes lacunas da escola atual. E quem sofre são os nossos clientes (alunos)…

Organização… é tudo uma questão de organização…

Mais de mil professores já receberam formação para serem tutores

(Público – Clara Viana)

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