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Tiago Rodrigues | O Não Ministro Que Derrotou Os Professores

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Tiago Brandão Rodrigues, o improvável Ministro da Educação ganhou a “guerra” aos professores. Custa-me tanto dizer isto mas não deixa de ser a realidade. A entrega do Orçamento de Estado para 2019, a sua manutenção no cargo após o furacão Costa ter substituído 4 ministros, o incumprimento do estipulado no orçamento de 2018 que obrigava à negociação total do tempo de serviço congelado, e uma ILC boicotada por forças internas e externas, deram a Tiago Rodrigues, aquilo que ele provavelmente nunca pensou atingir – uma vitória sobre os professores, quebrando-lhes a espinha, o seu espírito de rebeldia e a liderança social no combate à opressão e injustiça social.

Pior ainda, é que ao analisar o panorama político atual, constatamos uma direita completamente perdida e uma esquerda (mais à esquerda) vendida a um poder que tanto gostou de sentir e que pode prolongar o mandato de Tiago Rodrigues, ou outro cientista qualquer.

Mas será Tiago Rodrigues tão bom assim?

Cruzes credo não… Não é por acaso que Tiago Rodrigues foi considerado o ministro mais fraco do governo, Tiago Rodrigues é apenas um homem de sorte, pois António Costa quis passar a mensagem que ganhou a luta aos professores, tendo por isso protegido o seu “boneco” preferido. Aquele que uma vez disse que iria defender radicalmente os direitos dos professores, não passou de um soundbyte inconsequente de alguém que foi amarrado pelo Ministério das Finanças, abdicando da sua voz e quiçá da sua vontade. Tiago Rodrigues deveria ter saído, a sua manutenção no cargo reflete uma de duas coisas, ou a concordância com uma estratégia suja, de baixo nível, impensável num Ministério que tem inscrita a palavra “Educação”, ou a sua total inutilidade, usufruindo dos privilégios de um cargo, num intervalo da sua verdadeira carreira, a de cientista.

O Ministério da Educação nunca pode ser adversário dos seus professores! E não estou a falar dos senhores das bandeirinhas com agendas próprias e que tão mal, mas tão mal representaram os professores (exceção do S.TO.P). Falo daqueles professores de sala de aula, que lutam diariamente por um ensino melhor.

Enquanto professor sinto-me perfeitamente esmagado pela forma como fui tratado e pela forma como os meus colegas foram tratados. É a primeira vez na vida que sinto que a minha liberdade foi posta em causa, que sinto a opressão de um regime, que sinto que fui manipulado, gozado e desrespeitado no meu ADN profissional. Não esqueço que estes senhores mentiram deliberadamente, não esqueço que estes senhores omitiram deliberadamente. Se não o fizeram, se foi inconsciente, então estamos perante um grupo de pessoas altamente incompetentes e irresponsáveis. Escolham a vossa carapuça…

Sinto que perdemos a guerra, a guerra da recuperação do tempo de serviço, mas o pior de tudo é sentir que perdemos uma guerra pela dignidade e respeito docente.

E agora, o que fazer?

Julgo que o único caminho viável será a via judicial, os tribunais ainda existem e os sindicatos têm de recuperar a credibilidade perdida e lutar no único sitio onde ainda é possível mudar alguma coisa.

Sejamos realistas… O orçamento está entregue e este é o último orçamento deste governo…

Alexandre Henriques

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20 COMENTÁRIOS

    • A geringonça é uma porcaria tal como o bloco central tal como o Psd /CDS tal como os professores que se vendem ao poder. Todos querem o tacho. Metem nojo

  1. Concordo com cada palavra, excepto que refere que o ministro voltará à sua verdadeira carreira, a de cientista. A deontologia é a ética fazem parte da matriz da ciência e da essência de um verdadeiro cientista. TBR mostrou não possuir esses atributos.

  2. Eu continuo a dizer que enquanto as escolas não forem fechadas por tempo indeterminado… eles continuarão a gozar, humilhar e a rir dos professores.

  3. Nas “horas amargas”, relembro a lição de sabedoria de um poeta popular chamado António Aleixo (1899-1949): “Que importa perder a vida/em luta contra a traição,/se a Razão mesmo vencida,/não deixa de ser Razão.”

  4. Ainda temos um trunfo! As eleições de 2019.
    Mas, ainda temos um outro: deixarmos de fazer nas nossas escolas tudo o que não faz parte do nosso conteúdo funcional.

  5. Os professores têm de fechar as escolas e
    estou certo q é o único processo de obrigar
    O governo a negociar e a mudar o mau
    Clima!!!

  6. Concordo com tudo, menos que já fomos derrotados e principalmente com o passar dessa mensagem de derrotismo; Como se a guerra terminasse ou se ganhasse com os orçamentos de estados… A guerra é longa, até porque (para eles) o verdadeiro sentido da guerra é acabar com a nossa carreira…e aí, alto e pára o baile… e por isso estamos e estaremos em guerra…e até porque há outros sentidos da guerra (para nós) para além dos 942… lá porque se perderam batalhas, não quer dizer que ……………… Curiosamente, o tribunal já decidiu qualquer coisa a nosso favor… devia era tributar as respetivas consequências aos infractores; Já vi muitas equipas poderosas perderam com os fracos…no último minuto; Serenidade… vivemos uma injutsiça de perna curta e, a seu tempo, será reposta uma justiça mínima.

  7. Concordo com tudo o que disse. Ainda acho que valia a pena fechar a cadeado todas as escolas de Portugal continental e que, quando a polícia fosse abri-las, não houvesse um único professor para dar aulas, nem um.
    Atenção à frase – uma vitória sobre os professores e não “sob” os professores.

  8. Derrotou os professores? Não me parece que roubar signifique derrotar, mas, a batalha não acabou! Nas eleições vamos ver quem foi derrotado! O termo correto devia ser “o ministro que roubou os professores”. Lá está, o crime organizado a governar Portugal!!!!

  9. Triste este escrito que começa por dizer que o não ministro “ganhou” a guerra com os professores. (Nem li o resto). Só mostra a estirpe do Alexandre Henriques. O ministro ou mais propriamente ganharam até aqui esta batalha de uma guerra suja que está longe de ter acabado e que os professores persistentes, que não os que como o Alexandre Henriques parecem já ter baixado os braços irão ganhar mais cedo ou mais tarde esta guerra como já ganharam muitas outras.

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