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Testes rápidos: uma semana depois, as escolas continuam sem orientações. DGS garante que “tudo será explicado a seu tempo”

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Dirigentes escolares continuam sem nada saber sobre a realização de testes rápidos de antigénio nos estabelecimentos de ensino. Nos lares, continuam a contar que há quem os faça, mas pagando-os. Uma semana depois de ter entrado em vigor o decreto relativo ao estado de emergência e a norma que prevê o uso deste tipo de testes, os responsáveis por estes estabelecimentos e instituições desconhecem qualquer alteração ao habitual procedimento de testagem. Nem receberam qualquer informação adicional sobre o assunto. Mas a Direcção-Geral da Saúde (DGS) já fez saber que vai enviar essas informações, “a seu tempo”.

“Não existe desarticulação, existe uma operacionalização e implementação progressiva que, com as equipas de proximidade, junto das escolas, dos lares, tudo será explicado a seu tempo, à medida que os testes irão ser implementados e utilizados”, disse Valter Fonseca, director de serviços da qualidade da DGS, em declarações à RTP.

O mesmo responsável acrescentou: “Há uma relação de proximidade entre as escolas e as equipas de saúde escolar e as autoridades de saúde locais que estão, progressivamente, em conversações para que seja claro a forma como estes testes vão ser utilizados sobretudo em situações de surto, mas penso que é importante referir que a sua utilização deve ser feita com critério, não deve ser feita em massa. A utilização nas escolas, mesmo nessas situações, deve ser feita sempre que existe uma suspeita de surto ou sempre que existam casos suspeitos de covid -19”.

Mas essas explicações ainda não chegaram, e no terreno os dirigentes escolares não registaram qualquer mudança: “Os testes rápidos ainda não estão a ser usados nas escolas, estamos à espera de indicações. Vimos o anúncio do primeiro-ministro, depois o decreto, que chegou às escolas, agora estamos à espera de orientações, quer para testes rápidos, quer quanto à possibilidade de medição de temperatura, mas sobretudo em relação à realização de testes rápidos. Não há nenhuma alteração nos procedimentos que temos estado a adoptar até agora”, diz ao PÚBLICO o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, notando que, “até agora, quando há uma situação de suspeita”, a escola avisa “o encarregado de educação e a autoridade de saúde local, e o aluno é encaminhado para uma unidade de saúde para eventualmente fazer um teste, este é o procedimento e não há qualquer alteração”.

Filinto Lima não tem dúvidas de que “a realização dos testes rápidos é uma medida positiva que carece”, no entanto, “de ser implementada”: “Precisamos de esclarecimentos, em que circunstâncias, quem os realiza, quando podem ser feitos. O decreto diz que nós determinamos a realização de testes, mas com base em que critérios? Não sei. Em que circunstâncias? Quem os faz? Há uma série de dúvidas que têm de ser esclarecidas. Gostaria que a tutela esclarecesse estas dúvidas no mais curto espaço de tempo possível. Até porque tornará as escolas mais seguras.”

O decreto prevê não só que possam ser sujeitos à realização de testes de diagnóstico “os trabalhadores, estudantes e visitantes dos estabelecimentos de educação e ensino e das instituições de ensino superior” como que o “responsável máximo do respectivo estabelecimento” determine a realização de testes.

O presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, Manuel Pereira, também confirma que nada sabe sobre testes rápidos de antigénio e que não recebeu qualquer informação nova, “especificamente para escolas”, na sequência dos documentos que entraram em vigor. “Não sabemos de nada ainda, de nenhuma alteração ao procedimento habitual, não nos deram nenhuma informação adicional. Mas não considero preocupante, porque a nossa relação com a autoridade saúde [local] é rápida e próxima, e eles farão o que entenderem. Pode haver alguma articulação com a autoridade saúde local nesse sentido, mas nós não sabemos de nada.”

O decreto também estipula, entre outras situações, que possam ser feitos testes a trabalhadores, utentes e visitantes de estruturas residenciais para idosos. Mas, mais uma vez, nos lares, não parece haver mudanças a registar em relação ao que se tem passado até agora.

O presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos, João Ferreira de Almeida, diz ter conhecimento de que, “pontualmente, há um ou outro lar que está a fazer testes rápidos”, mas suportando os custos. Já enviou, por email, perguntas à tutela sobre este tipo de testes, nomeadamente sobre se podem ser feitos pelos profissionais de saúde dos lares. Quanto a testes a visitantes, nada sabe. Confirma que há lares que testam funcionários, sendo que “a frequência não é a mesma” em todas as instituições, e que os utentes são testados quando apresentam sintomas. Tanto quanto sabe, nem a norma da DGS, nem o decreto que regulamenta o estado de emergência, ambos em vigor há uma semana, alteraram, para já, os procedimentos de testagem adoptados nestas instituições até agora.

O presidente a Confederação Nacional das Instituições Particulares de Solidariedade Social, Lino Maia, também confirma que não lhe chegou qualquer “informação adicional sobre mudança de procedimentos na testagem que é feita nos lares” – até agora, explica, sempre que há casos suspeitos ou surtos informa-se a autoridade de saúde local e os testes, que têm sido feitos, têm sido os moleculares que vão para laboratório. “Estão a ser feitos os testes normais de forma mais ou menos sistemática e organizada, gostaríamos de mais, mas não está a correr mal. Em alguns casos, estão a ser feitos os rápidos, mas por iniciativa das próprias instituições”, diz, acrescentando que, nesses casos, os custos têm sido suportados pelos lares. Também confirma que nestas instituições há testes a serem feitos a utentes, trabalhadores e dirigentes, mas quanto a visitas nada sabe.

Fonte: Público

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