Quando falo nestes pequenos seres feitos de açúcar, parece tudo bem docinho e apetitoso, não é? A verdade é que até o açúcar pode ficar amargo.

Os temidos 2, estendidos aos 3 anos de idade… não é nada mais nada menos do que, um adolescente em miniatura. É pois.

Safira sabe exatamente como puxar até ao limite da paciência. A sua instabilidade emocional acaba com a minha insanidade. Até que nesse piscar de olhos, vira a pessoa mais amorosa, enche-me de carinho e de desenhos.

Os calções vermelhos, ficam absolutamente bem nas suas pernas rechonchudas. Mas hoje, ela insiste que estão largos e que fazem comichão.

Hoje, ela insiste na sua ternura dos 3 anos de idade, que as meias têm que ser as amarelas com bolinhas pretas, que vão até ao joelho. Relembra que as brancas pelo tornozelo, são feias e para bebés.

Hoje, o salmão do jantar de ontem |Segundo as suas palavras| já cheira a peixe. Ontem cheirava bem.

Em 10 minutos mudou de ideias quanto ao lugar onde queria ir: ora ao parque, ora à atividade de artes plásticas. Durante esses 10 longos minutos, choramingou porque não quer ir no carrinho, quer ir de scooter.

E a mãe que folheia um livro de como ser mãe, nos intervalos da sua profissão de mãe? Procurando respostas para estes comportamentos que certamente voltarão daqui a uns anos, na fase da adolescência?

Não sei qual é pior… um Hitler em miniatura ou um adolescente Hussein. Estou a exagerar não estou? Melhor recomeçar…

A verdade é que não há respostas. Isto acontece porque está irritada, está aborrecida, está com dificuldade de exprimir o que quer e está com a paciência esgotada. (Também eu estou) mas eu sou adulta com calos e sei controlar as minhas emoções.

Nesta fase da desobediência e da independência, eles estão a formar a sua identidade.

Volta e meia diz que me adora. Volta e meia diz que me odeia. Há meia hora atrás queria banana para o lanche. Agora já não quer. Quer uma maçã. Não pede de mansinho. Pede choramingando. Joga-se no chão.

Faz parte.

Ela e tantas outras elas e eles, são como fogos de artifício…fazem barulho e podem ser intermitentes, mas são lindos de se ver. Enfastiada. Choramingona. Embirrenta. Com um temperamento acima do permitido.

Os ternurentos 3 anos de idade, que de ternurentos têm pouco, apressam a minha velhice.

A disciplina chama-se: nem tanto ao mar, nem tanto à terra. E aí retardo a minha velhice por uns minutos e atiro Safira aos 4 anos de idade.

Hora do banho. Não quer lavar o cabelo. A água está muito fria, quando está quente. Não quer o pijama do Olaf, quer o da Barbie.

Hora do jantar. Não gosta de nada do que está no prato. Diz que não tem fome. Joga o prato no chão, e o cão encarrega-se de ajudar a limpar. Irra!! Safira está mesmo salgada hoje!

Siga para o sofá. Hoje falta-me o dicionário para entender a língua que fala, esta miniatura.

Deita-se no sofá e ainda faz uma guerra, porque sentei-me no lado do sofá que lhe pertence. Aqueço-lhe o leite. Abafo-a com uma manta. Arrefece-se o temperamento em frente da TV.

Neste mega até amanhã, enquanto levo a bolsa às costas, recebo um beijo em dobro e um ‘I love you’’ sorridente. Os 3 anos até conseguem ser ternurentos…quando já falta gasolina e o canal dos Cbeebies está ligado.

Querida mãe, veja se adoça sua filha, para que eu amanhã, entre com o pé nos 4 anos de idade.

Quem mais, lida com os (des)temidos 3?

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