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Terapia De Grupo Para Professores

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Costumo dizer que os professores deviam ter momentos de terapia de grupo, de profundo desabafo, brinco (?) mesmo que os serviços de psicologia deviam contemplar um divã para os docentes. É quase inevitável não constatar a saturação e intolerância dos professores em muitas reuniões de final de ano, como se existisse uma ordem de trabalho que incluísse uma catarse individual.

O artigo que se segue é um exemplo do que acabei de referir. Enquanto professor, mas principalmente enquanto Pai, preocupa-me muito o estado emocional dos nossos colegas professores.

Que as férias cheguem depressa. São mais que merecidas 😉


Estou Farta!

Ainda não sei bem se é a idade que resolveu pesar um pouco mais ou se eu deixei de ter paciência para uma série de idiotices, mas hoje parece que o cansaço me arranca lágrimas de desespero. Mais uma semana na escola, embrulhada nos papéis, nas burocracias que nascem umas das outras e se vão alastrando como monstros que assombram um ano que nunca mais termina. Sem tempo, arrasto-me quase a pensar que vou desistir, vou entregar este peso do mundo que parece que trago nos ombros. Mas agora estou a fazer o que só a mim cabe, sorrir a escrever. Não tive tempo, como é possível!!! Escrevo, pois sinto uma necessidade de expulsar esta angústia que quase me impele a desistir. Tento perceber que contributo surreal acham que estamos a dar, que implica neste momento a sanidade mental de quem quase não aguentava até ao final um tão conturbado ano lectivo, e nunca mais consegue respirar no meio de reuniões que não terminam, de emails infinitos e mais relatórios, projectos e projecções de flexibilidades. Não senhor secretário da educação, não se fazem papéis, são mais lençóis com garantia de nunca mais acabarem e muitos episódios pela frente, de um drama que enfrentamos porque de coragem somos feitos e resiliência é o nosso apelido. Poucos seriam capazes de retirar todas as pedras que aparecem no caminho diariamente e, seguir a tentar renascer a cada hora, acreditando que desistir não é o caminho e tentar pode ainda fazer-nos chegar a um porto de abrigo onde terá valido a pena esta caminhada. Acredito que sim, pois o tempo é o poder mais capaz do mundo e vai ser ele a fazer justiça. Esta noite, é uma daquelas em que estou intolerante, assim quem não sabe pelo que passamos não pode achar-se com qualificações para entender as nossas cicatrizes. O temporal que se abate sobre as escolas vem apenas testar quão profundas são as raízes que nos fazem resistir e fazer da derrota uma opção e não uma situação inevitável. Só se mudaram algumas certezas, o essencial que nos faz professores permanece.

E o tempo será o maior de todos os professores.

Maria do Rosário
Professora do 2º Ciclo do Ensino Básico

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1 COMENTÁRIO

  1. Como dizia uma amiga, quando nos mandarem atirar pela janela do 2º andar porque é muito flexível, muitos professores ainda perguntarão se é de cabeça ou de pés.

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