Início Editorial “Tenho mais tempo de serviço, escolho as turmas em 1º lugar!”

“Tenho mais tempo de serviço, escolho as turmas em 1º lugar!”

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Estamos numa fase decisiva do próximo ano letivo, não parece mas é verdade. É a fase em que ocorrem reuniões para se formar o “bolo” que será cozinhado no próximo ano. Falo da distribuição de serviço.

Tem sido prática comum, pelo menos nas escolas por onde passei, que o primeiro critério para a distribuição de serviço seja o tempo de serviço. Este critério não consta da lei, nem é referido por parte da tutela. Trata-se de um critério criado pelos professores e com a conivência das suas direções.

Compreende-se. Quem é da casa “merece” uma especial atenção como retorno dos muitos anos de dedicação à escola. As aspas que coloquei indiciam a minha posição, pois… o merecer é algo muito subjetivo e posso até questionar se o avaliador desse merecimento, merece esse estatuto… As ligações internas são naturalmente mais fortes pelo tempo de convivência laboral e já agora pessoal, ou mesmo pela oposição interna que irá surgir, em virtude de não se satisfazerem certas vaidades…

Aquilo que é visto como uma “gentileza” no início, com o passar do tempo começa a ser encarado como um direito adquirido, e daí a ouvir eu só quero turmas que não estejam em anos de exame, ou eu só quero turmas de secundário, ou eu não quero dar aulas a cursos, é um tirinho. E assim se cria uma rede promiscua de interesses internos.

Os que chegam mais tarde não podem juntar-se ao festim de seleção das melhores turmas. Não estão à altura e têm que penar a bem penar para entrarem sequer na mesma sala. São culpados da sua precariedade laboral e de andarem a saltitar de escola em escola, felizes e contentes. Esses malandros…

Sou um claro defensor da distribuição de serviço feita pela Direção, sim, existem inconvenientes, mas quem manda deve fazê-lo, bem ou mal, deve fazê-lo. Não me choca que os professores indiquem as suas preferências, até é conveniente para manter mínimos democráticos e de convivência salutar.

O problema é quando se quer ser mais papista que o papa e se escreve preto no branco que quem é mais experiente, antigo, o que lhe quiserem chamar, manda. É que existem hierarquias dentro das escolas, mas que eu saiba a antiguidade não é uma delas…

Graduação profissional

Curioso como muitos criticam as hierarquias que existem dentro das turmas e o seu aproveitamento por parte de alguns alunos. A dificuldade de se verem ao espelho não reconhecendo o tamanho dos seu umbigos é mais uma manifestação dos seus princípios, Eu trabalho para me servir, eu não trabalho para servir…

Mas não fica por aqui, estes mesmos Umbigos são os primeiros moralistas internos. Criticam tudo e todos de peito feito, quais galos com cristas levantadas. Gozam, humilham, atormentam quem fica com os restos e que sofre a bem sofrer as diabruras dos meninos traquinas. É ouvi-los… Ai se fosse eu…, No meu tempo ai deles que levantassem a voz, ou como é possível haver tanta indisciplina???

Cobardes meus caros, sois uns cobardes, desçam do cavalo real e venham lutar onde doí mais. Se não o querem fazer, ao menos calem-se e rastejem de volta para a vossa gaiola dourada e ocupem o tempo em auto-contemplação pois é a única forma de sentirem aquilo que julgam que são…

(artigo inspirado e dedicado a um “galo” muito particular, qualquer generalização é da inteira responsabilidade do seu autor)

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13 COMENTÁRIOS

  1. “Trabalhar para servir e não trabalhar para se servir”… já agora… “eu trabalho por prazer… o dinheiro para mim não conta”… quem ainda repete estas alarvidades ou é muito ingénuo, ou a inteligência não abunda. Qualquer ser humano é naturalmente egoísta, qualquer atitude/decisão que toma é para satisfazer, em primeiro lugar, o seu bem-estar. Claro que esta satisfação do bem-estar individual não é uma coisa objetiva, varia de pessoa para pessoa, mas qualquer pessoa coloca sempre em primeiro lugar o seu bem estar, mesmo que diga que não… ou até mesmo que esteja convencida ou que pense que não… mas bem lá no fundo, qualquer atitude que um ser humano toma é para se servir em primeiro lugar. A distribuição de serviço nas escolas será sempre um problema e nunca se conseguirá agradar a todos. Deve é haver critérios claros, objetivos, bem definidos e que sejam realmente utilizados em todas as situações. E quem deve definir esses critérios? A direção? O C. Pedagógico? O Ministério da Educação? Hoje em dia fala-se muito no perfil adequado para desempenhar determinadas funções. Mas quem é que define o perfil profissional para funções específicas? Quem é que afere se determinado profissional tem essas caraterísticas? A direção? O C. Pedagógico? E quais são as competências científicas dos elementos da direção / c. pedagógico para desenvolver estas tarefas?? É complicado…

      • Na realidade eu também gosto de ser ingénua e acreditar que as coisas podem melhorar, embora me pareça que ainda há muito a fazer… mas podemos e devemos caminhar no sentido do desenvolvimento. Quem convive quotidianamente com alunos/encarregados de educação/famílias apercebe-se que a nossa sociedade ainda está muito pouco desenvolvida (às vezes até parece que nos últimos tempos tem regredido), comparativamente à de alguns países do norte da europa.

  2. Independentemente da distribuição de serviço feita pela direcção, a primeira prioridade deve ser sempre a continuidade pedagógica. Está escrito. Claro que há excepções, como a relação estabelecida entre alunos e professor. Infelizmente, há sempre formas de contornar este princípio.

  3. No meu grupo disciplinar somos apenas duas professoras, numa escola com falta de alunos. A minha colega escolheu as 3 turmas do secundário (regular). Eu fiquei com o resto: um 7º, um 8º, um 9º e 4 turmas de vocacionais de anos e disciplinas diferentes. Ao todo lecionei 7 turmas / 7 níveis. Todos os anos este cenário repete-se. Até já tive mais turmas! O desgaste psicológico com as turmas de vocacionais é enorme. A minha colega é mais velha 5 meses e, apesar da diferença de idade ser pequena, impera a regra da escolha do professor mais velho. Não devia o “mal” ser distribuído pelas aldeias? Como pode a direção pactuar com isto?

  4. Boa tarde!
    Revejo-me em todos os parágrafos, frases e palavras deste artigo! E nem sabe o quanto… Ano após ano, mais do mesmo. Por isso subscrevo o artigo, a negrito!!!
    Força Alexandre! (Estou no mesmo barco…)

  5. Subscrevo e assino por baixo este artigo… O tempo de convivência acaba por fortalecer relações e fomentar alianças que são direcionadas na defesa dos interesses que integram essa irmandade. Os desgraçados que estão condenados a saltar de escola em escola ficam sempre com o serviço que ninguém quer e com as turmas mais difíceis… Muitas valem-se da antiguidade para perpetivar a escola como propriedade sua e não como um bem público ao serviço daqueles que pagam impostos de modo a garantir-lhes os ordenados… Manobram tudo e, se alguém as incomoda por motivos que lhe são alheios, encarregam-se de demonstrar através de sinais bastante sutis que essa pessoa não é desejada, tendo elas a pretensão de poder escolher quem deverá ficar a trabalhar na escola… Quem coloca os professores ainda é o Ministério da Educação e ainda existe uma lista graduada, felizmente, pois não são essas senhoras as pessoas mais adequadas para julgar e avaliar o trabalho dos outros…

  6. O nosso sistema educativo está em maus lençóis porque, como mostram muitos colegas, pensam unicamente no seu umbigo. Se pensarmos todos assim que educação teremos? “O ignorante não é apenas um lastro, mas um perigo da embarcação social.” – Cesare Cantú

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