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“Tenho 27 Equipas No Teams” | “Tenho Mais De 30 Salas No Classroom”

Talvez por estarmos na Páscoa, tenho a esperança que mais cedo ou mais tarde vamos ver a luz e entender que fazer bem não obriga ao registo de tudo o que é feito, seja no ensino presencial, seja no ensino à distância

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Bip bip…

“O meu telemóvel não para de tocar, são notificações atrás de notificações…”

Seja dia da semana, feriado, fim de semana, ou até dia de Páscoa, foram vários os professores que se queixaram nas redes sociais, além de mensagens que foram enviadas para o ComRegras, de que nas últimas semanas o ensino à distância invadiu de forma abusiva o seu espaço e tempo de lazer. Muitos afirmam que têm o dobro e o triplo do trabalho quando comparando com o ensino presencial, algo preocupante pois estamos a falar de uma classe envelhecida e em burnout.

Antes que comecem a criticar o facto dos professores estarem a queixar-se e que deviam ter vergonha porque os médicos isto e os enfermeiros aquilo, afirmo desde já que essa argumentação nem merece contestação. Nenhum profissional, independentemente da área, deve ter o direito ou o atrevimento de se queixar, tendo como ponto de comparação aquilo que os nossos heróis estão a fazer nos hospitais.

Mas este artigo não é para fazer comparações entre profissões, é para alertar para os perigos da burocratização no ensino à distância. Por isso, para os mais nervosos, respirem, bebam água e se quiserem continuem a ler…

Avancemos…

Mudar toda uma estrutura pedagógica obriga naturalmente a um esforço suplementar e acredito que estamos ainda no início de um processo que seguramente será otimizado. O verdadeiro ensino à distância irá começar amanhã, pois as últimas semanas do 2º período mais não foram do que um remendo que serviu apenas para chegar à Páscoa, apesar de alguns excessos de alguns professores mais “zelosos”…

Existem várias plataformas para o #EstudoEmCasa e cada escola está a implementar a que melhor se adapta aos seus professores e alunos. Porém, as queixas começam a surgir com maior intensidade, pois para a mesma turma podem existir diferentes “salas”, ou diferentes “equipas”, o termo em si é irrelevante.

Basta que para cada conselho de turma exista uma sala só para professores, uma sala para todos alunos e professores e uma sala do professor da disciplina com os seus alunos, para multiplicarmos por 3 as pastas partilhadas. E depois podemos ter salas/equipas para trabalho em flexibilidade curricular, por grupo disciplinar, por departamento, por conselho pedagógico, direção, conselho geral e afins.

Sempre que numa destas salas ocorre uma novidade, surge o “bip bip” do telemóvel ou o teimoso do email que persiste e insiste, seja de manhã, tarde, noite ou madrugada. Se somarmos aos professores que existem num conselho de turma, os alunos dessa turma, multiplicando por todas as turmas que cada professor tem, facilmente se concluí que ou se otimizam os processos, ou rapidamente as pessoas vão mandar as notificações e os emails para um sítio menos bem frequentado…

E depois temos aquela necessidade, aquela vontade incontrolável que talvez só Freud consiga explicar, do professor e a sua grelha. Se o professor fosse um bebé diria a sua chupeta, pois é isso que parece, uma chucha… Para onde ele vai a chucha tem de o seguir, é uma cruz ou uma forma qualquer de masoquismo primário…

Talvez por estarmos na Páscoa, tenho a esperança que mais cedo ou mais tarde vamos ver a luz e entender que fazer bem não obriga ao registo de tudo o que é feito, seja no ensino presencial, seja no ensino à distância. E se o principio da desburocratização estava lentamente a penetrar a dura carapaça de muitas escolas, o ensino à distância veio atrasar esse processo, ironicamente fazendo o oposto do propósito da tecnologia, ou seja, simplificar-nos a vida, permitindo-nos ter mais tempo para aquilo que é realmente importante, seja a título profissional, ou a título pessoal.

Bip bip…

Um bom regresso para todos!

Alexandre Henriques

6 COMMENTS

  1. E verdade isto é de loucos ! Só ontem dia de Páscoa recebi Mail as 9 da manhã de colegas que queriam marcar atividades para o 3 período !!! E mais recebi 112! mensagens no what’s do departamento !!! Entre as 19 e 21 !!! Esta tudo louco só pode ! E mais chegou se a conclusão que era preciso esperar por hoje afinal ! Tirem me deste filme! Porque hoje continua e grupos de departamento e grupos de ano / turma por favor eu não consigo ter o telemóvel inundado com mais conversas de manhã a noite

  2. Deixar isto nas mãos das escolas é o que dá. Não falta já quem se ponha em pontas de pé para o martirológio. Existem os adoradores da palha, à falta de fszerem coisa melhor produzem palha a toda hora, gerando angústias e doenças em pessoas normais. O ME como não sabe resolver nada atira a bola para os miúdos no recreio e eles que se entendam. Para variar a Madeira é que sabe mais uma vez fazer as coisas com cabeça, lá a telescola é até o secundário. Sem parafernálias que infernizam a vida a professores, alunos e pais. O continente se for capaz que aprenda.

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  3. Ensino à distância ou prisão à distância?
    O terceiro período parece chegar como pesadelo e não como um desafio. Afinal sempre chegou o previsível tsunami digital, que passa como um cilindro sobre os diretores de turma!

  4. Já se sabia que isto ia acontecer, perante a falta de livros para ler, festivais de cinema e espetáculos on-line para assistir, pela primeira vez na minha vida, como se fosse coisa de vida ou morte, recebi um mail com proposta de trabalho, pressupondo que seria visto, no domingo de Páscoa. Os professores estão de quarentena mas não de pulseira eletrónica, podem ser livres dentro das suas casas. Se há quem se entregue ao trabalho de cabeça, toda a gente é sugado para o fazer também. Ou se é ou não se é. Ninguém pode ficar para trás. Há quem seja um talento perdido como secretário administrativo mas porquê travestir professores em secretários administrativos? de tanto formatar professores em assistentes administrativos qualquer dia já ninguém sabe o que é um professor. Quem pára isto?

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