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Tempo de Natal, tempo de compras.

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As relações humanas são e serão sempre as menos fáceis, uma vez que – e ainda bem – somos todos diferentes, porém deveríamos, até por isso, unir as diferenças que obstam à construção de um tempo melhor, com mais futuro, ligando sempre ao passado e vivendo-o no presente, mas por norma não o sabemos nem o queremos fazer.

consumoEstando numa época – algo cíclico – em que deixámos acumular demasiadas crises, e não sabemos ou não conseguimos querer resolver uma a uma, fazemos “fugas em frente” para não enfrentar o momento e exacerbamos individualismos, com consequências imprevisíveis. Permanecendo a família – por muito que a alguns pareça um non-sense, e sem quaisquer conotações religiosas, quaisquer possam ser – a célula base mais importante do ser humano, da Pessoa, e por isso mesmo a que gera mais conflitos, é onde mais se deveria apostar em “estar”. Para daí, como porto seguro, pretendido/ assumido, se saber partir para o Mundo, que pode ser a nossa rua, ou, do lado oposto ao que nos encontramos, da Terra.

Estamos a viver um tempo, em que nos é tremendamente difícil aprender e apreender o que quer que seja com o passado, para não deixarmos morrer a História e como tal a Memória, que é o que nos distingue positivamente, de todos os outros seres que vivem nesta Terra. E, num tempo de Natal, que para além de ter como base a Religião Cristã, deveria ter como fundamental a Família, com ou sem crenças religiosas, tentado fazer força para haver harmonia, e não tudo ser excessivamente “descartável”.

Estamos no tempo das “coisas”. E assim o Natal passou a ser o tempo das Compras. E, enche-se tudo que seja local onde comprar se possa, de gente. Tudo às “compras”! Anda tudo numa loucura de “compras”, mesmo que seja do supérfluo, mesmo que o dinheiro devesse ser aplicado em outras situações que dessem qualidade de vida e não “coisas” na vida. Exagera-se nos presentes que se “tem” que dar às crianças, muitas, achando mais piada ao embrulho que ao conteúdo. E até já não se compra roupa para usar, mas mais para mostrar, isto, vale para todos, adultos e crianças e até animais de estimação. E andamos todos a confundir Família com Coisas, com Compras. E queremos todos mais receber que dar.

Talvez, seja tempo de repensar o que queremos “ser” sem “ ter que mais ter”, mas com qualidade de vida, com carinho, com amor, com harmonia, e ter Natal para ser e não para Compras fazer. Ou não!

Augusto Küttner de Magalhães

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