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“Temos um ME muito mal habituado – e, neste âmbito, a culpa é dos professores”

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(comentário ao artigo Os Computadores Privados Dos Professores – Orlando Farinha)

Em favor ou em desfavor… é coisa que já não me afecta pois que a crítica aos professores e os atentados à sua dignidade continuarão… Assim, e como já por aqui ando há mais de 30 anos, movem-me apenas as questões de justiça e de equidade… seja em relação a quem for e a qualquer estrato/ grupo / comunidade populacional e profissional…

Eu já falei disto (de resto, há muito que falo nisto e como eu outros o terão feito). Ainda há pouco tempo, em Março, o Alexandre, simpaticamente, publicou um artigo meu.
Neste, não só equacionava a questão em apreço (que não, não é menor!) como a relacionei com muitos outros aspectos da Educação, desde as profundas desigualdades sócio-económicas que a Escola deveria, tudo fazer para debelar (por forma a que os que não nasceram em berço abonado tivessem as mesma oportunidades que estes últimos) e que as iria – infelizmente – incrementar; como a incapacidade de planeamento e de visão e o forte desinvestimento de que a Escola Pública tem sido alvo!

A propósito do assunto em apreço e para além do que já foi referido (e que também já referi) acrescentaria a aquisição e renovação de licenças (diversificado software); a necessidade de substituir equipamentos e acessórios que vão ficando obsoletos e/ ou degradados,…, Sem que nada disto possa, SEQUER, ser dedutível no IRS de um professor que, em exclusividade, serve a Educação Pública!
Temos um ME muito mal habituado – e, neste âmbito, a culpa é dos professores … que cada vez mais, mais lhes é exigido e NADA lhes é agradecido – subtraindo aqui os discursos políticos de ocasião… que a falsidade e a hipocrisia de nada valem!
Imagine-se chamar o canalizador a casa e ele ser obrigado a pagar a que precisou dos seus serviços na sua casa, despesas de deslocação+ reparação+materiais.
Fazendo um paralelismo com a saúde pública e o já mais que debilitado sistema de saúde (tal como nas escolas, resultado de décadas de desinvestimento que serviu para enriquecer outros)… será que os utentes achariam legítimo que para o exercício da sua profissão os médicos tivessem que pagar os instrumentos/ materiais/equipamentos?

A isto em concreto poderia chamar-se requisição civil de bens privados…

Já agora pensem, pois eu também tive que o fazer… Que razão e/ ou razões para decretar estado de emergência e não estado de calamidade pública: todas as medidas tomadas até aqui, poderiam ter sido tomadas no âmbito do estado de calamidade pública… mas queriam chegar mais longe: aos trabalhadores: proibição de greves (bizarro que num momento destes fossem convocadas… mas, nada como assegurar), afastamento das organizações sindicais das negociações, proibição de organização de trabalhadores,…
O estado de emergência até faria sentido… para que num momento destes ( e da gravidade de todos os subsequentes que se estenderão no tempo) o estado OBRIGASSE os bancos (que todos andamos a sustentar) e não aquilo que faz: PEDIR ; que aproveitasse o estado de emergência para rever os milhões a mais que pagamos às PPP bem como os termos dos contratos; que aproveitasse para rever as rendas astronómicas que todos andamos a pagar para que alguns possam enriquecer vergonhosa e despudoradamente; que tratasse da “maltinha” que já anda a preparar-se para pedir indemnizações (tipo brisa e similares); que acabasse com uma série de Institutos públicos e os integrasse nos serviços do estado ( de onde nunca deveriam ter saído); que acabasse com uma série de empresas municipais e integrasse o pessoal nos vários serviços das Câmaras; que pudesse fim a todo e qualquer perdão fiscal aos grandes grupos económicos e a gentes milionárias; que criasse equipas especializadas para seguir o rasto do dinheiro que devia ser pago no país; que pegasse em empresas estratégicas para o país e as nacionalidades; que acabasse com uma série de MORDOMIAS de políticos, gestores públicos, membros/ secretários/assessores… governamentais, regionais e municipais; … , POIS! NISTO O GOVERNO ESTÁ QUIETINHO!

Para que serve, então, o estado de emergência se o que deveria ser feito, para além suprimir direitos aos trabalhadores, não o é?
Pensemos… pois as opções não são inocentes!!!

J.F

13 COMMENTS

    • Obrigada, Francisco!
      Precisamos ser muitos mais e, sobretudo, precisamos assumir e reclamar mais fora da sala de professores e fora dos pequenos grupos protegidos… onde nada adianta … precisamos organização!

  1. Bom ! E quem vai pagar a net que os professores tem usado e continuam e continuarão a usar ? São os professores ? Pois claro! E falam em recursos e mais recursos mas ninguém acha que se deve falar dos custos da net de cada um e dos seus computadores pessoais ! As empresas adquiriram para os seus trabalhadores poderem usar em casa e nos ? Nem se ouve os sindicatos !!!

  2. Pois, é tudo verdade. Mas quando vejo Colegas entusiasmadíssimos, enviam mensagens a todas as horas. Não respeitam tolerância de ponto, feriados! O que esperam?

    • E depois Luís também tenho que comprar PC, impressora para dar aulas, pagar a Internet. Já tu deves ser daqueles que nada faz e tem excelente. Deves ser o lambe botas da direção

  3. “Inexcedível” é o adjetivo usado pelo ministro em relação ao trabalho dos professores no ensino à distância. Mas o reconhecimento tem de ser materializado porque na caixa do supermercado não aceitam o “inexcedível”, nem a EDP, a Galp e outros tantos bens e serviços. Vá dizer “inexcedivel” a todos que estão na lista de espera dos 4º/6º escalões, a todos que perderam 6 anos de carreira mantendo-os estacionados 3 a 4 escalões abaixo do que deviam estar e a todos que a partir de 2021 vão ficar outra vez congelados, cortados no salário e provavelmente ‘mobilizados’ por causa da calamidade económica que reduziu o OE e da m**** de solidariedade europeia.
    E depois verá se eles estão assim tão satisfeitos por serem “inexcediveis”…

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