Home Editorial (Tel)Escola nas interrupções letivas? Mas alguém pensa nas crianças?

(Tel)Escola nas interrupções letivas? Mas alguém pensa nas crianças?

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Há quem não goste do termo férias, mas se esta interrupção letiva vai ser compensada nas férias do Carnaval, Páscoa e final do ano letivo, estas duas semanas são efetivamente férias para os alunos, ou deveriam sê-lo.

Há porém quem não concorde, há quem prefira que os alunos mantenham uma ligação com a escola, algo que até compreendo pois o confinamento obriga a uma ocupação constante dos alunos/filhos e quem é pai e tem memória, sabe o quanto é difícil manter certos “cavalinhos selvagens” ocupados.

Pelos vistos a Telescola não parou e pelos vistos até quintuplicou a sua audiência, algo que não era muito difícil pois a audiência foi nula ou praticamente nula nos últimos meses.

Tudo bem, não me oponho que se ocupe as crianças/jovens em período de férias com a Telescola ou atividades escolares se o ponto de vista de desenvolvimento for meramente educativo/escolar. Porém, não o é, se fosse criança ou se fosse jovem, e se me dissessem que durante o Carnaval iria ter aulas, que as férias da Páscoa iriam ser mais pequenas e que as aulas iriam prolongar-se até agosto, vos garanto que faria questão de não fazer nada para a escola durante estas 2 semanas, ou ficaria muito chateado se me obrigassem a ir à escola durante as férias.

Não nos podemos esquecer que a escola também cria desgaste nos alunos, também os satura e sem os amigos, as conversas, os namoricos, a escola para os miúdos é como comer comida sem sal. Nós somos muitas vezes uma seca aos olhos dos mais novos, os conteúdos são muitas vezes uma seca, datados, desadequados à realidade, desajustados à faixa etária do aluno.

Enquanto professores temos por isso um enorme desafio pela frente, tornar o ensino à distância o mais estimulante possível, sabendo à partida que a parte mais atrativa da escola não estará lá. Durante as aulas, não me chocaria e até julgo benéfico, que existam momentos informais, de conversa salutar entre os alunos/professor, para que “matem” um pouco das saudades que vão sentir uns pelos outros. Não vai ser fácil, lembremo-nos todos que vamos começar o ensino à distância com 15 dias de confinamento em cima, fora os milhares de alunos que já estavam confinados quando foi decretado o confinamento.

É muito triste ver uma geração de miúdos tão novos a abdicar de parte da sua infância e adolescência, muito triste mesmo, por isso cabe-nos a nós, pais e professores, ter a capacidade de nos colocarmos nos seus sapatinhos. Se o fizermos, seguramente que sabendo o que sabemos, iríamos perguntar aos adultos deste país “E se fosse consigo? Aceitaria trabalhar durante as férias?”

Pois…

Alexandre Henriques

A nova telescola tem cinco vezes mais audiência desde a suspensão das aulas

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