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Suécia: Sem confinamento nem máscaras. Não há vislumbres da segunda vaga

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A Suécia é agora dos países europeus a ter menos casos diários e menos mortes. O seu estratega mantém que tinha razão: “Fazer quarentena é como tentar matar uma mosca com um martelo”

O país nórdico que, desde o início de pandemia, recusou alinhar num confinamento total para depois voltar a abrir portas, também está a registar valores da Covid-19 semelhantes aos de março. Mas no bom sentido. Ou seja, contas feitas esta terça-feira, 15, a média semanal está nos 108 casos. Mais: as aulas começaram há um mês e nem por isso houve um aumento generalizado de contágios. Daí que o seu estratega, o controverso epidemiologista Anders Tegnell, e a sua equipa, refiram agora estar a colher os resultados do investimento feito, em contramão ao do resto do continente, onde os casos continuam a subir, apregoando-se que isto é só o início da segunda vaga.

Os números oficiais dizem ainda que a média de novos casos na Suécia, em 14 dias, é de 22,2 por cem mil habitantes, valor muito abaixo da maioria do resto da Europa. Portugal, por exemplo, regista uma média de 64,1. E por lá, as mortes também estão agora perto do nível zero. Daí que o governo sueco esteja a anunciar o levantamento, no final do mês, das restrições nos lares de idosos. E demonstre publicamente não recear a tão temida segunda vaga.

“No final, veremos que diferença fará ter uma estratégia que seja mais sustentável, em vez de uma abordagem em que se fecha tudo, depois abre-se e fecha-se uma e outra vez”, salientou, para depois considerar, prossegue Tegnell, citado pelo The Financial Times, que “fazer quarentena é como tentar matar uma mosca com um martelo.”

Isto para dizer que nem confinamentos gerais nem sequer o uso de máscara é recomendado na Suécia. Além disso, também nem agora nem nos piores momentos da pandemia no país – que chegou a ter das maiores taxas de mortalidade da Europa – foram fechados quaisquer estabelecimentos ou serviços. Muito criticado internacionalmente, Anders Tegnell volta a defender a estratégia que definiu – apenas continha alguns erros. E a dúvida metódica já se repercute um pouco por todo o lado: será que, afinal, a sua estratégia está a resultar?

“A doença vai estar connosco muito tempo e temos de aprender a viver com ela”

Anders Tegnell, outrora um nome que não se podia sequer invocar, tem-se mesmo desdobrado em entrevistas a assinalar “as virtudes e sustentabilidade da estratégia adotada”. À France 24, disse mesmo: “Não defendo proibições ou obrigatoriedades em saúde pública. Temos que dar responsabilidade às pessoas.”

Foi a contar com isso que, no pico da pandemia e ao contrário de muitos outros países, a Suécia fechou escolas para os maiores de 16 anos, mas manteve abertas as dos alunos mais novos. Também proibiu as reuniões de mais de 50 pessoas e disse aos maiores de 70 anos – e em grupos de risco –para se autoisolarem. Quanto aos outros 10 milhões, pediu-lhes apenas para aproveitarem ao máximo o ar livre e trabalharem de casa sempre que possível. Acusado de estar a tentar alcançar uma rápida imunidade de grupo, Tegnell retorquiu sempre que não – embora, depois, tenha questionado se valeria a pena tentar estancar a propagação para tentar evitar “apenas 10 por cento da mortalidade dos mais velhos”.  

Agora, que o governo anunciou que deverá levantar a proibição de visitas aos lares já em outubro, o aplauso à estratégia do país chegou também por Johan Carlson, o diretor geral da agência de saúde pública local. “O objetivo da nossa abordagem é que as pessoas compreendam a necessidade de seguir as recomendações e orientações que existem”, disse. ” E que não existem outros truques antes de medidas médicas, principalmente vacinas, ficarem disponíveis. A população sueca tem levado isto a sério”.  Ao The Guardian, Anders garante ainda que nada disto significa que se está a baixar a guarda. “A doença não desapareceu. Vai estar connosco durante muito tempo. O que temos de fazer é aprender a viver com ela”.

Fonte: Visão

9 COMMENTS

  1. Como estaria Portugal se tivesse centenas de mortos nos primeiros dias de pandemia? Por outro lado não é bem verdade essa história do não confinamento e do não cumprimento de regras. A questão é cultural. Eles cumprem as regras e fazem o seu auto confinamento. O que não acontece com a europa do sul incluindo Portugal. Não precisam de imposições

    • Não é verdade, não houve auto-confinamento, as lojas sempre estiveram abertas, bares e restaurantes, discotecas. As escolas do básico e secundário também. Não há máscaras nos trasnportes públicos e pouca gente usa. A mortalidade total em Portugal aumentou mais que na Suécia. Portugal teve aumentos brutais de mortalidade, nomeadamente em Julho, por causa do confinamento e do seu efeito nas outras doenças (adiamento de consultas, cirurgias, tratamentos, etc.) O confinamento foi estúpido, não resolve nada, a própria ministra da saúde disse que o vírus se estava a transmitir em casa! Óbvio! Ou a malta tinha distanciamento social em casa? A verdade é: os portugueses foram piegas e os suecos corajosos. O epidemiologista-chefe sueco foi inteligente e com personalidade e a nossa Desgraça Freitas é uma tontinha.

  2. Os portugueses têm a mesma cultura e disciplina sueca? Quem dera!Com a nossa maneira de ser um pouco mais de disciplina faria de nós um País desenvolvido!Basta ver o sucesso da generalidade dos nosos emigrantes!

    • Qual disciplina? As lojas sempre estiveram abertas, bares e restaurantes, discotecas. As escolas do básico e secundário também. Não há máscaras nos transportes públicos e pouca gente usa máscara. A questão foi que enfrentaram com coragem o vírus no princípio e agora estão imunes. Nós fomos piegas, escondemo-nos em casa, tivemos menos mortos no início mas mais mortos depois por outras patologias, por causa do confinamento e nos efeitos nos serviços de saúde. Não enfrentámos o vírus e ele continua por aí. Os suecos fizeram uma “pega de caras” e venceram. Só isso. Simples. Somos piegas e a Desgraça Freitas é uma tontinha, ao contrário do epidemiologista-chefe na Suécia, inteligente, corajoso e com personalidade, enfrentou o mundo e venceu!

  3. Quantas pessoas tiveram morrer até que a Suécia tivesse bons números?! Com uma população semelhante à Portugal, mesmo Portugal tendo uma população mais envelhecida, tiveram quase o triplo de mortos por milhão de habitantes, o que a tornou no 5° país com maior taxa de mortalidade. A Alemanha e a Noruega, com medidas de confinamento, apresentam números bastante melhores que os da Suécia. Já para não falar do facto de na Suécia saberem o que é distanciamento social. Em Portugal a malta adorar tentar adivinhar a marca de perfume da pessoa que está à sua frente na fila 🙄

    • Não seja demagogo e tire os óculos verdes e vermelhos. A Suécia acertou na estratégia, o epidemiologista-chefe deles foi mais inteligente que a nossa Desgraça Freitas! A mortalidade total em Portugal aumentou mais que na Suécia. A Noruega e a Alemanha estão com segunda vaga e recessão económica. Você deve ser rico, reformado com reforma choruda ou funcionário público, nem fala nessa vertente… Portugal teve aumentos brutais de mortalidade, nomeadamente em Julho, por causa do confinamento e do seu efeito nas outras doenças (adiamento de consultas, cirurgias, tratamentos, etc.) O confinamento foi estúpido, não resolve nada, a própria ministra da saúde disse que o vírus se estava a transmitir em casa! Óbvio! Ou a malta tinha distanciamento social em casa?

      • Totais em Portugal
        Total de casos
        68 577
        Mais 552
        Recuperados
        45 596
        Mortes
        1912

        Totais em Suécia
        Total de casos
        88 237
        Recuperados

        Mortes
        5865

        Tendo a Suécia um n° de habitantes idêntico ao nosso, diga-me então como é possível que com a dita atitude correta do governo perante o vírus tenham tido mais 3900 e tal mortos do que em Portugal. Me dirá que agora o número de mortes baixo, ok concordo. Que não fecharam cafés, restaurantes, continuou tudo a trabalhar, ok também concordo.
        Mas temos que ver a forma como os suecos se relacionam, beijos só na intimidade, abraços só aos bons e velhos amigos….e em Portugal?!
        Eu penso, e até posso estar errada que se não tivesse havido o confinamento, o número de mortes seria superior, porque a forma com portugueses se relacionam é diferente, é beijinho para aqui, é abraço para ali.
        Durante o confinamento estive sempre a trabalhar
        e nem imagina a quantidade de pessoas idosas que insistiam em andar nos transportes públicos nas horas de mais afluência, quando o poderiam fazer mais tarde.
        Quero com isto dizer que o problema passa mais pela sociedade, por todos nós, que por mais que sejamos alertados, pensamos sempre que só acontece aos outros. Se houver uma mudança de atitude por parte da sociedade em relação ao vírus, não haverá necessidade de novo confinamento.

  4. Devemos reconhecer que o epidemiologista-chefe sueco foi mais competente que a nossa DGS e que eles foram mais corajosos que nós, enfrentaram o vírus de frente e agora estão imunes. O vírus é quase inofensiivo para pessoas saudáveis e toda a gente entrou em pânico, quando se devia era ter protegido os idosos. Morrem 100 pessoas por dia devido a problemas cardíacos e ninguém liga. Os “media” foram os verdadeiros culpados da onda de pânico. A Suécia acertou na estratégia e está a colher os frutos, tanto económicos como em termos de saúde pública. A nossa mortalidade total aumentou mais do que a sueca.

  5. Os dois gráficos apresentados são absolutamente iguais. Erro?
    Comparar a nossa sociedade com a sociedade sueca não é possível. Cada país sua estratégia e bem!

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