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O sucesso escolar – entre reivindicações e percursos de aprendizagem

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Uma nota algo prospetiva, a atirar para o que aí vem (ou pode vir). Diz respeito a um pensamento que me assolou no decorrer desta pausa e consiste tão somente em me questionar sobre o que esperar este terceiro período. Afinal, depois de quase tudo cumprido, isto é, depois de ⅔ do tempo letivo cumpridos o que esperar nestas 8 semanas que faltam?

Há alunos que estão marcados, rotulados, entregues a mais um ano letivo no mesmo, fruto das inevitabilidades de uma mais que provável retenção. O que fazer? Como proceder? O que esperar daquilo que falta? A retenção é inevitável?

Perante algumas inevitabilidades, reparo que muitas das causas do insucesso radicam naquilo que comumente se designa desinteresse, indiferença ao trabalho escolar. De que forma se pode contrariar esta indiferença, este alheamento e o manifesto desinteresse que muitos adolescentes evidenciam relativamente não apenas à sala de aula, mas à curiosidade, ao gosto de conhecer e perceber outras coisas, outros modos, outras formas, outros pensamentos? Até que ponto o insucesso escolar de muitos, assentes que está no desinteresse e na indiferença (e não em dificuldades específicas de aprendizagem), não evidencia formas de resistência, de rejeição aos processos de normalização que a escola persegue? Até que ponto, muito do insucesso escolar não é mais que uma forma de confronto e disputa pelas diferentes formas de autoridade e preponderância social?

São questões que, de quando em vez, perpassam por mim. Limitado e condicionado que estou no agir, integrado que estou em coletivos padronizados, resta-me esperar duas coisas algo distintas. Primeira, relativamente àquela que é a minha direção de turma (DT), puxar pelo pessoal, convencê-los que ainda há oportunidades para provar alguma coisa, que não é tempo de desistir. Não é coisa fácil, face ao objetivo que, desde o início, tenho com eles, ninguém ficar para trás. Vamos ver o que dá, o que resulta e como proceder perante as circunstâncias. Depois e como segundo desafio, mobilizar, implicar os demais alunos que, sem serem da minha DT, estão rotulados, definidos e entregues ao seu próprio destino. Perante uns e outros, como os mobilizar, como os puxar para a dinâmica de trabalho sem que perturbem ou desistam?

Para além das coisas algo pessoais há também um outro conjunto que se insinua por aí e que se relaciona de forma direta com o (in)sucesso escolar, com estas questões. Percebi, por informações oriundas da minha escola, que há por aí projetos que visam o “estabelecimento de condições de igualdade no acesso à educação infantil, primária e secundária, incluindo percursos de aprendizagem formais e não formais”? Não sabem o que é? Medidas do programa operacional regional 2020, gerido pelas comissões de coordenação e desenvolvimento regional aos quais municípios e comunidades intermunicipais se candidatam e cujos executores serão as escolas. Não conheciam? Atenção que vai ser ponto de conversa no terceiro período.

Manuel Dinis P. Cabeça

17 de abril 2017

Coisas das aulas

 

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