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Srs. Diretores, façam alguma coisa!

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tpcA prática pedagógica, nomeadamente a atribuição dos trabalhos de casa é uma área onde os Diretores por norma não se metem, até porque a sala de aula continua a ser o bunker dos professores e quem se atreve a meter o “bedelho” sabe de antemão que vai comprar uma guerra e o tempo e a vontade nem sempre estão direcionados para as questões bélicas. Existe um caso público de erradicação dos TPC numa escola em Portugal, o Agrupamento de Escolas de Carcavelos dirigida por Adelino Calado e segundo o mesmo com resultados positivos.

Não se compreende que no mesmo Agrupamento, no mesmo ciclo de ensino, no mesmo ano letivo e ao abrigo do mesmo projeto educativo, possam coabitar formas tão antagónicas sobre esta matéria. É algo que devia ser discutido internamente para evitar excessos por defeito (se é que não atribuir TPC é “defeito”) ou por excesso.

Aliás, os professores que tanto se queixam da carga excessiva de trabalho e com toda a razão, não se inibem de despejar diariamente toneladas de fichas para que crianças complementem o seu já longo dia de trabalho com mais umas cópias e continhas. É que esta de “chorarmos” só quando se trata do nosso umbigo tem muito que se lhe diga…

A carapuça não é para todos, mas é para alguns e espero que seja mesmo só para alguns. Eu que estou por dentro do sistema e que conheço bem as dores e as alegrias da profissão, acho inconcebível que existam colegas que enviem como trabalhos de casa 50 fichas, 50!!! Facto real e ocorrido bem perto de mim e na época natalícia, fruto talvez da generosidade da época.

As próprias associações de pais têm responsabilidades com a sua inoperância sobre este assunto, ainda para mais quando gastam tantas energias em assuntos somenos que apenas servem para afirmações egocêntricas.

Por fim o Ministério de Educação, que em tanta coisa gosta de limitar/opinar, mas nesta e noutras matérias que devia e se exigia que orientasse/aconselhasse impera o silêncio.

O problema é que quem tem 6,7 e 8 anos de idade não tem voz, e choram quando não conseguem cumprir com as ordens dos professores, mesmo que estejam esgotados, mesmo que o seu corpo grite por algo tão simples e tão precioso como brincar.

Ai se tivessem um sindicato por trás! Ai se tivessem tempo de antena nas televisões! Ai se tivessem assento nas reuniões onde se manda! Ai se tivessem capacidade de argumentação! Eles dizem “ai”, dizem… mas fruto da incompetência dos adultos que nem sequer são capazes de copiar os exemplos que saltam à vista aqui e por essa Europa fora.

Quando os TPC se transformam num pesadelo em tempo de férias

Maria José Araújo, do Centro de Investigação e Inovação em Educação da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, é peremptória: “As férias são para descansar!”. “Se para os adultos que trabalham férias é não trabalhar, porque seria diferente para as crianças?”, questiona esta investigadora, lembrando que as férias são “um direito” necessário a qualquer ser humano.

“Os adultos não podem condicionar esse direito ao descanso ou estarão a cometer uma ilegalidade”, sustenta, remetendo para a Convenção sobre os Direitos das Crianças, aprovada em 1989 pela Organização das Nações Unidas, onde se estipula que estas têm “direito ao repouso, a tempos livres e a participar em jogos e actividades recreativas próprias da sua idade e participar livremente na vida cultural e artística”.

Mas em idades mais precoces, como aquelas que foram alvo do nosso inquérito, a situação inverte-se e está mesmo a léguas de distância do quotidiano em França, Espanha ou na Finlândia, onde os TPC foram já abolidos oficialmente, embora nos dois primeiros países existam escolas que continuem a insistir nesta prática, o que motivou até uma greve de pais.

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Retirado do grupo Faceprof

Façam alguma coisa caramba!!!

P.S- Lembro os resultado da sondagem ComRegras sobre os TPC e sim, sei que vou contra a corrente, mas a minha consciência é sagrada e já se devem ter apercebido que gosto de escrever com o coração bem perto do teclado.

9 COMMENTS

  1. Não há nada como culpar os professores… E estão na liça, particularmente, os do 1º Ciclo… Depois do Jornal Público ter feito uma espécie de libelo contra os TPC e, indiretamente, contra os malvados dos professores que desejam a punição de crianças de 6,7,8 anos! …Segundo me parece em casa de cada um manda o próprio: se os adultos acharem os TPC excessivos porque é que não tomam a medida acertada e os deixam por fazer?… No meio de toda esta indignação nem uma linha sobre crianças que estão fechadas , algumas desde as 7 da manhã às 8 da noite, em atividades de toda a natureza que não as deixa brincar… Nem uma linha para dizer que houve uma mudança curricular radical com a entrada do professor Nuno Crato para ministro da educação … Que a partir desse data os currículos se tornaram, no 1º ciclo, absurdamente extensos e , mais na Matemática, perfeitamente desadequados à idade das crianças! Também foi esquecida a pressão enorme, direta e indiretamente, sobre os professores e sobre as escolas com os exames desde o 4º ano de escolaridade: as escolas tornaram-se ”zonas” de treino para o ”ranking”. Para além de programas extensos , feitos para serem apreendidos por uma minoria, junta-se o facto de muitas escolas do chamado ” Ensino Primário” terem turmas extensas e com mais do que um ano de escolaridade. Com tudo isto o que fazem os professores, muitos professores, aqueles que não conseguem consolidar a matéria curricular? Que dão os programas num ritmo perfeitamente estúpido para alunos desta idade? Tentam fazê-lo com a ajuda dos TPC! É justo para as crianças ? Não, é terrível! É excessivo! Mas a alternativa não é culpabilizar os professores, ou chamá-los de ignorantes com uns quantas bofetadas das academias,a alternativa é mudar toda a estrutura da chamada ” Escola a Tempo Inteiro”. É necessário criar tempos livres e não AECS. E necessário terminar o período letivo mais cedo. É necessário mudar e reduzir o currículo. É necessário criar turmas com um único ano de escolaridade…

    • Eu não discordo do que diz caro Rui, mas é verdade que a escolha existe e existem colegas que não mandam TPC, nomeadamente nas férias e existem outros que “carregam” sistematicamente. Existe uma clara disparidade e é preciso conter os excessos.

  2. Os TPC são por vezes excessivos, estou plenamente de acordo e é preciso arranjar “uma plataforma de entendimento” que poderá ser definida pela Tutela ou inclusivamente ser gerida e “negociada” a título de compromisso assumido em sala de aula entre os professores e os alunos, de forma a minimizar as repercussões negativas que estes possam vir a exercer sobre os mesmos e suas famílias, mas deixem-me dizer que considero igualmente excessivo o que é dito relativamente à sala de aula…

    Dizer-se que “a sala de aula continua a ser o ‘bunker’ dos professores e quem se atreve a meter o bedelho sabe de antemão que vai comprar uma guerra”, também é hiperbolizar uma realidade que não funciona bem assim! Os professores não têm tanta autonomia, nem tão pouco no que devem ou não lecionar de forma a motivar certos e determinados alunos (Veja-se, por exemplo, as metas definidas para as programas das disciplinas e as obras obrigatórias a abordar em termos da educação literária…)

    As reuniões com os Encarregados de Educação servem para debater esses problemas, os representantes dos Encarregados de Educação (eleitos no início do ano letivo) também podem opinar e levantar essas questões em sede própria e manifestar as suas preocupações. Esses problemas são posteriormente debatidos em reuniões das várias disciplinas curriculares e a direção dos agrupamentos toma conhecimento dessas “queixas” e/ou “preocupações” manifestadas pelos Encarregados de Educação, que são posteriormente abordadas em Conselhos Pedagógicos que ocorrem mensalmente e de onde saem muitas decisões sobre o que funciona menos bem numa escola!

    A sala de aula é muitas vezes um “bunker” sim, onde a indisciplina cresce a passos largos … e aí, só quem está no terreno dia a dia o conhece e “infelizmente” ninguém “mete ou quer meter o bedelho”!

    • As reuniões com os Encarregados de Educação servem para debater esses problemas, os representantes dos Encarregados de Educação (eleitos no início do ano letivo) também podem opinar e levantar essas questões em sede própria e manifestar as suas preocupações. Esses problemas são posteriormente debatidos em reuniões das várias disciplinas curriculares e a direção dos agrupamentos toma conhecimento dessas “queixas” e/ou “preocupações” manifestadas pelos Encarregados de Educação, que são posteriormente abordadas em Conselhos Pedagógicos que ocorrem mensalmente e de onde saem muitas decisões sobre o que funciona menos bem numa escola!
      Isso é tudo muito bonito Anabela e eu gostava de acreditar que essa fosse a norma e não a exceção. Sobre o “bunker” lembro-lhe apenas uma coisa, a avaliação de professores…

  3. Tudo mudou, infelizmente, para pior. Em todas as reformas que se fizeram, supostamente foram sempre reformas, os professores nunca são ”tidos nem achados”… Simplesmente aguentam e minimizam os danos, também com os TPC. Não se pode isolar um facto da conjuntura. Por que é que as coisas acontecem?

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