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“Sou Professora E Quero Ter Formação Em Defesa Pessoal”

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Quem é professor sabe que há sempre uma altura do ano em que os docentes são questionados sobre o tipo de formação que gostariam de ter, para que os centros de formação tenham um feedback dos professores e tentem ir ao encontro das suas pretensões.

Uma colega minha há anos que brinca com a situação, dizendo que gostaria de ter formação em defesa pessoal. Tendo em conta a semana horribilis que acabámos de ter e a reincidência com que a violência contra professores ocorre nas nossas escolas, se calhar não será assim tão descabido este tipo de formação, nomeadamente em escolas que estão inseridas em meios de violência social.

Não se trata de tornar os professores um corpo de intervenção, mas como é impossível cada escola ter durante todo o seu horário um polícia no seu portão ou em cada sala de aula, faz sentido que os professores, até porque estes são maioritariamente do sexo feminino com idades médias a rondar os 50 anos, consigam ao menos defender-se dos loucos que surgem nas escolas para impor a sua razão pela via do punho. É que este tipo de formação não se baseia apenas no ato físico em si, mas em estratégias que permitem aos professores lidarem com situações de elevado stress.

Uns dirão que esta ideia é profundamente disparatada, mas aqueles que saíram da escola diretamente para o hospital, se calhar até gostariam de ter frequentado umas aulinhas…

Com tanta formação da treta que anda por aí, não tenho a mínima dúvida que esta ficaria rapidamente lotada.

Nota: fiz uma pesquisa no google sobre formações de defesa pessoal para professores, e apesar de não ter encontrado formações atuais específicas para estes, encontrei uma notícia que vai ao encontro do que referi anteriormente.


Professores aprendem artes marciais para defesa pessoal

Empresa do Porto cria curso de artes marciais de defesa pessoal para professores. A ideia é ensinar os profissionais do ensino a lidar com insegurança e casos de violência em contexto escolar.

A maioria dos participantes são professores em escolas do ensino básico e secundário e alguns já passaram por situações “desagradáveis” na sala de aula. Professora há 14 anos, de inglês/alemão, Isabel Almeida contou à Lusa que os problemas começaram logo no início da carreira. “Eu era novinha e baixinha, eles eram adolescente, revoltados e estavam na escola contrariados. Foi muito difícil”, admitiu, referindo que “as asneiras e os insultos” eram e são as situações mais frequentes com que depara na sala de aulas.

Nunca foi agredida fisicamente, mas esteve “muito perto”. Em declarações à Lusa, Isabel Almeida relatou um caso já ocorrido este ano letivo e que está a ser alvo de um processo disciplinar.

“Senti que [o aluno] estava prestes a pegar numa cadeira para me atirar. A minha tendência foi afastar-me, mas eu não podia fugir da sala de aula, tinha mais 20 alunos ali. Sabia que tinha de fazer qualquer coisa para tentar acalmá-lo, mas fiquei indecisa, sem saber o que fazer”, admitiu.

Assim, quando teve conhecimento de um curso de defesa pessoal para professores, não hesitou. Como ela chegaram à SMD (Sistema Marcial de Defesa) outros colegas, uns já com histórias idênticas para contar, outros apenas para saber como agir perante uma eventual situação de violência, seja na escola ou no dia a dia.

A postura corporal, de autoconfiança e de autoridade, frases curtas e sem margem para discussões. São conceitos que os formadores (todos elementos de unidades especiais de forças policiais) não se cansam de repetir, ao longo da formação.

Os formadores Ricardo Lisboa, fundador do SMD, Nuno Horta e Hélder Pinto, vão ensinando os “truques simples, mas eficazes” que os docentes podem usar quando confrontados com situações “menos agradáveis”. Os três responsáveis ministraram já acções idênticas para profissionais de saúde e programam para breve uma outra para jornalistas.

O SMD resulta da pesquisa de várias artes marciais e métodos de defesa pessoal, como o Jiu Jitsu Brasileiro, Muay Thai, Boxe ou defesa pessoal policial e militar. Na empresa são ministrados treinos para o cidadão comum, vítimas de violência, doméstica ou em contexto escolar, de ‘carjacking’, ‘homejacking’, e todas as situações de violência às quais a pessoa está exposta. Informação sobre o curso no site http://www.smd-international.com/ e decidiu participar para “saber como reagir perante determinados ‘ataques’. É uma mais-valia”.

Fonte: A Página

4 COMMENTS

  1. Compreendo a preocupação, mas preocupa-me a simples hipótese de a defesa pessoal integrar a formação de professores. A ideia pode ser atraente, mas é pouco convincente (um para quantos?).
    Há muitos anos, li “Sementes de Violência”, de Evan Hunter, que na altura me soou a ficção pelo facto de a realidade portuguesa estar tão longe da americana (e ainda está, felizmente).
    Creio que a frase é de Savater, “Educai-os ou aturai-os”. Quantos professores foram incentivados a aturar? Quantas escolas fizeram das notas um estratégia para atrair alunos? Quantas vezes, sem escrutínio prévio, valeu mais a palavra de um aluno ou de um EE, do que a de um professor? Quantas vezes se optou pelo silêncio para evitar problemas? Quantas vezes se disse que a culpa é do professor que não sabe motivar, como se a aprendizagem dependesse apenas dele? Quantas vezes se afirma que o professor aprende com os alunos?
    Podemos não gostar, mas também ajudamos a percorrer o caminho com os nossos silêncios e omissões.
    É necessário repensar a profissão e questionar muitas coisas que se foram instalando como normais e que de facto não são!

  2. A notícia retirada da Página é de 2012!!
    Significa que não é de agora que a violência existe. Tem sido uma bola de neve que tem vindo paulatina mas eficazmente a trucidar quem é alvo, deixando rédea solta a quem a pratica.

  3. Sou professor há 23 anos, licenciado em ensino de português e francês, praticante de krav maga há 13 e instrutor desde 2010. Não esquecendo a responsabilidade dos pais na educação dos seus, filhos, o civismo, o stress, as inúmeras horas passadas na escola, etc, etc e etc… as inúmeras teorias e tentativas de resolver o problema da indisciplina e da agressividade, passando pelo bullying…o que temos vindo a ouvir há anos! O que é certo é a culpa morre sempre solteira e as situações de agressões aumentam de forma assustadora!
    O Krav maga, a arte marcial marcial que se dedica exclusivamente à defesa pessoal , ajuda , sem qualquer tipo de dúvida a lidar com este tipo de situações! OKrav maga não incita à violência, o que se pretende é exatamente o oposto, acabar com ela, ou pelo menos reduzi-la. E como ? O Krav maga aumenta exponencialmente a auto confiança e a sensação de segurança. A linguagem corporal de um praticante diminui radicalmente a probabilidade de ser atacado, agredido ou até mesmo intimidado. Esta ideia de dar formação, aulas a professores já a tenho eu há muitos anos. Podem ter certeza, que a prática regular e as tais formações viriam solucionar grande parte deste problema! Se houver alguém com responsabilidades, ligado às formações ou que tenha capacidade ou poder para implementar estas formações, estou à disposição! https://g.page/kravmagabraga?share

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