Início Editorial “Sou professor, não sou carrasco de professores!!!”

“Sou professor, não sou carrasco de professores!!!”

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A frase não é minha, é um desabafo de um colega que está farto de fazer processos disciplinares a professores.

Vamos lá deixar-nos de floreados e dizer as coisas como são, alguns professores não deviam ser professores, não são dignos desse nome, desempenham mal a sua função e impõem-se pelas influências e “barulho” que causam. Já vi e ouvi coisas que se chegassem aos jornais envergonhavam qualquer profissional, seja professor ou não. Desculpem colegas, mas não vos minto, é algo que me incomoda e que persiste ano após ano, pois infelizmente a Escola Pública não tem um sistema que premei o mérito e penalize a incompetência.

Um professor é um professor, é um especialista na sua arte, não deve ser confundido com um advogado, juiz ou polícia. Não foi para isso que se formou, não foi para isso que dedicou 5 anos da sua vida a preparar-se para o desempenho do seu cargo.

A Inspeção Geral de Educação durante muito tempo foi a responsável pela (in)disciplina dos professores, mas por falta de verbas, a batata quente foi atirada para cima dos ditos, sem apelo nem agrado, apenas porque sim, por estarem sempre aptos a receber qualquer “absurdo”. Não se faz! Considero uma sacanice colocar professores a esmiuçar a sala de aula de outros professores, a acusar outros professores a propor sanções a outros professores.

Se recuarmos um pouco no tempo e lembrarmos a polémica avaliação de professores. Houve greves, manifestações, profundas indignações, mas ninguém se indigna que sejam professores sem formação a fazer processos disciplinares a professores… Não acham estranho??? Não vos incomoda??? Eu que os faço sinto-me incomodado, não gosto de os fazer e só os faço porque sou obrigado!

Pior é que a preparação de um instrutor é feita numa formação de 1 ou 2 dias, como se isso fosse suficiente para dominar toda a complexa máquina processual onde em cada esquina surge uma armadilha para quem não está habituado a estas andanças.

E como se não bastasse, quando as coisas dão para o torto, podemos ter professores a esgrimir argumentos com um especialista judicial e perito em inverter um plano inclinado, os advogados.

Sim, é verdade que os inspetores dão uma ajudinha, mas é uma ajuda telecomandada, antes ou depois da batalha, mas na hora “h”, o professor está sozinho e tem que se desenrascar, goste ou não goste, tenha jeito ou não… Lembro… o seu espaço, a sua apetência, não é num gabinete, é numa sala de aula…

Os próprios Inspetores devem sentir a frustração de dar o seu trabalho a um não especialista, como um jogador que passou a ser treinador e que só quer é estar dentro do campo.

O Ministério de Educação, deve definir afinal qual é a prioridade do professor e se essa prioridade deve ou não ser desmembrada por tarefas adjacentes, burocráticas e que roubam muito do tempo do especialista em sala de aula.

Os professores merecem ser dignificados e salvaguardados, já chega de serem tapa-buracos, os substitutos à pressa de algo para o qual não têm formação. Pois quando as coisas correm mal, ninguém se vai lembrar que o instrutor do processo é um professor de Português, Matemática, Educação Física ou de História, esse instrutor/professor estará sentado no banco dos réus por manifesta incompetência incapacidade, e aí… quero ver se a tutela irá proteger e pagar as custas judiciais.

Que se devolva à Inspeção Geral de Educação e aos seus Inspetores aquilo que é da sua responsabilidade e competência, ou então que não se aponte o dedo a quem erra não por incompetência, mas por manifesta falta de formação…

Como se costuma dizer e com todo o respeito “cada macaco no seu galho”

Alexandre Henriques

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6 COMENTÁRIOS

  1. Há sempre o direito de escusa … está salvaguardado … de resto ninguém me pode obrigar a ser imparcial quando invoco a impossibilidade … já tentaram “cravar-me” mas invoquei-a … de resto todo o profissional o pode fazer, porque não o professor????? Este é o resultado de mixórdia em que uma desclassificada (para ser educadinha!!!) que desempenhou as funções de ministra da Educação, mas que não passava de uma varina ressabiada sem o mínimo conceito de respeito, de seu nome Maria de Lurdes Rodrigues, transformou o desempenho docente, quando deu corpo a essa nova vaga de “gestores”, escancarando as portas a todo o desprovido de ética e educação e que não são tão escassos assim nesta classe, o diretor, dando-lhes toda a autonomia para partirem e racharem por onde melhor lhes der na bolha … situação que ainda não vi, até à data, a mínima manifestação de intenção de alterar … quer tenha sido duranta a vigência PSD/CDS, quer na atual … nesta matéria dão as mãozinhas!!!!

  2. Nunca instruí processos a professores, só a alunos, e já lá vão uns anitos.
    Se me obrigassem a ser “carrasco de professores” e não aceitassem um pedido de escusa, como sugere a colega Ana, procederia às diligências obrigatórias e proporia, no final, o arquivamento do processo.
    Duvido que me voltassem a chatear…

    • Sabe que tem um prazo de 18 meses para concluir o processo? Admiro-lhe a coragem e a vontade para se sentar no lugar do arguido…

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